Juliana Rangel Aragão, 49 anos, filha mais velha de Renato Aragão, cobra do pai R$ 872.485,58 na 43ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Ela diz que emprestou a ele R$ 950 mil em dezembro de 2018. A equipe do humorista, que fez 91 anos em janeiro, nega que ele tenha ficado com o dinheiro. O juiz marcou uma audiência de conciliação para 26 de outubro, às 13h.
É a primeira vez que os dois podem ficar frente a frente desde que a briga chegou ao tribunal, em setembro de 2025. Ou quase: Juliana pediu para participar por vídeo.
O que Juliana diz
A versão dela está na petição e foi publicada primeiro pelo site Notícias da TV, em novembro de 2025, e depois pela coluna de Fábia Oliveira, no Metrópoles.
Juliana é filha de Renato com Martha Maria Rangel Aragão, a primeira mulher do humorista, que morreu em 2014, de câncer. Da mãe ela herdou um imóvel. Diz que vendeu esse imóvel e que o dinheiro, R$ 950 mil, foi entregue em espécie ao pai, em dezembro de 2018, como empréstimo. A devolução, segundo ela, deveria acontecer até 31 de dezembro de 2023.
Não aconteceu, diz a ação. Juliana afirma ter recebido de volta cerca de R$ 77 mil. O resto, corrigido, dá os R$ 872.485,58 que ela cobra. Pede juros, correção e 20% de honorários para os advogados.
Ela conta também que quem controlava esses pagamentos era a madrasta, Lilian Aragão, e que Lilian passou a pedir que ela assinasse recibos de quitação parcial, com o argumento de que o casal pagava despesas dela, porque Juliana morava na casa do pai. Juliana admite que não guardou todos os comprovantes da época. Diz que não tinha controle direto sobre o próprio dinheiro.
Segundo a ação, ela só foi à Justiça depois de tentar receber sem processo e não conseguir.
O que Renato Aragão diz
A resposta veio por nota da equipe dele, enviada ao Notícias da TV e à coluna de Fábia Oliveira em novembro de 2025. A nota não fala em empréstimo. Conta outra história: o dinheiro seria da própria Juliana, administrado pelo pai.
"Há mais de uma década, e sempre com o apoio de orientação jurídica, ficou acordado que uma parte dos recursos herdados por Juliana da herança de sua mãe fosse administrada pelo pai, processo conduzido seguindo as orientações do advogado da própria Juliana", diz a nota. A intenção, segundo o texto, era "garantir que seu patrimônio estivesse protegido e bem-organizado".
Segundo a nota, as "movimentações extraordinárias" com esse dinheiro "eram registradas por escrito", para que Juliana soubesse o que tinha sido usado e o que continuava reservado para ela. E fecha com a frase que virou manchete: "Renato Aragão não precisa nem nunca precisou dos recursos de Juliana e que isso nunca foi incorporado ao patrimônio dele nem de sua esposa".
O texto conta ainda a versão da família para o rompimento. Diz que em 2025 Juliana saiu de casa sem avisar para onde ia e parou de falar com a família, e que desde então as tentativas de aproximação não deram certo. Diz também que o que chegou foram notificações da Justiça e, nas palavras da própria nota, "e-mails com teor de chantagem". A equipe de Renato fala em "interferência de terceiros" no processo e termina assim: "A família segue aberta ao entendimento".
A palavra chantagem é da nota de Renato Aragão. Não há, nas reportagens que li, nenhuma decisão, queixa ou investigação sobre isso.
O que já está no processo
A ação tramita na 43ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, com o juiz Carlos Sérgio dos Santos Saraiva, segundo o Metrópoles. Não encontrei o número do processo publicado em nenhuma das reportagens.
