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Eu fui checar

13 fake news do Lula: o que ele disse, a verdade e quem desmentiu

A campanha do Lula fala em fake news o tempo todo. No fim desta página, o kit de resposta em PDF para mandar no grupo da família. Eu fui atrás das fake news da própria campanha e do governo dele, em 2022, nos quatro anos de mandato e agora no segundo turno. Peguei as 13 mais famosas, cada uma com a prova: o que foi dito, a verdade e quem desmentiu. Oito delas o próprio TSE mandou tirar do ar. As outras cinco têm carimbo de falso da Lupa, do Aos Fatos ou do Estadão Verifica.

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12 de outubro de 2026
Atualizado
12 de outubro de 2026
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Lula em São Paulo, 4 de outubro de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Lula em São Paulo, 4 de outubro de 2026. Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A campanha do Lula fala em fake news o tempo todo. Eu fui atrás das fake news da própria campanha e do governo dele, em 2022, nos quatro anos de mandato e agora no segundo turno. Peguei as 13 mais famosas. Cada uma vem com o que foi dito, a verdade e quem desmentiu. Oito delas o próprio TSE mandou tirar do ar. As outras cinco têm carimbo de falso de agência de checagem.

13Fake newscom a prova de cada uma
8Tiradas do arpelo próprio TSE, cinco em 2026 e três em 2022
24 vezesA mesma frase falsasobre a fome, só em 2024

Fontes: TSE, Aos Fatos, Agência Lupa e Estadão Verifica.

As cinco de 2026 que o TSE tirou do ar

1. "Se Flávio vence, você perde." O vídeo saiu no perfil oficial do Lula em 6 de outubro. Dizia que, com o Flávio, o eleitor perde o remédio gratuito, a aposentadoria, o salário mínimo e a casa própria, e que o corte de gastos iria no Pé-de-Meia, na Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, na merenda e no Gás do Povo. Em 8 de outubro, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou apagar em 3 horas. Na decisão, escreveu que o plano de governo do Flávio, registrado no TSE, "contém compromisso expresso de manutenção dos programas sociais existentes" e chamou a peça de "meras conjecturas". Multa de R$ 10 mil por republicação.

2. O vídeo da Janja. Em 6 de outubro, a primeira-dama publicou um vídeo dizendo que o Flávio "quer que você trabalhe sete dias por semana", que a Farmácia Popular acaba e que o crime organizado "vai dominar o Brasil". Em 8 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou apagar em 24 horas. Para ele, o vídeo apresentou essas coisas "como fatos certos e sem lastro mínimo". A escala 6x1 não aparece no plano do Flávio, nem para manter nem para acabar, e a frase "sete dias" não existe nas 76 páginas.

3. As "três bombas" de Janones e Lindbergh. Os deputados André Janones e Lindbergh Farias gravaram um vídeo em frente ao Ministério da Fazenda dizendo que o Flávio vai elevar a aposentadoria para 70 anos, desvincular a aposentadoria do salário mínimo, criar jornada de 12 horas e privatizar a Petrobras. Nada disso está no plano registrado. Em 8 de outubro, Mendonça mandou apagar em 3 horas: as afirmações "não encontram respaldo concreto". O vídeo tinha 6,8 milhões de visualizações.

4. A "dupla dos escândalos". No primeiro dia do horário eleitoral do segundo turno, 10 de outubro, a propaganda do Lula chamou Flávio e o vice Alfredo Gaspar de "dupla dos escândalos" e disse que o Gaspar era investigado por um crime grave. A peça escondeu que o Supremo tinha arquivado o caso quatro dias antes, em 6 de outubro, a pedido da Procuradoria-Geral da República. No mesmo dia, Kassio Nunes Marques suspendeu a peça: "imputações criminais desprovidas de lastro mínimo".

5. O "currículo do Flávio". Em 29 de agosto, primeiro dia de propaganda na TV, a campanha do Lula exibiu um "currículo" do Flávio com acusações antigas, sem contar que a denúncia citada tinha sido anulada pela Justiça. No dia seguinte, a ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu a peça. Escreveu que ela "extrapola os limites da crítica política admissível", com "grave descontextualização" capaz de "induzir o eleitor em erro".

