Um print correu o país nesta quinta-feira, 8 de outubro. Nele, um influenciador de Manaus diz que recebeu uma proposta de R$ 100 mil por vídeo para falar a favor do candidato do PT no segundo turno. Ele diz que recusou.
Eu fui atrás. Esta reportagem separa o que é denúncia do que está confirmado. As duas coisas existem, e não são a mesma.
Fontes: publicação de Will Robson, g1 e GloboNews.
A denúncia: o print de Will Robson
Will Robson é um influenciador de Manaus. Ele publicou imagens de uma conversa que atribui à equipe de comunicação do Partido dos Trabalhadores.
Segundo os prints, a mensagem propõe uma "parceria e publicidade" para o segundo turno: gravar vídeos "de forma autêntica", destacando o candidato do partido ou temas contra o adversário. O valor que aparece é de R$ 100 mil por Reels, para três ou quatro vídeos. À pergunta sobre nota fiscal, a resposta que aparece é que não precisa.
Ele diz que recusou, com esta frase: "Eu não troco o meu voto por dinheiro."
O que joga contra a denúncia
- Ninguém confirmou os prints. Os sites que noticiaram o caso informam que a autenticidade não foi verificada de forma independente.
- O PT não confirmou. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do partido sobre a abordagem ou sobre o valor.
- Não se sabe de onde veio a mensagem. As publicações não mostram o número nem o perfil de quem escreveu.
- O histórico de quem denuncia. Will Robson já foi intimado pela Justiça a remover das redes um conteúdo considerado falso contra um político do Amazonas.
Por enquanto, é a palavra dele. Nenhum dos materiais que eu li mostra pagamento feito a alguém.

Fato 1: a sala de influenciadores no comitê
Isto está confirmado. Em 7 de outubro, o g1 noticiou que a campanha montou uma sala no comitê de Lula, em Brasília, para receber influenciadores de esquerda e jovens recém-eleitos, recrutados para melhorar o desempenho do candidato nas redes.
Entre os nomes estão os deputados eleitos Guilherme Cortez, Ana Júlia Ribeiro e Ana Elisa. O grupo se reuniu com Lula e deve ficar na capital pelo menos até sexta-feira, dia 9. A campanha quer transformar o grupo numa rede permanente, a "Rede para o Futuro", inspirada na Rede da Legalidade de Leonel Brizola.
O próprio Lula deu o motivo: disse que fez uma campanha abaixo da sua capacidade e que esta é a menos organizada de que participou desde 1989.
As reportagens não dizem se os influenciadores são pagos.
Fato 2: as 500 páginas de fã-clubes
Também confirmado. Cerca de 500 páginas de fãs de artistas da música pop, como Taylor Swift, BTS, Harry Styles e The Weeknd, passaram a publicar material da campanha de Lula e a produzir vídeos próprios. Juntas, elas estimam alcançar 20 milhões de seguidores.
Um dos administradores disse que a articulação começou por iniciativa dos próprios fãs, sem convocação da campanha.

Fato 3: Carlinhos Maia e a acusação do Pix
Em 7 de outubro, o influenciador Carlinhos Maia publicou vídeos dizendo que foi beneficiado por políticas dos governos Lula quando era pobre. Um seguidor respondeu acusando-o de ter recebido dinheiro: "Pix já caiu na conta."
Ele negou e disse que ainda não decidiu em quem vota no segundo turno. Não há prova de pagamento.
O que diz a lei
A Lei das Eleições proíbe propaganda eleitoral paga na internet (artigo 57-C). A única exceção é o impulsionamento, quando é contratado pela própria campanha e aparece identificado. Pagar um influenciador para ele postar no perfil dele não entra na exceção.
A multa vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil, ou o dobro do valor gasto, o que for maior. Dinheiro sem nota, em campanha, é ainda mais grave: é gasto fora da prestação de contas.
Se a oferta do print for verdadeira, é caso para a Justiça Eleitoral. Quem divulgou os prints disse que vai encaminhar o material para apuração.

O resumo
| Item | Situação |
|---|---|
| Proposta de R$ 100 mil por Reels | Denúncia, não confirmada |
| Sala de influenciadores no comitê | Confirmada |
| 500 páginas de fã-clubes | Confirmada |
| Pagamento a Carlinhos Maia | Acusação de um seguidor, negada por ele |
| Pagar influenciador por propaganda | Proibido por lei |
A pergunta que fica
Sala, equipe, viagem e produção de vídeo custam dinheiro. Quem paga essa operação? A resposta tem de aparecer na prestação de contas da campanha, que é pública.
Minha opinião: quem está 6 pontos atrás na pesquisa corre para as redes. Quem está na frente mostra o plano.
Do outro lado, um plano escrito
O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas e está registrado no TSE. Eu li inteiro e expliquei capítulo por capítulo, com o PDF oficial no fim. Proposta escrita dá para abrir, conferir e cobrar.

Perguntas que chegam nos comentários
O PT ofereceu R$ 100 mil a um influenciador?
É o que o influenciador Will Robson afirma, com prints. A autenticidade não foi confirmada e o PT não se manifestou.
A campanha de Lula tem uma sala de influenciadores?
Sim. O g1 noticiou em 7 de outubro de 2026 que a campanha montou uma sala no comitê, em Brasília, para influenciadores e jovens eleitos.
É permitido pagar influenciador em campanha?
Não. A Lei 9.504 proíbe propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento contratado e identificado pela própria campanha.
Carlinhos Maia recebeu dinheiro para falar de Lula?
Um seguidor fez a acusação. Ele negou, e não há prova de pagamento.
Onde eu leio o plano de governo de Flávio Bolsonaro?
Na matéria que explica as 76 páginas, com o link do PDF oficial no fim.







