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Notícias / 3 de outubro de 2026

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Trump desvia US$ 52 milhões de ajuda militar da Europa para a América Latina: o Congresso diz que é ilegal, a Casa Branca fala em hemisfério

O Departamento de Estado tirou US$ 52 milhões reservados a Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque e mandou para Panamá, Peru, Equador e Colômbia, passando por cima de uma trava imposta por dois parlamentares democratas. Eu fui ler o que cada lado diz, de onde vem o dinheiro e o que a lista de países conta sobre o lugar do Brasil nessa conta.

Publicado
3 de outubro de 2026
Atualizado
3 de outubro de 2026
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O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, discursa na inauguração do Píer 3, na Cidade do Panamá, em 8 de abril de 2025. Foto do Departamento de Defesa dos EUA, domínio público
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, discursa na inauguração do Píer 3, na Cidade do Panamá, em 8 de abril de 2025. Foto do Departamento de Defesa dos EUA, domínio público

O governo Donald Trump redirecionou US$ 52 milhões de ajuda militar que o Congresso dos Estados Unidos tinha reservado para Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque e mandou o dinheiro para Panamá, Peru, Equador e Colômbia. A decisão de seguir em frente, apesar de uma trava imposta por dois parlamentares democratas, foi comunicada ao Congresso na noite de 30 de setembro de 2026, segundo o Washington Post, reproduzido pelo site ucraniano UNN e pelo Daily Beirut.

Eu fui ler o que cada lado diz. O resumo: o Congresso diz que a verba tinha destino fixado em lei; o Departamento de Estado diz que a prioridade agora é o hemisfério ocidental.

De onde vem o dinheiro?

Do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, na sigla em inglês), com que os EUA pagam equipamento, serviço e treinamento para forças armadas aliadas. A parcela em disputa veio de um pacote suplementar aprovado pelo Congresso em 2022, no começo da guerra na Ucrânia, para países afetados pela invasão russa, segundo a UNN.

O aviso de que a verba mudaria de destino chegou ao Congresso em 15 de setembro, informou a UPI no dia seguinte. A nota do Departamento de Estado falava em combater o "narcoterrorismo", proteger o Canal do Panamá e reduzir a dependência dos quatro países de suprimento militar de adversários dos EUA. Uma frase da pasta, citada pela UPI: "Esses fundos vão impedir que adversários estabeleçam pontos de apoio estratégicos em nosso hemisfério."

Pete Hegseth e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, nas eclusas de Miraflores, em abril de 2025. Foto do Departamento de Defesa dos EUA, domínio público

Quem travou e por quê?

A senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e o deputado Gregory Meeks, de Nova York, que lideram a minoria democrata nas comissões de Relações Exteriores do Senado e da Câmara. Ao receber o aviso, eles colocaram um "hold", a trava que o Congresso usa para segurar um gasto. Na noite de 30 de setembro, o governo informou que ignoraria a trava e seguiria com a transferência, segundo o Washington Post citado pela UNN.

"As duas casas do Congresso destinaram esses fundos a um propósito muito específico: apoiar a Ucrânia e nossos aliados europeus", escreveram os dois, segundo a UNN. Em 1º de outubro, a minoria democrata da comissão da Câmara publicou o comunicado "Meeks e Shaheen denunciam reprogramação ilegal de FMF pelo governo Trump". O argumento, resumido pelo Daily Beirut: a transferência viola a trava do Congresso e as exigências legais sobre o uso da verba. A Constituição americana reserva ao Congresso o poder de decidir onde o dinheiro público é gasto.

A resposta do Departamento de Estado, também citada pela UNN: "Reprogramar fundos do Oriente Médio e da Europa para o Hemisfério Ocidental é consistente com a Estratégia de Segurança Nacional."

O que está por trás da escolha dos quatro países?