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| Dezembro de 2018 | Entrega dos R$ 950 mil, segundo Juliana |
| 31/12/2023 | Prazo de devolução, segundo a ação |
| Setembro de 2025 | Juliana entra com a ação de cobrança |
| 16/11/2025 | O caso vem a público; a defesa diz ainda não saber da ação |
| 18 a 20/11/2025 | Equipe de Renato divulga a nota |
| 06/03/2026 | Juliana pede testemunhas e o depoimento pessoal do pai |
| 15/09/2026 | Juiz marca a audiência de conciliação |
| 23/09/2026 | Juliana pede para participar por videoconferência |
| 26/10/2026, 13h | Audiência marcada, presencial, no Rio |
No despacho de 15 de setembro, o juiz mandou citar Renato e o intimou a comparecer com advogado. Se não houver acordo, ou se um dos dois faltar, ele tem 15 dias para apresentar a defesa por escrito. A contestação, que é a defesa formal, só vem depois da audiência.
O pedido de audiência por vídeo ainda não tinha resposta até esta terça. Juliana mora hoje em Santa Catarina e trabalha como motorista de aplicativo. Disse ao juiz que a viagem dela e dos advogados até o fórum do Rio sairia cara demais.

A briga não começou agora
Em abril de 2025, antes de qualquer processo, o nome de Juliana já tinha aparecido nas redes, quando o diretor Rafael Spaca disse num podcast que ela dirigia por aplicativo e passava por dificuldade financeira. Renato respondeu ao F5, da Folha de S.Paulo: "Ela é minha filha tanto quanto o Paulinho, o Ricardo, o Renato Jr. e a Lívian Aragão". Sobre dinheiro, disse: "Toda vez que ela precisou, ela teve". Sobre a profissão da filha: "Não achei nada de mais".
Sete meses depois, a filha estava cobrando o pai na Justiça.
O que joga contra, e entra
"O Didi precisaria do dinheiro da filha?" A nota diz que não. A casa dele no Recreio dos Bandeirantes está à venda desde 2023, avaliada entre R$ 16 milhões e R$ 18 milhões, segundo o Estado de Minas. O mesmo jornal registra uma dívida de IPTU de R$ 676 mil sobre o imóvel, cobrada pela prefeitura do Rio desde dezembro de 2025. Uma coisa não prova a outra. Ter patrimônio não responde se o dinheiro de Juliana foi devolvido.
"Por que ela não tem todos os recibos?" Ela mesma admite a falta, e diz que não controlava as próprias contas. Esse é o ponto fraco da versão dela, e a defesa vai explorar.
"E os recibos que ela assinou?" Juliana diz que assinou quitações parciais a pedido da madrasta. A família diz que as despesas eram registradas por escrito. Os papéis, se existirem, vão aparecer no processo.
"Então quem está mentindo?" Ninguém decidiu isso ainda. Não há sentença, nem defesa escrita nos autos. Há duas versões, e nenhuma delas foi julgada.
A resposta
Juliana diz que emprestou R$ 950 mil ao pai e recebeu R$ 77 mil de volta. A equipe de Renato Aragão diz que o dinheiro nunca foi dele, só guardado para ela. Quem vai dizer qual das duas coisas aconteceu é a 43ª Vara Cível do Rio. Antes disso, a lei manda tentar o acordo, e a data é 26 de outubro. A própria nota da família termina dizendo que segue "aberta ao entendimento". A audiência é o lugar de mostrar isso.
Perguntas que chegam nos comentários
Quanto a filha de Renato Aragão cobra dele?
R$ 872.485,58. É o que sobra, com correção, de um empréstimo de R$ 950 mil que Juliana Rangel Aragão diz ter feito ao pai em dezembro de 2018, descontados cerca de R$ 77 mil que ela diz ter recebido.
De onde veio o dinheiro?
Segundo Juliana, da venda de um imóvel que ela herdou da mãe, Martha Maria Rangel Aragão, primeira mulher de Renato, que morreu em 2014.
O que Renato Aragão diz?
Em nota de novembro de 2025, a equipe dele disse que parte da herança de Juliana era administrada pelo pai, por acordo feito há mais de dez anos, e que ele "nunca precisou" dos recursos da filha.
Quando é a audiência?
Em 26 de outubro de 2026, às 13h, na 43ª Vara Cível do Rio de Janeiro. Juliana pediu para participar por videoconferência. Até 29 de setembro, o pedido não tinha sido decidido.
Renato Aragão já foi condenado?
Não. O processo está na fase de conciliação. Se não houver acordo, ele terá 15 dias para apresentar a defesa.








