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Notícias / 8 de outubro de 2026

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R$ 100 mil por Reels? A corrida de Lula pelos influenciadores no segundo turno

Um influenciador de Manaus diz que recusou R$ 100 mil para gravar vídeos a favor do PT. Ninguém confirmou os prints. O que está confirmado: uma sala de influenciadores no comitê de Lula e 500 páginas de fã-clubes publicando material da campanha.

Publicado
8 de outubro de 2026
Atualizado
8 de outubro de 2026
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Lula, em junho de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Lula, em junho de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/PR, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Um print correu o país nesta quinta-feira, 8 de outubro. Nele, um influenciador de Manaus diz que recebeu uma proposta de R$ 100 mil por vídeo para falar a favor do candidato do PT no segundo turno. Ele diz que recusou.

Eu fui atrás. Esta reportagem separa o que é denúncia do que está confirmado. As duas coisas existem, e não são a mesma.

R$ 100 milValor por vídeo no printnão confirmado
500Páginas de fã-clubespublicando material da campanha
20 milhõesSeguidores dessas páginasestimativa das próprias páginas

Fontes: publicação de Will Robson, g1 e GloboNews.

A denúncia: o print de Will Robson

Will Robson é um influenciador de Manaus. Ele publicou imagens de uma conversa que atribui à equipe de comunicação do Partido dos Trabalhadores.

Segundo os prints, a mensagem propõe uma "parceria e publicidade" para o segundo turno: gravar vídeos "de forma autêntica", destacando o candidato do partido ou temas contra o adversário. O valor que aparece é de R$ 100 mil por Reels, para três ou quatro vídeos. À pergunta sobre nota fiscal, a resposta que aparece é que não precisa.

Ele diz que recusou, com esta frase: "Eu não troco o meu voto por dinheiro."

O que joga contra a denúncia

  • Ninguém confirmou os prints. Os sites que noticiaram o caso informam que a autenticidade não foi verificada de forma independente.
  • O PT não confirmou. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública do partido sobre a abordagem ou sobre o valor.
  • Não se sabe de onde veio a mensagem. As publicações não mostram o número nem o perfil de quem escreveu.
  • O histórico de quem denuncia. Will Robson já foi intimado pela Justiça a remover das redes um conteúdo considerado falso contra um político do Amazonas.

Por enquanto, é a palavra dele. Nenhum dos materiais que eu li mostra pagamento feito a alguém.

Estúdio de gravação. Imagem ilustrativa. Foto: Myotus, via Wikimedia Commons, CC BY 4.0

Fato 1: a sala de influenciadores no comitê

Isto está confirmado. Em 7 de outubro, o g1 noticiou que a campanha montou uma sala no comitê de Lula, em Brasília, para receber influenciadores de esquerda e jovens recém-eleitos, recrutados para melhorar o desempenho do candidato nas redes.

Entre os nomes estão os deputados eleitos Guilherme Cortez, Ana Júlia Ribeiro e Ana Elisa. O grupo se reuniu com Lula e deve ficar na capital pelo menos até sexta-feira, dia 9. A campanha quer transformar o grupo numa rede permanente, a "Rede para o Futuro", inspirada na Rede da Legalidade de Leonel Brizola.

O próprio Lula deu o motivo: disse que fez uma campanha abaixo da sua capacidade e que esta é a menos organizada de que participou desde 1989.

As reportagens não dizem se os influenciadores são pagos.

Fato 2: as 500 páginas de fã-clubes

Também confirmado. Cerca de 500 páginas de fãs de artistas da música pop, como Taylor Swift, BTS, Harry Styles e The Weeknd, passaram a publicar material da campanha de Lula e a produzir vídeos próprios. Juntas, elas estimam alcançar 20 milhões de seguidores.

Um dos administradores disse que a articulação começou por iniciativa dos próprios fãs, sem convocação da campanha.

