O vídeo do Lula sobre narrativa que viralizou nesta semana tem seis frases. As seis existem na boca do Lula. Mas o corte virou duas do avesso, tirou três palavras de outra e exagerou as últimas três. Abaixo está cada frase inteira, com o link do vídeo original e o minuto.
O documentário completo da Revista De Castro está aqui. São 11 minutos e 57 segundos, quase tudo na voz deles: o Lula, os aliados, outros presidentes e os telejornais.
Os capítulos do vídeo:
- 00:00 Nas palavras dele
- 00:41 O que ele está dizendo
- 01:13 Parte 1: o corte que viralizou
- 02:44 Parte 2: a narrativa dele
- 03:44 Parte 3: o Foro de São Paulo
- 04:42 Parte 4: o Maduro
- 07:07 Parte 5: Cuba e Nicarágua
- 08:46 Parte 6: terroristas
- 10:05 Parte 7: as facções
- 11:26 O que sobra
Nas palavras dele
Narrativa é a história que alguém conta sobre um fato. Quem conta primeiro e conta mais vezes costuma ganhar. Quem explica isso melhor é o próprio Lula.
Em 30 de maio de 2023, no Itamaraty, em Brasília, ele disse a jornalistas:
"Em política, toda vez que você quer destruir um adversário, a primeira coisa que você faz é construir uma narrativa negativa dele."Lula, coletiva depois do encontro com presidentes da América do Sul, 30/05/2023 (vídeo do Poder360)
Na mesma entrevista: "quem constrói a primeira narrativa ganha". E completou: "se você não quer perder o jogo, construa a sua narrativa provando que a primeira narrativa é mentirosa. É isso que eu falei para o Maduro."
Em 14 de abril de 2022, com as centrais sindicais: "Porque quando se quer dar um golpe, se constrói uma narrativa." Em 18 de janeiro de 2024, em Ipojuca (PE): "e você martela aquela mentira até ela se tornar uma verdade na cabeça do povo." Em 22 de maio de 2026, no programa Sem Censura, da TV Brasil, falando como se fosse ao Trump: "A minha guerra com você é na narrativa."
O que ele está dizendo?
Para ser justo: quase sempre, ele fala dos adversários. A mentira martelada de Ipojuca era sobre a Lava Jato. A agência Lupa checou em 4 de julho de 2024 e concluiu que o corte que vende essa fala como confissão distorce o que ele disse.
Então, aqui, nada disso é chamado de confissão. Mas tem um conselho. E o conselho foi para o Maduro. A pergunta deste dossiê é uma só: quando a narrativa do Lula encontra os fatos, o que sobra?
Parte 1: o corte que viralizou
O vídeo foi publicado no Instagram em 20 de outubro de 2026. Até a noite de 21 de outubro, tinha mais de 360 mil curtidas. A revista foi atrás de cada frase no vídeo original. O resultado:
| Frase | Como circulou | O que o corte tirou | Na conta da revista |
|---|---|---|---|
| A | "vai depender da nossa capacidade de construir a narrativa correta" | "do que ele representou para o Brasil" | Exagerou |
| B | "quando se quer dar um golpe, se constrói uma narrativa" | o golpe era o que ele diz ter sofrido | Virou do avesso |
| C | "jamais a gente poderia chegar ao poder pela via do voto" | "em 1985", e as eleições de 1982 e 1989 | Virou do avesso |
| D | "para que juntos a gente pudesse chegar a ganhar o poder" | "pela via democrática" | Perdeu três palavras |
| E | "o discurso do costume, o discurso da família" | a frase anterior, sobre o "discurso fascista" | Exagerou |
| F | "Companheiro Maduro, se quiser vencer uma batalha" | o nome foi puxado de meio minuto depois | Exagerou (montagem) |
Agora, uma por uma, com a íntegra.
Frase A: a narrativa sobre o Bolsonaro
Em 10 de fevereiro de 2023, em Washington, Lula deu entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN. O corte para no meio da frase. A frase inteira é esta:
"Bolsonaro não tem nenhuma chance de voltar à Presidência da República. Agora vai depender da nossa capacidade de construir a narrativa correta do que ele representou para o Brasil."Lula à CNN, 10/02/2023 (vídeo da CNN Brasil, a partir de 16:05)
O pedaço que sumiu é "do que ele representou para o Brasil". O texto oficial do Planalto traz a mesma frase. As palavras do corte são fiéis. O sentido ficou maior do que era.