Sede do TSE, em Brasília. Foto: via Wikimedia Commons

As duas de 2026 com carimbo de falso

6. "O Bolsonaro criou 2 milhões de empregos." O Lula disse isso no lançamento da campanha, em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto. A Agência Lupa carimbou: falso. Dois milhões é só o saldo de 2022. Entre 2020 e 2022, o Caged registrou 4,6 milhões de vagas com carteira assinada.

7. "Herdei um déficit de 2,8%." Foi na entrevista ao Jornal Nacional, em 27 de agosto. O Estadão Verifica carimbou: falso. O governo central fechou 2022 com superávit primário de cerca de 0,6% do PIB. Na mesma entrevista, ele disse ser o único presidente do G20 com superávit, e o Estadão classificou como enganoso: a Argentina também teve.

As três de 2022 que o TSE tirou do ar

8. O "canibalismo". Em 7 e 8 de outubro de 2022, a propaganda do PT usou um trecho de uma entrevista do Bolsonaro de 2016, cortado, para dizer que ele comeria carne humana. O ministro Paulo de Tarso Sanseverino suspendeu a peça por "grave descontextualização": a entrevista contava uma experiência numa comunidade indígena, e "há alteração sensível do sentido original". Em 13 de outubro, o plenário do TSE confirmou por unanimidade. O coordenador da campanha, Edinho Silva, resumiu: "Reagimos."

9. O "pintou um clima". A campanha do Lula editou o trecho em que o Bolsonaro falava de adolescentes venezuelanas para sugerir crime sexual. Em 16 de outubro de 2022, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, mandou seis plataformas apagar o conteúdo e proibiu a campanha de repetir, com multa de R$ 100 mil por dia. Nas palavras dele: "fato sabidamente inverídico, com grave descontextualização e aparente finalidade de vincular a figura do candidato ao cometimento de crime sexual".

10. A agência de checagem falsa. A campanha do Lula criou o site "Verdade na Rede", que se apresentava como uma agência independente contra fake news. Misturava "notícias" com propaganda e levava o leitor para grupos de WhatsApp e Telegram. A ministra Maria Claudia Bucchianeri entrou num dos grupos com dados fictícios para conferir. Na liminar, escreveu: "O usuário é induzido a acreditar que se trata de site independente para checagem de notícias." Em 27 de setembro de 2022, o plenário confirmou a remoção por unanimidade e chamou o uso do site de "dissimulado".

Jair Bolsonaro, retrato oficial de 2019. Foto: Alan Santos/PR, via Wikimedia Commons, CC BY 2.0

As três mais famosas

11. "Acabamos com a fome em 2014. Quando voltei, tinha 33 milhões passando fome." O Aos Fatos contou: o Lula repetiu isso ao menos 24 vezes em 2024 e classificou como falso. Os dois números vêm de contas diferentes. O "fim da fome" de 2014 é a saída do Mapa da Fome da ONU, que mede uma coisa. Os 33 milhões são de uma pesquisa da Rede Penssan, que mede outra. Pelo IBGE, que usa a mesma régua nos dois anos, eram 7,2 milhões em 2013 e 33 milhões em 2022. Nunca foi zero.

12. "90% dos evangélicos ganham benefícios do governo." O Lula disse isso em 7 de fevereiro de 2026, na festa de 46 anos do PT, em Salvador, pedindo à militância que fosse "conversar" com os evangélicos: "Nós não podemos esperar que eles falem bem de nós." O Boatos.org checou em 18 de fevereiro e carimbou: fake news. Nenhum cadastro de benefício do governo registra religião, então o número não existe em fonte oficial. Pelo Censo de 2022, o Brasil tem 47,4 milhões de evangélicos; 90% seriam 42,6 milhões de pessoas. Pelo Datafolha, metade dos evangélicos tem renda acima do que a maioria dos programas exige. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) levou a fala à Procuradoria-Geral da República: "Fé não se compra. Consciência não se aluga."