Palco de show. Imagem ilustrativa. Foto: Kritzolina, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Fato 3: Carlinhos Maia e a acusação do Pix

Em 7 de outubro, o influenciador Carlinhos Maia publicou vídeos dizendo que foi beneficiado por políticas dos governos Lula quando era pobre. Um seguidor respondeu acusando-o de ter recebido dinheiro: "Pix já caiu na conta."

Ele negou e disse que ainda não decidiu em quem vota no segundo turno. Não há prova de pagamento.

O que diz a lei

A Lei das Eleições proíbe propaganda eleitoral paga na internet (artigo 57-C). A única exceção é o impulsionamento, quando é contratado pela própria campanha e aparece identificado. Pagar um influenciador para ele postar no perfil dele não entra na exceção.

A multa vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil, ou o dobro do valor gasto, o que for maior. Dinheiro sem nota, em campanha, é ainda mais grave: é gasto fora da prestação de contas.

Se a oferta do print for verdadeira, é caso para a Justiça Eleitoral. Quem divulgou os prints disse que vai encaminhar o material para apuração.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Foto: TSE

O resumo

ItemSituação
Proposta de R$ 100 mil por ReelsDenúncia, não confirmada
Sala de influenciadores no comitêConfirmada
500 páginas de fã-clubesConfirmada
Pagamento a Carlinhos MaiaAcusação de um seguidor, negada por ele
Pagar influenciador por propagandaProibido por lei

A pergunta que fica

Sala, equipe, viagem e produção de vídeo custam dinheiro. Quem paga essa operação? A resposta tem de aparecer na prestação de contas da campanha, que é pública.

Minha opinião: quem está 6 pontos atrás na pesquisa corre para as redes. Quem está na frente mostra o plano.

Do outro lado, um plano escrito

O plano de governo de Flávio Bolsonaro tem 76 páginas e está registrado no TSE. Eu li inteiro e expliquei capítulo por capítulo, com o PDF oficial no fim. Proposta escrita dá para abrir, conferir e cobrar.

Capa e páginas do plano de governo de Flávio Bolsonaro, registrado no TSE

Perguntas que chegam nos comentários

O PT ofereceu R$ 100 mil a um influenciador?

É o que o influenciador Will Robson afirma, com prints. A autenticidade não foi confirmada e o PT não se manifestou.

A campanha de Lula tem uma sala de influenciadores?

Sim. O g1 noticiou em 7 de outubro de 2026 que a campanha montou uma sala no comitê, em Brasília, para influenciadores e jovens eleitos.

É permitido pagar influenciador em campanha?

Não. A Lei 9.504 proíbe propaganda eleitoral paga na internet, com exceção do impulsionamento contratado e identificado pela própria campanha.

Carlinhos Maia recebeu dinheiro para falar de Lula?

Um seguidor fez a acusação. Ele negou, e não há prova de pagamento.

Onde eu leio o plano de governo de Flávio Bolsonaro?

Na matéria que explica as 76 páginas, com o link do PDF oficial no fim.

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Fontes desta materia

  1. Portal Dedo Duro, Will Robson relata proposta de R$ 100 mil do PT para conteúdo durante eleições, 8 de outubro de 2026
  2. Cidades na Net, Influenciador amazonense afirma ter recebido proposta de R$ 100 mil do PT
  3. Fato Amazônico, Will Robson é intimado a remover fake news de suas redes sociais
  4. Brasil 247, QG de Lula ganha sala para influenciadores e jovens eleitos atuarem nas redes, 7 de outubro de 2026
  5. NC News, Campanha de Lula monta sala com influenciadores para reforçar estratégia digital no 2º turno
  6. Imirante, Fã-clubes de artistas pop se mobilizam nas redes em apoio a Lula, 8 de outubro de 2026
  7. Hoje em Dia, BTS, Madonna e Beyoncé: páginas de fã-clubes nas redes abrem espaço para campanha de Lula
  8. Correio Braziliense, Sem declarar voto, Carlinhos Maia cita Lula e relembra uso de políticas públicas
  9. BR104, Carlinhos Maia perde a paciência após crítica política
  10. Planalto, Lei 9.504, de 1997, artigo 57-C