Frase B: o golpe era o que ele diz ter sofrido
Em 14 de abril de 2022, num encontro com as centrais sindicais em São Paulo, Lula disse: "Porque quando se quer dar um golpe, se constrói uma narrativa." O corte deixa parecer que ele ensina a dar golpe. Veja o que vem antes, na live do PT, em 1:52:27:
"E nós tivemos um golpe no nosso país. Um golpe premeditado, pensado, arquitetado."
E, um minuto depois:
"E essa mentira foi contada para dar um golpe aqui no Brasil. Ela foi contada para me prender e me tirar do processo eleitoral."
Ou seja: ele fala do golpe que diz ter sofrido, o impeachment da Dilma e a prisão dele. O Estadão Verifica já tinha chamado de enganosa, em 22 de novembro de 2024, outra postagem com o mesmo trecho.
Frase C: o corte apagou o ano
Em 29 de junho de 2023, Lula abriu o encontro do Foro de São Paulo, em Brasília. No corte, ele diz que jamais chegaria ao poder pelo voto. Falta o começo da frase:
"A primeira coisa é que, em 1985, eu tinha consciência de que jamais a gente poderia chegar ao poder pela via do voto, pela via democrática."Lula no Foro de São Paulo, 29/06/2023 (live do PT, a partir de 54:47)
Ele fala do que pensava em 1985. Logo depois, lembra que teve "apenas 10%" dos votos em 1982. E que, em 1989, "nós conseguimos quase 47% dos votos e quase ganhamos as eleições". O corte tirou o ano, e a frase sobre o passado virou plano para o futuro.
Frase D: sumiram três palavras
No mesmo discurso, ele conta como o Foro nasceu. O começo do corte é fiel. O fim foi emendado. No original, ele diz que os grupos de esquerda da época estavam "tentando fazer a revolução" e que o PT resolveu chamar todos para discutir como:
"a gente, pela via democrática, chegar a ganhar o poder nos nossos países."
O corte cola "para que juntos a gente pudesse" direto em "chegar a ganhar o poder". As três palavras que sumiram são justamente "pela via democrática".
Frase E: a família
Ainda no Foro de 2023, Lula disse: "Aqui no Brasil, nós enfrentamos o discurso do costume, o discurso da família, o discurso do patriotismo." As palavras do corte são fiéis.
O que muda é a leitura. A narradora do vídeo viral diz que ele quer "combater a família". Antes da frase, Lula fala que a esquerda precisa rediscutir o próprio discurso e que "muitas vezes a direita tem mais facilidade do que nós com o discurso fascista". Depois, fala da migração na Europa. A frase admite duas leituras, e a revista deixa as duas com você.
Frase F: a montagem do Maduro
Em 29 de maio de 2023, Maduro visitou o Palácio do Planalto. No corte, Lula diz: "Companheiro Maduro, se quiser vencer uma batalha, eu preciso construir uma narrativa para destruir o meu potencial inimigo."
A frase existe. Mas o nome do Maduro foi puxado de uns 30 segundos depois. E o corte tirou a moldura. A íntegra fica na Parte 4.
Então o vídeo viral era mentira? Exagerou. As seis frases saíram da boca do Lula. Em duas, o corte virou o sentido. Em uma, tirou "pela via democrática". Nas outras três, aumentou o que ele disse.
Parte 2: a narrativa dele
E quando a narrativa é dele? Aí ele fala abertamente. No aniversário de 46 anos do PT, em Salvador, em 7 de fevereiro de 2026, Lula disse antes que "todas as coisas boas que nós fizemos, por si só, podem não ganhar as eleições". E então:
"O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política."Lula, ato dos 46 anos do PT, 07/02/2026 (vídeo do Metrópoles)
Com os ministros, em 17 de dezembro de 2025: "Eu tenho a impressão que nós ainda não conseguimos a narrativa correta para fazer com que o povo saiba fazer uma avaliação das coisas que aconteceram nesse país." (vídeo do Poder360)
No Conselhão, em 10 de junho de 2026, ele disse que vale para os dois lados: "A narrativa e o argumento não valem mais nada, não valem mais nada. O que vale é a rapidez da mentira nas redes digitais, é o que vale. E tanto para a direita quanto para a esquerda." (vídeo do Poder360) Ali, ele reclama do mundo das redes. Não é confissão.
Na opinião da revista, quem fala tanto em narrativa mostra onde aposta.
Parte 3: o que é o Foro de São Paulo?