13. "O Bolsonaro disse: tenho que mentir." No Flow Podcast, em outubro de 2022, o Lula afirmou que o Bolsonaro tinha dito "tenho que mentir, preciso mentir". O Aos Fatos foi ao vídeo original: o Bolsonaro contou que o aconselharam a mentir ("você tem que mentir, cara") e que ele não seguiu o conselho. O Lula inverteu o sentido da fala do adversário.

Lula no debate da Band, 16 de outubro de 2022. Foto: Ricardo Stuckert/Lula Oficial, via Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Mais seis que ficaram de fora do carrossel

Não cabiam 20 páginas. Ficam aqui, com a prova:

  • "Nós criamos o Pé-de-Meia." Repetido 22 vezes em 2024. O projeto é da deputada Tabata Amaral, de 2021; o governo sancionou. (Aos Fatos)
  • "Herdei o país com 14 mil obras paralisadas." Repetido 21 vezes em 2023. O TCU contou 8.674 obras paradas no fim de 2022. Os 14 mil são um dado de 2018. (Aos Fatos)
  • "Nós criamos o Fies." Dito no Flow, em 2022. O Fies foi criado em 1999, no governo Fernando Henrique. (Aos Fatos)
  • "O menor desmatamento da Amazônia foi no meu governo." Dito no debate da Band, em 2022. O menor foi em 2012, no governo Dilma. (Lupa)
  • "Sou o único presidente sem diploma universitário." Repetido 17 vezes em 2024. Café Filho, presidente de 1954 a 1955, também não concluiu o curso superior. (Aos Fatos)
  • "Peguei inflação de 80% ao mês quando trabalhava na Villares." Dito em março de 2025. Entre 1966 e 1972, a inflação mensal ficou entre 0,71% e 7,67%. Os 80% ao mês só aconteceram em março de 1990. (Aos Fatos)

Como eu conferi

Nenhum item desta lista é checagem minha. Todos têm um terceiro por trás: uma decisão do TSE, com nome do ministro e data, ou uma checagem publicada por Aos Fatos, Agência Lupa ou Estadão Verifica. As decisões do TSE de 2026 são liminares: valem já, mas ainda vão ao plenário. Onde a frase do adversário existia e foi cortada, como no canibalismo e no "pintou um clima", eu escrevi "descontextualização", que foi a palavra do tribunal.

Como conversar com quem acredita nelas

A campanha do Lula tem uma cartilha que ensina a militância a perguntar em vez de acusar, para a pessoa "chegar sozinha à conclusão". Eu li a cartilha. A técnica funciona. Então use a técnica deles, com a verdade:

  1. Não briga. Quem grita perde a conversa.
  2. Pergunta primeiro. "Você viu que o TSE mandou apagar esse vídeo?" Deixa a pessoa responder.
  3. Mostra a prova, não a opinião. Nome do ministro, data, agência. Manda a página do kit, não print de blogueiro.
  4. Um fato por vez. Quem manda 13 de uma vez não convence ninguém.
  5. Aponta o que a pessoa quer. Aposentadoria, Bolsa Família, remédio: está tudo mantido no plano do Flávio, e o ministro do TSE escreveu isso na decisão.
  6. Não precisa converter hoje. Planta a dúvida e deixa o link: se a campanha mentiu nisso, no que mais mentiu?

Baixe o kit de resposta em PDF

Eu transformei as 13 em um kit para mandar no grupo da família, da igreja e do trabalho: o kit de resposta em PDF tem 16 páginas, uma para cada fake news, com o que eles dizem, a verdade, a prova e a resposta pronta em duas linhas. É grátis. Baixa, manda e planta a dúvida.

A capa do kit de resposta em PDF

Minha opinião

Quem montou uma agência de checagem falsa não pode falar em fake news. Quem tem proposta não precisa de mentira. E a gente, que é de direita, precisa parar de apanhar calado: eles atacam em bando, e a resposta é se unir. Se você é de direita, comenta no post, curte, compartilha e marca um amigo.

