Esta matéria fala de bullying, álcool e pensamento suicida. Se você está passando por um momento difícil, ligue 188: o CVV, Centro de Valorização da Vida, atende de graça, 24 horas, em todo o Brasil. Também dá para conversar pelo chat em cvv.org.br.
Ontem, nos comentários da Revista De Castro, muita gente apostou que o vídeo do Felca seria "a bala de prata do PT". À meia-noite desta terça-feira, 20 de outubro, ele saiu. São 1 hora e 3 minutos, e o nome é "fobia social". Não há uma palavra sobre Lula, Flávio ou eleição. O jogo que o Felca quer virar é outro: o do bullying.
Primeiro, o que você veio buscar pelo código: o vídeo inteiro.
Assistir ao vídeo do Felca no YouTube →O próprio Felca avisa na descrição que o vídeo trata de temas sensíveis.
O vídeo em números
O menino invisível

Felipe, o Felca, começa mostrando o laudo: "Eu tenho fobia social." Diz que é o vídeo mais sincero e mais difícil que já fez.
Ele conta que o bullying começou aos 12 anos, com xingamentos, e virou agressão. Um dia, numa aula de inglês, a professora obrigou todos a responder. Ele criou coragem e disse: "Mel". Uma colega riu: "Eu nunca tinha ouvido a voz do Felipe." Ali ele entendeu: "Eu sou invisível."
O banheiro, os adesivos e a lista

Num dia, cinco meninos maiores bateram nele no banheiro da escola, "não até eu cansar, mas até eles cansarem". Quando o sinal tocou, eles voltaram para a sala. Ele ficou trancado na cabine, chorando.
Em outro dia, a menina de quem ele gostava fez carinho nas costas dele a aula inteira. Não era carinho: ela colava adesivos. No intervalo, ela e o menino mais forte da sala levantaram o Felca pelos braços e passaram com ele pela escola, gritando "Quem quer comprar adesivo?". Ele perdeu as aulas seguintes no banheiro, tirando adesivo sozinho.
Depois, um colega mostrou uma lista: "pessoas mais zoadas do colégio". O nome dele estava em primeiro. Foram 8 anos assim. E a escola, conta ele, fazia palestras dizendo ser a que menos tinha bullying em Londrina.
O fundo do poço

Quando saiu da escola, ele disse aos pais que não conseguiria enfrentar mais uma sala de aula. Ficou em casa: "Tudo que eu vejo é teto, chão e parede."
Para conseguir sair, começou a beber. Levava um cantil de vodca em todo programa. Num dia de gravação, bebeu desde cedo, desmaiou em casa e quebrou duas costelas. Ele conta que passou dois meses tomando morfina e que foi ali que jurou parar de beber.
O Felca também fala, sem detalhes, do pior pensamento que teve aos 14 anos: desistir de viver. E deixa um recado para quem passa por isso hoje: esse pensamento "mente", porque não mostra quem você vai ser quando vencer a dor. Se for o seu caso, ligue 188.
A virada

A virada veio por amor. O irmão mais velho sentiu uma dor forte e pediu: "Eu preciso que você dirija até o hospital." Fazia meses que o Felca não saía de casa. Ele foi, gaguejou na recepção, passou mal e também precisou ser atendido. E decidiu: quem ele ama nunca mais vai ficar sem poder contar com ele.
Ele conta a história de Viktor Frankl, o psiquiatra que sobreviveu a Auschwitz e escreveu "Em Busca de Sentido": "O pior sofrimento é aquele que não tem propósito." E resume o que aprendeu: "O medo aponta para onde eu devo ir. É uma bússola."
Mesmo hoje, mostra ele no vídeo, o coração chega a 138, 140, 150 batimentos por minuto quando está perto de gente. E mesmo assim ele sobe num palco, diante de centenas de pessoas: "Eu tô com medo para caramba, mas eu tô aqui."
O que ele vai fazer agora

O Felca lança o desafio #simfel: três meses dizendo "sim" para tudo que for chance de sair de casa e conhecer gente, e mostrando tudo nos stories. Também anuncia a volta do programa Sofá do Felca.
E promete palestras de graça em escolas sobre bullying, contando o que viveu. Segundo ele, não vai cobrar nada nem das escolas nem do governo. O pedido de palestra vai pelo e-mail que ele publicou na descrição do vídeo: palestrasbullying@felcastudios.com.
Guia para os pais: os sinais e o que fazer
No vídeo, o Felca faz um apelo aos pais: quando o filho sofre bullying, "ele só tem você". Com ironia, ele lista o que não fazer, como dizer "engole o choro" ou comparar a criança com o primo "mais solto".
Sinais de que a criança pode estar sofrendo bullying (StopBullying.gov)
O que fazer, segundo o próprio Felca: ouvir, acreditar e proteger. Converse com calma, anote o que aconteceu e procure a escola. Pela Lei 13.185, de 2015, a escola tem o dever de prevenir e combater o bullying. E desde a Lei 14.811, de janeiro de 2024, o bullying é crime no Código Penal (artigo 146-A): a pena é multa, e o cyberbullying dá de 2 a 4 anos de reclusão.
Perguntas rápidas
O vídeo novo do Felca é sobre política?
Não. O vídeo "fobia social", publicado à meia-noite de 20/10/2026, fala de bullying, fobia social e álcool. Não cita candidato, partido nem eleição.
Quanto tempo tem o vídeo?
1 hora e 3 minutos, no canal do Felca no YouTube.
O que é o desafio #simfel?
Três meses dizendo "sim" para tudo que for chance de sair de casa e conhecer gente, mostrando nos stories. O Felca vai repostar quem participar.
Como uma escola pede a palestra grátis do Felca?
Pelo e-mail palestrasbullying@felcastudios.com, publicado na descrição do vídeo.
Bullying é crime no Brasil?
Sim. Desde a Lei 14.811, de janeiro de 2024, o artigo 146-A do Código Penal pune o bullying com multa e o cyberbullying com 2 a 4 anos de reclusão.
Onde pedir ajuda?
No CVV, pelo telefone 188 ou pelo chat em cvv.org.br, de graça e 24 horas.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Ontem eu disse que um vídeo não deve mudar o seu voto. O do Felca não pediu voto. Você pode não gostar dele, pode discordar dele em muita coisa. Mas essa história é a de milhões de crianças que comem sozinhas no intervalo. O jogo que ele quer virar é esse, e nesse eu torço para ele ganhar.
Ninguém ouvia a voz do Felipe. Hoje o Brasil ouve. Manda esta matéria para quem já sofreu bullying.