O Foro de São Paulo é um clube de partidos de esquerda da América Latina. Nasceu em 4 de julho de 1990. A Declaração de São Paulo, o primeiro papel do grupo, diz quem chamou: "Convocados pelo Partido dos Trabalhadores (PT)". Foram 48 organizações. E guarde esta palavra, que aparece no texto entre aspas: "narcoterrorismo".
A ideia, ele mesmo contou no Foro de 2023: "começamos a conversar com os companheiros do Partido Comunista Cubano e com o companheiro Fidel Castro." Na carta dos 30 anos do Foro, em 2020, escreveu que numa conversa com Fidel "decidimos que o PT poderia convocar um encontro".
A versão do PT veio da então presidente do partido, Gleisi Hoffmann, no mesmo encontro de 2023: "É uma grande mentira, portanto, dizer que o Foro de São Paulo seria uma organização secreta que apoia ou participa de movimentos armados e insurrecionais. Somos da paz, da democracia e da justiça."
Agora, o próprio Lula, em 2 de julho de 2005, nos 15 anos do Foro. Ele falava da ajuda à Venezuela, quando era presidente. Está no discurso oficial do Planalto:
"sempre utilizando a relação construída no Foro de São Paulo para que pudéssemos conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política."
Sem que parecesse. Na opinião da revista, isso também é narrativa.
E o Foro defendeu a Nicarágua por escrito. Num comunicado de 16 de junho de 2021, chamou de "falsa alegación" (acusação falsa) a denúncia de que opositores estavam presos sem motivo. A nota é do Foro, não do governo brasileiro.
Para entender de onde vem cada peça, a revista tem a linha do tempo do PT no poder.
Parte 4: o que o Lula disse ao Maduro?

Esta é a frase F, agora inteira, dita ao lado do Maduro:
"É uma coisa que a gente aprende em política, que é a narrativa que se constrói contra as pessoas. Eu, se quiser vencer uma batalha, eu preciso construir uma narrativa para destruir o meu potencial inimigo. Então, o Maduro sabe qual foi a narrativa que construíram contra a Venezuela durante tanto tempo."Lula no Planalto, 29/05/2023 (vídeo do Poder360, a partir de 29:50)
Ele fala do que, segundo ele, fizeram contra a Venezuela. E meio minuto depois aconselha: "Então eu acho que está nas suas mãos, companheiro, construir a sua narrativa e virar esse jogo." Na mesma fala, ele disse que isso seria "através de votação livre".
No dia seguinte, 30 de maio, um presidente de esquerda respondeu. O que você acha que ele disse?

"E eu disse, com respeito, que discordava do que o presidente Lula falou ontem: que os direitos humanos na Venezuela eram uma construção narrativa. Não é uma construção. É uma realidade, é séria."Gabriel Boric, presidente do Chile, em Brasília, 30/05/2023 (vídeo da NTN24, em espanhol)
No mesmo minuto, o Boric também pediu o fim das sanções contra a Venezuela. E o Lula respondeu: "Eu disse para ele que é da obrigação dele construir a narrativa dele, sabe, com os fatos verdadeiros."
Então, quais são os fatos?
- Fato a favor do Lula. Em 22 de julho de 2024, seis dias antes da eleição venezuelana, ele disse: "Quem perde as eleições toma um banho de voto, não de sangue. O Maduro tem que aprender, quando você ganha você fica, quando você perde você vai embora." (vídeo do O POVO)
- A eleição de 28 de julho de 2024. O Carter Center, instituto americano que fiscaliza eleições, escreveu que ela "não pode ser considerada democrática".
- Os mortos. A ONU contou ao menos 25 mortos na repressão depois da eleição.
- Fato a favor do Lula. O governo não reconheceu a vitória do Maduro e pediu as atas (o papel com os votos de cada urna).
- A posse. Mesmo sem reconhecer, o governo mandou uma embaixadora à posse do Maduro, em janeiro de 2025.
- A ditadura. Na Rádio Gaúcha, em 16 de agosto de 2024, perguntaram se a Venezuela é uma ditadura. Lula: "Não, eu não acho que é ditadura. É diferente de uma ditadura. É um governo com viés autoritário." (vídeo do Poder360)
Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos capturaram o Maduro. Ele e a mulher, Cilia Flores, vão ser julgados em Nova York. Segundo a CNN Brasil, Maduro foi acusado de "conspiração narcoterrorista, conspiração para importar cocaína". Em 8 de outubro, o Departamento de Justiça dos EUA abriu um novo caso, por tortura, e lembrou que todos os acusados são presumidos inocentes. O Maduro se diz inocente. Ele é réu: foi acusado e ainda não foi julgado.