Perguntas que chegam nos comentários

O TSE condenou o Lula por fake news?

Não. As decisões de 2026 são liminares, que valem na hora e ainda vão ao plenário. O que elas fazem é mandar tirar do ar e proibir a repetição, com multa em caso de descumprimento.

Quantas das 13 o TSE tirou do ar?

Oito. Cinco em 2026 (o vídeo do Lula, o da Janja, o de Janones e Lindbergh, a "dupla dos escândalos" e o "currículo do Flávio") e três em 2022 (canibalismo, "pintou um clima" e a agência de checagem falsa).

A frase do canibalismo existe?

Existe, numa entrevista de 2016 sobre uma experiência numa comunidade indígena. O que o TSE puniu foi o corte do trecho para dizer outra coisa. A palavra do tribunal foi "grave descontextualização".

O Lula tirou mesmo o Brasil do Mapa da Fome?

Em 2014, sim, e de novo em 2025, pela FAO. O que o Aos Fatos classificou como falso foi a frase "acabamos com a fome" e a comparação entre o 2014 e os 33 milhões, que vêm de duas contas diferentes.

Onde baixo o kit de resposta?

Na seção "Baixe o kit de resposta em PDF", nesta página. São 16 páginas, uma por fake news, com a resposta pronta para o grupo.

Onde estão as decisões e as checagens?

Nas fontes no fim desta página, com data e link.

Fontes desta materia

  1. CNN Brasil, 9 de outubro de 2026: TSE manda remover vídeos de Lula e Janja com ataques a Flávio Bolsonaro
  2. Revista Oeste, 9 de outubro de 2026: Mendonça manda campanha de Lula retirar vídeo que diz que se Flávio vence, você perde
  3. Metrópoles, 11 de outubro de 2026: TSE suspende propaganda de Lula que liga Flávio e Gaspar a escândalos
  4. CNN Brasil, 30 de agosto de 2026: TSE suspende propaganda de Lula sobre currículo de Flávio
  5. Agência Lupa, 17 de agosto de 2026: no pontapé da campanha, Flávio e Lula cometem erros sobre gestões passadas
  6. Estadão Verifica (via BrasilAgro), 28 de agosto de 2026: a checagem da entrevista de Lula ao Jornal Nacional
  7. Agência Brasil, 8 de outubro de 2022: TSE manda suspender propaganda que associa Bolsonaro ao canibalismo
  8. CNN Brasil, 13 de outubro de 2022: TSE mantém decisão de suspender propaganda do PT que liga Bolsonaro ao canibalismo
  9. CartaCapital, 16 de outubro de 2022: Moraes proíbe PT de usar vídeo de Bolsonaro sobre meninas venezuelanas
  10. Gazeta do Povo, setembro de 2022: TSE determina que campanha de Lula retire do ar falsa agência de checagem
  11. Correio Braziliense, 27 de setembro de 2022: TSE mantém remoção do site Verdade na Rede, ligado à campanha de Lula
  12. Boatos.org, 18 de fevereiro de 2026: Lula diz que 90% dos evangélicos recebem benefícios do governo (fake news)
  13. Metrópoles, 7 de fevereiro de 2026: 90% dos evangélicos ganham benefícios do governo, diz Lula
  14. Gazeta do Povo, 7 de fevereiro de 2026: sem fundamentos, Lula diz que 90% dos evangélicos ganham benefícios e irrita líderes religiosos
  15. Aos Fatos, dezembro de 2024: em 2024, Lula desinformou sobre fome e educação
  16. Aos Fatos, dezembro de 2023: as alegações enganosas mais repetidas por Lula em 2023
  17. Aos Fatos, 18 de outubro de 2022: checagem da entrevista de Lula ao Flow Podcast
  18. Agência Lupa, 28 de agosto de 2022: checagem do debate da Band entre os presidenciáveis
  19. Aos Fatos, março de 2025: Lula desinforma ao citar dados sobre inflação e legado econômico