O papa Leão XIV, de 71 anos, rezou o Angelus no domingo, 18 de outubro de 2026, da janela do Palácio Apostólico, um dia depois de sair do Hospital Gemelli, em Roma, onde tirou um câncer do pulmão direito. Agradeceu as orações e disse que vai retomar as atividades "gradualmente".
Segundo a Gendarmaria Vaticana, cerca de 15 mil pessoas estavam na Praça de São Pedro. Foi a primeira fala pública dele desde a cirurgia.
O que o papa disse da janela?
O agradecimento veio depois da oração, na parte dos avisos. "Gostaria de agradecer a todos que rezaram por mim nestes dias. Senti verdadeiramente o apoio de vocês, muito obrigado!", disse, na tradução do Vatican News.
Agradeceu também a quem cuidou dele: "Expresso a minha especial gratidão aos médicos, enfermeiros e a toda a equipe do Hospital Gemelli."
Disse que a experiência o deixou mais perto de quem está doente. No texto oficial em inglês, publicado pela Santa Sé, a frase fala de "um profundo sentimento de proximidade" com todos que passam por doença ou fragilidade (tradução minha).
E deu o recado sobre a agenda: "retomarei gradualmente as minhas atividades, sempre com a ajuda de Deus e de suas orações".
Qual foi o Evangelho do dia?
Mateus 22,15-21, o trecho do "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
O papa explicou o contexto. Os fariseus perguntaram a Jesus se era lícito pagar imposto ao imperador romano. Se dissesse sim, ficava mal com o povo. Se dissesse não, virava rebelde contra Roma. "A resposta do Mestre é astuta, pois mantém-no fora da armadilha e desmascara a hipocrisia daqueles que querem fazê-lo cair", disse Leão XIV.
Para ele, o Reino de Deus pede "que vivamos sem concessões, livres de más ambições e de interesses injustos". E fechou com o retrato de quem dá a cada um o que é seu: "ser verdadeiro, sem subserviência nem hipocrisia, livre para o bem".
Como foi a cirurgia?
A história começou no Angelus anterior, em 11 de outubro. No fim da oração, o papa contou que os médicos tinham achado "um nódulo circunscrito no pulmão", identificado "numa fase muito inicial e bem localizado", e que tinha decidido operar (tradução minha do italiano, Vatican News).
A operação foi na terça, 13 de outubro, no Policlinico Gemelli. A equipe do professor Stefano Margaritora, chefe da cirurgia torácica do hospital, retirou o lobo inferior do pulmão direito por técnica videoassistida, com pequenos cortes e uma câmera. A NPR informou que levou cerca de 90 minutos.
Um exame feito durante a própria cirurgia confirmou o diagnóstico: adenocarcinoma de pulmão, o tipo mais comum de câncer de pulmão. O boletim médico, assinado por Margaritora e pelo médico Luigi Carbone, registrou que não houve complicações.
Quanto tempo ele ficou no hospital?
Cinco dias. A previsão inicial, dada pelo porta-voz Matteo Bruni, era de cerca de uma semana.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 11 de outubro | Anuncia o nódulo no Angelus |
| 13 de outubro | Cirurgia e diagnóstico de adenocarcinoma |
| 16 de outubro | Celebra missa numa capela improvisada no hospital |
| 17 de outubro | Alta, por volta das 15h30 |
| 18 de outubro | Angelus para 15 mil pessoas |
| 6 a 17 de novembro | Viagem a Uruguai, Argentina e Peru, mantida |
Por que o cirurgião o chamou de "paciente ideal"?
Margaritora deu entrevista à mídia vaticana no dia da alta. "O papa Leão foi um paciente ideal", disse, segundo o texto publicado pelo próprio Gemelli (tradução minha do italiano).
Ele contou como o tumor foi achado: por acaso, num exame de imagem do abdome que pegou também a base dos pulmões. Segundo o cirurgião, esse tipo de tumor, "sobretudo nas fases iniciais, não dá sintomas".
A Aleteia registrou a cena que a equipe guardou: no segundo dia depois da operação, os médicos encontraram o papa arrumando as cadeiras da capela do hospital.
Sobre a viagem de novembro, Margaritora foi direto: "Eu diria que não há motivos clínicos para que essa viagem não seja feita." Disse que a recuperação física completa leva "umas duas semanas" e que o papa deve estar "plenamente recuperado" em mais uns dez dias.
Quem é o irmão que pediu orações?
Louis Prevost, de 75 anos, irmão mais velho do papa. Ele também enfrenta um câncer: mieloma múltiplo, que ataca células do sangue, diagnosticado em 2017. Estava internado num hospital da Flórida quando deu entrevista à OSV News, publicada em 17 de outubro.
O pedido dele é pelo irmão. "Sempre peço às pessoas: continuem rezando pelo meu irmão, para que ele se recupere completamente", disse (tradução minha). Louis contou que se apoia na fé e pede a intercessão de São Carlo Acutis, o santo da internet, e do arcebispo Fulton Sheen.
O que ainda não se sabe?
- O estágio do câncer. "Fase muito inicial" é a descrição do próprio papa antes da cirurgia. Nenhum estadiamento oficial foi publicado.
- Os linfonodos. O Vaticano não informou se havia sinal da doença nos gânglios.
- O perfil genético do tumor, que orienta o tratamento.
- Se haverá tratamento depois da cirurgia, como quimioterapia ou imunoterapia. Nada foi anunciado.
Como o papa está agora?
Em casa, no Vaticano, e de pé na janela, com a viagem de novembro mantida. Falta o resultado final do tecido retirado, e é ele que vai dizer se a história termina na cirurgia.
Perguntas que chegam nos comentários
Qual câncer o papa Leão XIV tem?
Adenocarcinoma de pulmão, o tipo mais comum de câncer de pulmão. O tumor estava no lobo inferior do pulmão direito, retirado inteiro em 13 de outubro de 2026.
O papa Leão XIV vai precisar de quimioterapia?
Não se sabe. O Vaticano não anunciou nenhum tratamento depois da cirurgia, e o resultado completo do tecido retirado ainda não foi divulgado.
Quando o papa teve alta?
No sábado, 17 de outubro de 2026, por volta das 15h30, depois de cinco dias no Hospital Gemelli, em Roma.
A viagem do papa à Argentina, ao Uruguai e ao Peru está mantida?
Sim, até agora. É de 6 a 17 de novembro, e o cirurgião Stefano Margaritora disse que não há motivo clínico para cancelar.
Quantos anos tem o papa Leão XIV?
71 anos. O irmão mais velho, Louis Prevost, tem 75 e trata um mieloma múltiplo na Flórida.