O Lula condenou a captura. Em fevereiro, defendeu que o Maduro seja "julgado no seu país, e não no exterior".
Lembra da palavra de 1990? Na opinião da revista, a ironia fala sozinha.
Parte 5: Cuba e Nicarágua
Em 11 de julho de 2021, Cuba teve os maiores protestos contra a ditadura em 30 anos, segundo o Jornal da Band. Milhares de cubanos foram às ruas pedindo liberdade e vacina. Na TV, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, disse: "A ordem de combate está... às ruas, os revolucionários."
Dois dias depois, Lula falou na Rádio Bandeirantes: "O que está acontecendo em Cuba de tão especial? Houve uma passeata em Cuba." Três minutos depois, fez a ressalva: "Não tem problema pedir democracia em Cuba. Não tem problema. Isso o povo pode pedir à vontade."
Uma passeata. Em janeiro de 2022, um pai contou à TV alemã DW o que a Justiça pedia para os três filhos presos depois do protesto: "Pedem 20 anos para o meu filho, 25 para a minha filha e 15 para o mais novo." Hoje, Cuba tem recorde de presos políticos: 1.351 em 30 de setembro de 2026, segundo a Prisoners Defenders, ONG que conta esses presos.
Nicarágua. Em novembro de 2021, ao jornal espanhol El País, Lula perguntou: "Por que que a Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não?" A jornalista Pepa Bueno lembrou que a Merkel não prendeu opositores. E ele respondeu: "Se o Daniel Ortega prendeu a oposição para disputar a eleição como fizeram no Brasil contra mim, ele está totalmente errado." (vídeo do El País)
- Fato a favor do Lula. Em 8 de agosto de 2024, o Brasil expulsou a embaixadora da Nicarágua, em resposta à expulsão do embaixador brasileiro. O Itamaraty disse que as relações não foram rompidas de vez.
- Mas, em 19 de agosto de 2026, na OEA, a organização que reúne os países das Américas, o placar foi de 29 a 1 para marcar uma reunião sobre a Nicarágua. Segundo a EWTN, o único voto contra foi o do Brasil. O assunto: discutir o fim das eleições na Nicarágua.
Parte 6: terroristas
Cesare Battisti. Foi condenado na Itália por quatro assassinatos, com prisão perpétua, e fugiu para o Brasil. Por anos, negou os crimes. Em 18 de novembro de 2009, o Supremo autorizou a extradição (a devolução para a Itália), por 5 votos a 4, e disse que a palavra final era do presidente. Em 31 de dezembro de 2010, último dia do mandato, Lula disse não.
Em 2019, Battisti foi preso na Bolívia e levado à Itália. Em 25 de março, confessou os quatro homicídios. A TV italiana Rai leu a declaração dele ao promotor: "Sempre menti sobre esses crimes, para ter o apoio da extrema esquerda na França, no México e no Brasil."
- Fato a favor do Lula. Ele admitiu o erro. Em 2020, disse ao UOL que a confissão "foi uma frustração pra mim". Em 2021, à RAI: "Pensei que ele não era culpado, mas depois de sua confissão, só posso me desculpar." (Poder360)
Hamas. Em 18 de outubro de 2023, o Brasil levou ao Conselho de Segurança da ONU um texto que condenava os "heinous terrorist attacks by Hamas" (os hediondos ataques terroristas do Hamas). O placar foi 12 a 1, com 2 abstenções, e o veto dos EUA derrubou o texto. Nove dias depois, Lula disse:
"E o Hamas não é reconhecido pelo Conselho de Segurança da ONU como organização terrorista, porque ele disputou eleições na Faixa de Gaza e ganhou. O que nós dissemos? É que o ato do Hamas foi terrorista."Lula, 27/10/2023 (vídeo do Metrópoles)
As duas metades valem. O governo não classifica o Hamas como organização terrorista. E o Lula chama o ataque de terrorista. Sobre a eleição: o Hamas ganhou em 2006. Um ano depois, em junho de 2007, tomou Gaza à força em cerca de oito dias. Foram 161 mortos, segundo a Human Rights Watch.
Na opinião da revista, eleição não apaga isso.
Parte 7: as facções
Facção é grupo do crime organizado, como o PCC e o Comando Vermelho. Em 24 de outubro de 2025, numa entrevista na Indonésia, Lula disse: "Os usuários são responsáveis pelos traficantes que são vítimas dos usuários também." (vídeo do Poder360) No mesmo dia, ele se corrigiu nas redes e chamou a fala de "uma frase mal colocada".
