Revista De Castro

Notícias / 29 de setembro de 2026

Eu fui checar

O que o papa Leão XIV disse, palavra por palavra, sobre extrema direita e cristianismo

No voo de volta da França, na segunda-feira, 28 de setembro, o papa respondeu a um jornalista alemão sobre o avanço de partidos extremistas na Alemanha. Disse que a mistura dessas posições com um certo tipo de religiosidade não é expressão autêntica do cristianismo, na avaliação dele e dos líderes das igrejas alemãs. Eu fui ler a pergunta, a resposta e o contexto.

Publicado
29 de setembro de 2026
Atualizado
29 de setembro de 2026
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Notícias
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Papa Leão XIV em encontro com a imprensa, em maio de 2025. Edgar Beltrán, The Pillar / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Papa Leão XIV em encontro com a imprensa, em maio de 2025. Edgar Beltrán, The Pillar / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

O papa Leão XIV disse, na segunda-feira, 28 de setembro de 2026, que a combinação de posições de extrema direita com um certo tipo de religiosidade não representa uma expressão autêntica do cristianismo. A frase veio numa resposta sobre a Alemanha, durante a entrevista coletiva no avião que o levava de Metz, na França, de volta a Roma.

A manchete que circulou encurtou a fala. Eu fui ler a pergunta e a resposta inteiras, porque o detalhe muda a leitura.

Quem perguntou, e o quê?

A pergunta foi do jornalista Ludwig Ring-Eifel, da agência católica alemã KNA, segundo a transcrição do Vatican News. Ele lembrou que o papa estava em Metz, muito perto da fronteira alemã, e quis saber quando Leão XIV visitaria a Alemanha. Citou duas preocupações: "o declínio constante da Igreja Católica na Alemanha e o espantoso crescimento de partidos extremistas" (tradução minha).

O papa não falou do Brasil nem de outro país. A resposta foi sobre a Alemanha.

O que ele respondeu?

Primeiro, falou de missão. "Acredito que, se encontrarmos o verdadeiro espírito missionário e a maneira certa de fazer isso, ainda há muitas pessoas na Alemanha que querem viver e celebrar sua fé cristã e católica", disse, segundo o Vatican News (tradução minha).

Depois, tratou do extremismo. Na versão publicada pela Folhapress, disse: "Seria interessante estudar e analisar se existe, e de que maneira poderia existir, uma relação" entre o crescimento desses grupos e a crise nas igrejas.

A frase central, na tradução do Metrópoles, fala de "uma religiosidade que, não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes das Igrejas Católica e Protestante na Alemanha, não representa uma expressão autêntica do cristianismo".

E fechou assim, também segundo o Metrópoles: "Devemos retornar aos valores do Evangelho, que não se baseiam no ódio e na divisão, mas na compreensão, na compaixão e no acompanhamento."

Segundo a America Magazine, ele disse ainda que espera ir à Alemanha, mas lembrou que tem só 15 meses de pontificado.

O papa Leão XIV cumprimenta fiéis em Montserrat, na Espanha, em 10 de junho de 2026

Em que viagem isso aconteceu?

Foi a volta de uma visita oficial de quatro dias à França, a primeira do pontificado, com passagem por Paris, Lourdes e Metz, segundo o Metrópoles e a Revista Fórum. Em Metz, o papa fez um discurso sobre a unidade europeia.

Na mesma coletiva, falou de outros temas. Falou de "guerras que já não fazem sentido" (tradução minha) e pediu que Rússia e Ucrânia sentem para dialogar, segundo o Vatican News. Pela Folhapress, disse: "Devemos nos precaver contra a ilusão de que o rearmamento seja a resposta."

Qual é o contexto na Alemanha?

O principal partido da extrema direita alemã é a AfD (Alternativa para a Alemanha). Segundo a Folhapress, ficou em segundo lugar na eleição federal de 2025, com 20,8% dos votos, venceu em setembro de 2026 a eleição estadual da Saxônia-Anhalt, com cerca de 44%, e é monitorada pela inteligência alemã por suspeita de extremismo.

O que os bispos alemães já tinham dito?

O papa citou os líderes das igrejas alemãs, e eu fui atrás do documento dos católicos. Em 22 de fevereiro de 2024, a Conferência Episcopal Alemã publicou a declaração "Nacionalismo étnico (völkisch) e cristianismo são incompatíveis". O texto cita a AfD pelo nome e afirma que partidos de extrema direita "não podem ser lugar de atividade política para cristãos e não podem ser votados" (tradução minha).

Não localizei o documento equivalente dos líderes protestantes, que o papa também mencionou.

Houve reação?

Até a manhã desta terça, 29, as reportagens que li (CNN Brasil, Metrópoles, Brasil 247, Folhapress e Revista Fórum) não registravam resposta de partidos alemães nem de lideranças religiosas ou políticas brasileiras à fala do papa. Esta nota será atualizada se houver.

Fontes desta materia

  1. Vatican News, Pope: Wars are senseless; Russia and Ukraine should sit down to talk
  2. CNN Brasil, Papa Leão diz que extrema-direita não é expressão autêntica do cristianismo
  3. Metrópoles, Papa Leão XIV diz que extrema direita não representa o cristianismo
  4. A Gazeta (Folhapress), Papa diz que extrema direita não é expressão autêntica do cristianismo
  5. Brasil 247, Papa Leão XIV diz que extrema direita não é expressão autêntica de cristianismo
  6. America Magazine, Pope Leo is not in panic mode about an A.I. catastrophe
  7. Conferência Episcopal Alemã, Racial (völkisch) nationalism and Christianity are incompatible, 22 de fevereiro de 2024
  8. Revista Fórum, Extrema direita não representa o cristianismo, diz papa Leão 14