A esquerda esperava uma bala de prata contra a direita: o vídeo do Felca, marcado para a meia-noite desta terça-feira, 20 de outubro. Vieram duas. E as duas acertaram ela. Somados, o vídeo do Felca e o do Nikolas Ferreira passaram de 54,8 milhões de visualizações num dia só.
Primeiro, o que você veio buscar pelo código: os dois vídeos, completos, num lugar só.
O vídeo do Felca, à meia-noite
O vídeo do Nikolas, ao meio-dia
Mandar os dois vídeos no WhatsApp →Para a família e para os grupos.
A maldição da expectativa

"A Maldição da Expectativa" é o nome de um livro do pastor Marcelo Almeida. A ideia do livro: quem espera demais dos outros sofre depois. Foi o que aconteceu com a esquerda nesta terça-feira.
No domingo, 18 de outubro, o Felca postou uma tela preta com uma frase só: "eu me escondi por tempo demais", e a data, 20/10, à meia-noite. Não disse o assunto. Teve quem apostasse alto. Uma frase publicada pelo Metrópoles resume a aposta: "Esperava: Felca expondo os Bolsonaros. Recebemos: fobia social." Um leitor escreveu no próprio vídeo: "Eu estava esperando um vídeo destruindo o Flávio Bolsonaro."

O que veio
À meia-noite, saiu 1 hora e 3 minutos sobre o bullying que o Felca sofreu na escola, em Londrina: o dia em que cinco meninos bateram nele no banheiro, a fobia social, o álcool para conseguir sair de casa e as palestras de graça que ele vai dar em escolas. Nenhuma palavra sobre eleição. Às 14h37, pela leitura da revista no próprio YouTube, o vídeo tinha 9 milhões de visualizações e 142 mil comentários.
E aí veio a reação.
0h14: o primeiro xingamento

Catorze minutos depois do vídeo, o youtuber Felipe Neto, que fez campanha para o Lula em 2022, escreveu no X: "Vai tomar no c∗, né. Só isso mesmo. Uma altura dessa. Num f∗de." O post passou de 92 mil curtidas e 1,3 milhão de visualizações. Segundo a Veja SP, ele apagou de manhã. O ator José de Abreu escreveu: "Felca está fazendo bait. Aguardemos."
No Dia Mundial de Combate ao Bullying
O 20 de outubro é lembrado em escolas e campanhas como o Dia Mundial de Combate ao Bullying. Um leitor lembrou isso nos comentários do vídeo. A resposta em destaque foi esta:

"F∗da-se a fobia social de um homem branco privilegiado."
Bullying em quem falou de bullying
Nos comentários, o homem que contou o bullying que sofreu foi chamado de "covarde", "omisso" e "narcisista".

E isso começou antes do vídeo. Às 23h15 de segunda-feira, 45 minutos antes da estreia, um perfil escreveu no X que, se o Felca viesse com "videozinho de assunto aleatório", "a gente derruba a conta dele". Foram 5,4 mil curtidas.

Os títulos da manhã resumiram o clima. Na Veja: o Felca "decepciona eleitores de Lula". Na Crusoé: "Felca frustra lulistas".

Quem atirou
O Felca não atacou ninguém. Falou da própria dor. A bala de prata que acertou a esquerda saiu da própria esquerda.
E eles sabiam. Um perfil de esquerda pediu no X: "não ataquem o Felca. Se a esquerda atacar Felca nas redes quando ele fez um vídeo sobre bullying, o resultado é óbvio: a esquerda se torna a vilã a 5 dias da eleição." O comentário em destaque no próprio vídeo diz: "Eu sou de esquerda e to muito envergonhado de alguns influenciadores de esquerda".


11h59: sem fundo preto

A outra bala veio ao meio-dia. O Nikolas começou o vídeo no fundo preto de sempre, a marca dele desde o vídeo do Pix, de 2025, que passou de 300 milhões de visualizações. Disse "Hoje eu vou falar sobre o Nordeste, mas...", parou no meio da frase e puxou o pano. Atrás, uma casa de tijolo sem reboco, na Bahia. Quem falou foi o Nordeste.

Uma moradora de Mundo Novo começa: "Passei a vida inteira ouvindo Lula dizer que a nossa vida ia mudar. Eu envelheci." E conta: "Realmente nós não temos esgoto." Sobre a picanha prometida pelo Lula, os moradores dizem que até hoje nunca chegou. "Mas só pra aquela mulher dele lá", diz uma aposentada. E o vizinho completa: "A Janja."

O Nordeste segue o mais pobre

Lula nasceu no Nordeste. O PT governou 17 dos últimos 24 anos. E o Nordeste segue o mais pobre: a renda por pessoa na região é de R$ 1.470 por mês, a menor do país, contra R$ 2.264 da média do Brasil (IBGE, 2025). Só 31,7% dos nordestinos têm coleta de esgoto, ou seja, quase 7 em cada 10 vivem sem (SINISA, ano-base 2024, pelo Instituto Trata Brasil).
O Nordeste foi ouvido

O vídeo do Nikolas, medido no próprio post
Meia hora depois de sair, 620 mil pessoas já tinham republicado o vídeo, e centenas de perfis postaram o vídeo de novo nas próprias contas. A história de cada um dos sete nordestinos está na nossa matéria sobre o vídeo, O vídeo de Nikolas sobre o Nordeste.
Dois fundos pretos

Felca mostrou a dor dele. A esquerda respondeu com bullying.
Nikolas mostrou a dor do Nordeste. A esquerda ficou sem resposta.
Perguntas rápidas
O vídeo do Felca falou de política?
Não. O vídeo "fobia social", publicado à meia-noite de 20/10/2026, fala de bullying, fobia social e álcool. Não cita candidato, partido nem eleição.
Por que parte da esquerda reclamou do Felca?
Porque esperava um vídeo contra os Bolsonaro. Frase publicada pelo Metrópoles: "Esperava: Felca expondo os Bolsonaros. Recebemos: fobia social."
O que é o Dia Mundial de Combate ao Bullying?
É o 20 de outubro, data lembrada por escolas e campanhas contra o bullying. No Brasil, a data oficial é 7 de abril, Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola (Lei 13.277/2016).
Quantas visualizações teve o vídeo do Nikolas?
45,8 milhões em menos de 3 horas, com 4,7 milhões de curtidas e 632 mil comentários, no próprio post, às 14h30.
Onde assistir aos dois vídeos?
Nesta página, no começo da matéria: o do Felca pelo YouTube e o do Nikolas completo.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Quem faz bullying em quem fala de bullying mostra como joga. A esquerda esperava uma bala de prata. Levou duas. Uma do Nordeste. A outra, dela mesma.
Marca nos comentários o Nikolas, o Felca e o Flávio Bolsonaro. Eles precisam ver.