Antes, em 22 de março de 2023, a Polícia Federal pegou um plano do PCC. Segundo o Brasil Urgente, da Band, a facção "pretendia sequestrar e até matar servidores públicos e autoridades". Entre os alvos estavam o senador Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakiya.
No dia seguinte, em Itaguaí (RJ), Lula disse: "Eu não vou falar porque eu acho que é mais uma armação do Moro, mas eu quero ser cauteloso." Meio minuto depois: "eu não vou ficar atacando ninguém sem ter provas, eu acho que é mais uma armação." (vídeo do Poder360)
Veio a sentença. Em 24 de janeiro de 2025, a juíza Sandra Regina Soares, da 9ª Vara Federal de Curitiba, condenou oito integrantes do PCC pelo plano contra o Moro. As penas chegam a 14 anos e 9 meses. Três foram absolvidos. Na sentença, a juíza escreveu: "A desistência inicial não foi voluntária, mas sim fruto de intervenções externas." Ou seja: o plano só parou porque alguém de fora agiu. É a primeira sentença, e ainda cabe recurso (pedir a outros juízes que revejam).
Na opinião da revista, a armação virou sentença.
- Fato a favor do Lula. Em 28 de maio de 2026, depois de os Estados Unidos chamarem PCC e CV de terroristas, ele disse: "esse tal de PCC, eles são terroristas para as comunidades brasileiras". E: "Então, eles são terroristas e nós vamos combater eles aqui dentro. Nós aprovamos uma lei antifacção." (vídeo do O POVO) Na mesma fala, ele rejeitou que os EUA façam intervenção aqui. Em 21 de outubro de 2026, o governo usou a Lei Antifacção pela primeira vez para tomar R$ 190 milhões de membros do PCC e do CV.
O que joga contra, e entra
O leitor vai perguntar. A revista responde com o que apurou:
- "Então o vídeo viral era verdade?" As seis frases existem. Mas duas viraram do avesso (B e C), uma perdeu "pela via democrática" (D) e três foram exageradas (A, E e F). Quem compartilhou o corte espalhou uma versão diferente do que o Lula disse.
- "Ele fala dos adversários." Quase sempre, sim. A mentira martelada era sobre a Lava Jato, e a Lupa já disse isso. O conselho ao Maduro é a exceção.
- "O governo foi duro com a Venezuela e a Nicarágua." Em parte. Não reconheceu a eleição do Maduro, expulsou a embaixadora da Nicarágua e aprovou a Lei Antifacção. Também mandou embaixadora à posse do Maduro e votou sozinho contra a reunião da OEA.
- "O Maduro foi condenado?" Não. Ele é réu nos Estados Unidos e se diz inocente.
- "O Lula disse que o Hamas não é terrorista?" Ele disse que o Hamas não é reconhecido pela ONU como organização terrorista e, na mesma frase, que "o ato do Hamas foi terrorista".
- "A sentença do PCC é final?" Não. É de primeira instância e cabe recurso.
Esta matéria usa só falas públicas, em vídeo ou em documento oficial, com o link de cada uma.
O que sobra?
Então, quando a narrativa encontra os fatos, o que sobra? O Lula ensinou: "quem constrói a primeira narrativa ganha". O Boric respondeu no dia seguinte, em Brasília: "Não é uma construção. É uma realidade, é séria."
Na opinião da revista, a resposta veio do Chile. A revista mostrou cada fala inteira. Quem tem prova mostra. E se alguém te mandou aquele corte, manda esta matéria para essa pessoa.
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Perguntas que chegam nos comentários
O vídeo do Lula sobre narrativa que viralizou é verdadeiro?
As seis frases existem, mas o corte inverteu o sentido de duas, tirou "pela via democrática" de outra e exagerou as outras três. A íntegra de cada uma, com link, está nesta matéria.
O Lula disse que nunca chegaria ao poder pelo voto?
Ele disse, no Foro de São Paulo em 29 de junho de 2023, que pensava assim em 1985. Em seguida lembrou que teve quase 47% dos votos em 1989. O corte apagou o "em 1985".
O que o Lula disse ao Maduro sobre narrativa?
Em 29 de maio de 2023, no Planalto, disse que "está nas suas mãos, companheiro, construir a sua narrativa e virar esse jogo". No dia seguinte, o presidente do Chile, Gabriel Boric, discordou: "Não é uma construção. É uma realidade, é séria."
O que é o Foro de São Paulo?
Um grupo de partidos de esquerda da América Latina criado em 1990. A declaração de fundação diz que o encontro foi convocado pelo PT.
Onde assisto ao documentário completo?
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