Uma guinada declarada. Em 7 de março, Trump lançou a iniciativa "Escudo das Américas", uma coalizão regional de segurança, segundo a UPI. O secretário de Estado, Marco Rubio, visitou Colômbia, Equador e Peru na semana anterior ao aviso ao Congresso, informa o News247Plus, que lembra que cerca de 80% do FMF da última década foi para o Oriente Médio.

O LatinAmerican Post acrescenta dois números que explicam a pressa: o Peru registrou 26.734 casos de extorsão em 2025, contra 2.421 em 2019, e comercializou mais de US$ 50 bilhões com a China no ano passado, contra cerca de US$ 19 bilhões com os EUA. O dinheiro americano, nessa leitura, disputa espaço com Pequim.

DadoNúmeroFonte
Verba redirecionadaUS$ 52 milhõesUPI, Washington Post
Países que perdemEslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia, IraqueUPI
Países que recebemPanamá, Peru, Equador, ColômbiaUPI
Aviso ao Congresso15 de setembro de 2026UPI, News247Plus
Decisão de ignorar a trava30 de setembro de 2026Washington Post, via UNN
FMF que foi ao Oriente Médio na última décadacerca de 80%News247Plus

Nenhuma das fontes que abri publica quanto cada um dos quatro países vai receber.

As eclusas de Miraflores, no Canal do Panamá. Foto: RB Photo / Wikimedia Commons, CC BY 2.0

O que isso diz para o Brasil?

Que o Brasil não está na lista, e isso é um fato, não uma opinião. Colômbia, Equador e Peru receberam Rubio em setembro, o Panamá recebeu Hegseth em 2025, e os quatro aderiram ao desenho de segurança de Washington. O Brasil, no mesmo período, vive o atrito da tarifa de 25% e do Pix, e o produtor brasileiro assistiu ao tapete vermelho para Xi Jinping.

Na minha opinião, a mensagem dessa lista é simples: Washington está pagando para ter aliados militares na vizinhança, e o maior país da região ficou de fora da conta. Se isso é bom ou ruim, cada leitor decide. O número é que não muda.

Perguntas que chegam nos comentários

Quanto dinheiro os EUA redirecionaram para a América Latina?

US$ 52 milhões do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), tirados de Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque e enviados a Panamá, Peru, Equador e Colômbia, segundo a UPI e o Washington Post.

Por que o Congresso diz que é ilegal?

Porque a verba veio de um pacote de 2022 aprovado para países afetados pela guerra na Ucrânia, e a senadora Jeanne Shaheen e o deputado Gregory Meeks tinham colocado uma trava ("hold") sobre o gasto. O governo informou em 30 de setembro que seguiria mesmo assim.

O que o governo Trump diz?

Que a reprogramação é consistente com a Estratégia de Segurança Nacional, que prioriza o hemisfério ocidental, e que o dinheiro vai combater o narcoterrorismo e proteger o Canal do Panamá.

O Brasil recebe parte desse dinheiro?

Não. O Brasil não aparece entre os quatro países beneficiados.

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Fontes desta materia

  1. UPI, U.S. shifts $52 million in military aid toward Latin America, 16 de setembro de 2026
  2. UNN, The Trump administration is redirecting aid under the Ukraine law to Latin America, citando o Washington Post, outubro de 2026
  3. Ukranews, Trump diverts funds intended for countries helping Ukraine to South America, citando o Washington Post, 2 de outubro de 2026
  4. Daily Beirut, US redirects $52M military aid to Latin America despite congressional ban, 2 de outubro de 2026
  5. Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos EUA (minoria democrata), comunicado Meeks, Shaheen Denounce Trump Administration's Unlawful FMF Reprogramming, 1º de outubro de 2026
  6. LatinAmerican Post, Latin American allies await military aid as Washington changes its global bearings, setembro de 2026
  7. News247Plus, US redirects $52 million in military aid from Europe and the Middle East to Ecuador, Colombia, Peru and Panama, 15 de setembro de 2026
  8. Venceslau Notícias, Giro de notícias desta sexta-feira, 2 de outubro de 2026