O governo Donald Trump redirecionou US$ 52 milhões de ajuda militar que o Congresso dos Estados Unidos tinha reservado para Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque e mandou o dinheiro para Panamá, Peru, Equador e Colômbia. A decisão de seguir em frente, apesar de uma trava imposta por dois parlamentares democratas, foi comunicada ao Congresso na noite de 30 de setembro de 2026, segundo o Washington Post, reproduzido pelo site ucraniano UNN e pelo Daily Beirut.
Eu fui ler o que cada lado diz. O resumo: o Congresso diz que a verba tinha destino fixado em lei; o Departamento de Estado diz que a prioridade agora é o hemisfério ocidental.
De onde vem o dinheiro?
Do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF, na sigla em inglês), com que os EUA pagam equipamento, serviço e treinamento para forças armadas aliadas. A parcela em disputa veio de um pacote suplementar aprovado pelo Congresso em 2022, no começo da guerra na Ucrânia, para países afetados pela invasão russa, segundo a UNN.
O aviso de que a verba mudaria de destino chegou ao Congresso em 15 de setembro, informou a UPI no dia seguinte. A nota do Departamento de Estado falava em combater o "narcoterrorismo", proteger o Canal do Panamá e reduzir a dependência dos quatro países de suprimento militar de adversários dos EUA. Uma frase da pasta, citada pela UPI: "Esses fundos vão impedir que adversários estabeleçam pontos de apoio estratégicos em nosso hemisfério."

Quem travou e por quê?
A senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire, e o deputado Gregory Meeks, de Nova York, que lideram a minoria democrata nas comissões de Relações Exteriores do Senado e da Câmara. Ao receber o aviso, eles colocaram um "hold", a trava que o Congresso usa para segurar um gasto. Na noite de 30 de setembro, o governo informou que ignoraria a trava e seguiria com a transferência, segundo o Washington Post citado pela UNN.
"As duas casas do Congresso destinaram esses fundos a um propósito muito específico: apoiar a Ucrânia e nossos aliados europeus", escreveram os dois, segundo a UNN. Em 1º de outubro, a minoria democrata da comissão da Câmara publicou o comunicado "Meeks e Shaheen denunciam reprogramação ilegal de FMF pelo governo Trump". O argumento, resumido pelo Daily Beirut: a transferência viola a trava do Congresso e as exigências legais sobre o uso da verba. A Constituição americana reserva ao Congresso o poder de decidir onde o dinheiro público é gasto.
A resposta do Departamento de Estado, também citada pela UNN: "Reprogramar fundos do Oriente Médio e da Europa para o Hemisfério Ocidental é consistente com a Estratégia de Segurança Nacional."
O que está por trás da escolha dos quatro países?
Uma guinada declarada. Em 7 de março, Trump lançou a iniciativa "Escudo das Américas", uma coalizão regional de segurança, segundo a UPI. O secretário de Estado, Marco Rubio, visitou Colômbia, Equador e Peru na semana anterior ao aviso ao Congresso, informa o News247Plus, que lembra que cerca de 80% do FMF da última década foi para o Oriente Médio.
O LatinAmerican Post acrescenta dois números que explicam a pressa: o Peru registrou 26.734 casos de extorsão em 2025, contra 2.421 em 2019, e comercializou mais de US$ 50 bilhões com a China no ano passado, contra cerca de US$ 19 bilhões com os EUA. O dinheiro americano, nessa leitura, disputa espaço com Pequim.
| Dado | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Verba redirecionada | US$ 52 milhões | UPI, Washington Post |
| Países que perdem | Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia, Iraque | UPI |
| Países que recebem | Panamá, Peru, Equador, Colômbia | UPI |
| Aviso ao Congresso | 15 de setembro de 2026 | UPI, News247Plus |
| Decisão de ignorar a trava | 30 de setembro de 2026 | Washington Post, via UNN |
| FMF que foi ao Oriente Médio na última década | cerca de 80% | News247Plus |
Nenhuma das fontes que abri publica quanto cada um dos quatro países vai receber.

O que isso diz para o Brasil?
Que o Brasil não está na lista, e isso é um fato, não uma opinião. Colômbia, Equador e Peru receberam Rubio em setembro, o Panamá recebeu Hegseth em 2025, e os quatro aderiram ao desenho de segurança de Washington. O Brasil, no mesmo período, vive o atrito da tarifa de 25% e do Pix, e o produtor brasileiro assistiu ao tapete vermelho para Xi Jinping.
Na minha opinião, a mensagem dessa lista é simples: Washington está pagando para ter aliados militares na vizinhança, e o maior país da região ficou de fora da conta. Se isso é bom ou ruim, cada leitor decide. O número é que não muda.
Perguntas que chegam nos comentários
Quanto dinheiro os EUA redirecionaram para a América Latina?
US$ 52 milhões do programa de Financiamento Militar Estrangeiro (FMF), tirados de Eslováquia, Macedônia do Norte, Tunísia e Iraque e enviados a Panamá, Peru, Equador e Colômbia, segundo a UPI e o Washington Post.
Por que o Congresso diz que é ilegal?
Porque a verba veio de um pacote de 2022 aprovado para países afetados pela guerra na Ucrânia, e a senadora Jeanne Shaheen e o deputado Gregory Meeks tinham colocado uma trava ("hold") sobre o gasto. O governo informou em 30 de setembro que seguiria mesmo assim.
O que o governo Trump diz?
Que a reprogramação é consistente com a Estratégia de Segurança Nacional, que prioriza o hemisfério ocidental, e que o dinheiro vai combater o narcoterrorismo e proteger o Canal do Panamá.
O Brasil recebe parte desse dinheiro?
Não. O Brasil não aparece entre os quatro países beneficiados.







