Duas notícias sobre a conta de luz saíram na mesma sexta-feira, 25 de setembro, e parecem se contradizer.
A Aneel anunciou bandeira verde para outubro: nenhuma cobrança extra no boleto (O Tempo). E o IBGE divulgou que a energia elétrica residencial subiu 7,42% em setembro, o maior impacto individual na prévia da inflação (Agência Brasil).
As duas estão certas. Elas falam de coisas diferentes.
A bandeira
Desde maio, vigorava a bandeira amarela. Foram cinco meses, de maio a setembro, com cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh (Revista Oeste). Em outubro, esse valor sai da conta.
A Aneel atribuiu a mudança à transição entre o período seco e o chuvoso nas principais bacias e ao aumento das chuvas no Sul e no Sudeste, que estabilizou os reservatórios das hidrelétricas (Investidor10). Com mais água, dá para ligar menos termelétricas, que custam mais caro (O Tempo).
A régua completa das bandeiras, por 100 kWh (Revista Oeste):
| Bandeira | Cobrança extra |
|---|---|
| Verde | zero |
| Amarela | R$ 1,885 |
| Vermelha 1 | R$ 4,463 |
| Vermelha 2 | R$ 7,877 |
Eu fiz a conta para uma casa que gasta 200 kWh por mês: a bandeira amarela custava R$ 3,77, antes dos impostos. É isso que some em outubro.
O salto de setembro
Os 7,42% vieram de outro lugar. Em agosto, as contas tiveram o bônus de Itaipu, um desconto creditado com o excedente da hidrelétrica. A energia caiu 6,25% naquele mês. Em setembro o bônus acabou, e a conta voltou ao normal (Agência Brasil e Poder360).
Sozinha, a energia puxou 0,29 ponto percentual do índice (Poder360). O economista Roberto Luis Troster calculou que, sem a energia, a prévia de setembro seria de 0,41%, e não de 0,70% (Agência Brasil).
O que a inflação mostrou
O IPCA-15 de setembro subiu 0,70%, acima da mediana de 0,53% esperada pelo mercado (InfoMoney). Em 12 meses, chegou a 4,47%. O teto da meta é 4,5% (Agência Brasil).
Outros vilões do mês: tomate (+20,76%), passagem aérea (+9,82%) e cigarro (+14%). O feijão caiu 6,33% (InfoMoney e Poder360).
O que joga contra, e entra
"Então a conta vai cair em outubro." Cai o valor da bandeira. A tarifa de cada distribuidora e os impostos continuam. E o bônus de Itaipu não volta.
"A inflação estourou a meta." Não estourou. 4,47% está dentro do intervalo, a 0,03 ponto do teto.
A resposta
A luz fica verde em outubro e tira cerca de R$ 1,89 a cada 100 kWh da sua conta. O susto de setembro veio do fim do desconto de Itaipu, que baixou a conta de agosto. São duas contas diferentes, publicadas no mesmo dia.







