Revista De Castro

Tecnologia / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

A Meta tirou a câmera dos óculos para acalmar a privacidade. No Brasil, só vende o que filma

No Meta Connect, a empresa lançou o Ray-Ban Meta Audio, sem câmera, depois de anos de queixas sobre gente filmada sem saber. O modelo novo não tem previsão de chegar aqui. O que está à venda no Brasil, por R$ 3.699, é o que grava em 3K. Eu explico a diferença e como perceber quando um óculos está filmando.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Tecnologia
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2 min
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5 citadas
Jeff Sainlar, Meta / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Jeff Sainlar, Meta / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Desde o lançamento, a crítica mais repetida aos óculos inteligentes da Meta foi uma só: qualquer pessoa por perto pode ser filmada sem perceber.

Em 23 de setembro, no Meta Connect, a empresa respondeu do jeito mais direto possível. Tirou a câmera.

O que foi lançado

O produto se chama Ray-Ban Meta Audio. Tem 43 gramas, seis microfones, alto-falantes, assistente de IA, tradução em tempo real e bateria de até 12 horas. Não tem câmera.

Custa US$ 349 e chega às lojas dos Estados Unidos em 13 de outubro, segundo TechTudo, Showmetech e Mobilebit.

A Exame chamou o lançamento de a resposta mais direta que a Meta já deu à crítica que acompanha os óculos desde o começo. O Boa Informação registra que a empresa vinha sendo acusada de vender aparelho de vigilância.

No mesmo evento, a Meta lançou a terceira geração do modelo com câmera: 12 megapixels, vídeo em 3K e bateria de até 9 horas, por US$ 449.

A virada: o Brasil fica com a câmera

Aqui está o detalhe que muda a leitura para o leitor brasileiro.

O Ray-Ban Meta Gen 3, com câmera, já está à venda no Brasil, a partir de R$ 3.699, segundo TechTudo e Showmetech. O Ray-Ban Meta Audio, sem câmera, não tem previsão de lançamento no país.

Ou seja: a versão que a própria Meta criou para responder às queixas de privacidade não está no mercado brasileiro. A que filma está.

As queixas que levaram a isso

O TechTudo lista reações pelo mundo. No Reino Unido, pubs, restaurantes e cinemas passaram a restringir o uso. A MSC, empresa de cruzeiros, proibiu óculos inteligentes a bordo. Na Califórnia, uma ação coletiva acusa a Meta de enganar os usuários sobre proteção de privacidade.

No Brasil, o Idec e a Coding Rights pediram investigação sobre possíveis violações contra mulheres, crianças e adolescentes, também segundo o TechTudo.

Como saber se um óculos está filmando

O modelo com câmera tem um LED na frente que acende quando o aparelho fotografa ou grava, segundo o Showmetech. É esse ponto de luz que você procura.

Três cuidados práticos:

  1. Luz acesa na armação, perto da lente, é sinal de gravação.
  2. Em consultório, vestiário, escola ou reunião, você pode pedir que a pessoa tire o óculos.
  3. Se o estabelecimento é seu, você pode proibir o uso, como fizeram os cruzeiros da MSC e casas no Reino Unido.

A resposta

A Meta admitiu o problema ao lançar um óculos sem câmera. Mas o Brasil ficou com o modelo que grava em 3K e sem data para receber o que não grava. Por enquanto, a proteção aqui é a mesma de antes: olhar para a luz na armação.

Fontes desta materia

  1. Exame, Meta lança óculos sem câmera para afastar desconfiança sobre privacidade
  2. TechTudo, Meta lança óculos inteligente sem câmera e novos Ray-Ban Meta 3
  3. Showmetech, Meta lança Ray-Ban Meta Audio sem câmera e Gen 3 com bateria de 9 horas
  4. Mobilebit, Meta lança Ray-Ban Meta Audio, primeiro óculos inteligente sem câmera da marca
  5. Boa Informação, Meta aposta em óculos inteligentes sem câmera no Connect