A campanha do Lula fala em fake news o tempo todo. Eu fui atrás das fake news da própria campanha e do governo dele, em 2022, nos quatro anos de mandato e agora no segundo turno. Peguei as 13 mais famosas. Cada uma vem com o que foi dito, a verdade e quem desmentiu. Oito delas o próprio TSE mandou tirar do ar. As outras cinco têm carimbo de falso de agência de checagem.
Fontes: TSE, Aos Fatos, Agência Lupa e Estadão Verifica.
As cinco de 2026 que o TSE tirou do ar
1. "Se Flávio vence, você perde." O vídeo saiu no perfil oficial do Lula em 6 de outubro. Dizia que, com o Flávio, o eleitor perde o remédio gratuito, a aposentadoria, o salário mínimo e a casa própria, e que o corte de gastos iria no Pé-de-Meia, na Farmácia Popular, no Minha Casa Minha Vida, na merenda e no Gás do Povo. Em 8 de outubro, o ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, mandou apagar em 3 horas. Na decisão, escreveu que o plano de governo do Flávio, registrado no TSE, "contém compromisso expresso de manutenção dos programas sociais existentes" e chamou a peça de "meras conjecturas". Multa de R$ 10 mil por republicação.
2. O vídeo da Janja. Em 6 de outubro, a primeira-dama publicou um vídeo dizendo que o Flávio "quer que você trabalhe sete dias por semana", que a Farmácia Popular acaba e que o crime organizado "vai dominar o Brasil". Em 8 de outubro, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mandou apagar em 24 horas. Para ele, o vídeo apresentou essas coisas "como fatos certos e sem lastro mínimo". A escala 6x1 não aparece no plano do Flávio, nem para manter nem para acabar, e a frase "sete dias" não existe nas 76 páginas.
3. As "três bombas" de Janones e Lindbergh. Os deputados André Janones e Lindbergh Farias gravaram um vídeo em frente ao Ministério da Fazenda dizendo que o Flávio vai elevar a aposentadoria para 70 anos, desvincular a aposentadoria do salário mínimo, criar jornada de 12 horas e privatizar a Petrobras. Nada disso está no plano registrado. Em 8 de outubro, Mendonça mandou apagar em 3 horas: as afirmações "não encontram respaldo concreto". O vídeo tinha 6,8 milhões de visualizações.
4. A "dupla dos escândalos". No primeiro dia do horário eleitoral do segundo turno, 10 de outubro, a propaganda do Lula chamou Flávio e o vice Alfredo Gaspar de "dupla dos escândalos" e disse que o Gaspar era investigado por um crime grave. A peça escondeu que o Supremo tinha arquivado o caso quatro dias antes, em 6 de outubro, a pedido da Procuradoria-Geral da República. No mesmo dia, Kassio Nunes Marques suspendeu a peça: "imputações criminais desprovidas de lastro mínimo".
5. O "currículo do Flávio". Em 29 de agosto, primeiro dia de propaganda na TV, a campanha do Lula exibiu um "currículo" do Flávio com acusações antigas, sem contar que a denúncia citada tinha sido anulada pela Justiça. No dia seguinte, a ministra Estela Aranha, do TSE, suspendeu a peça. Escreveu que ela "extrapola os limites da crítica política admissível", com "grave descontextualização" capaz de "induzir o eleitor em erro".

As duas de 2026 com carimbo de falso
6. "O Bolsonaro criou 2 milhões de empregos." O Lula disse isso no lançamento da campanha, em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto. A Agência Lupa carimbou: falso. Dois milhões é só o saldo de 2022. Entre 2020 e 2022, o Caged registrou 4,6 milhões de vagas com carteira assinada.
7. "Herdei um déficit de 2,8%." Foi na entrevista ao Jornal Nacional, em 27 de agosto. O Estadão Verifica carimbou: falso. O governo central fechou 2022 com superávit primário de cerca de 0,6% do PIB. Na mesma entrevista, ele disse ser o único presidente do G20 com superávit, e o Estadão classificou como enganoso: a Argentina também teve.
As três de 2022 que o TSE tirou do ar
8. O "canibalismo". Em 7 e 8 de outubro de 2022, a propaganda do PT usou um trecho de uma entrevista do Bolsonaro de 2016, cortado, para dizer que ele comeria carne humana. O ministro Paulo de Tarso Sanseverino suspendeu a peça por "grave descontextualização": a entrevista contava uma experiência numa comunidade indígena, e "há alteração sensível do sentido original". Em 13 de outubro, o plenário do TSE confirmou por unanimidade. O coordenador da campanha, Edinho Silva, resumiu: "Reagimos."
9. O "pintou um clima". A campanha do Lula editou o trecho em que o Bolsonaro falava de adolescentes venezuelanas para sugerir crime sexual. Em 16 de outubro de 2022, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, mandou seis plataformas apagar o conteúdo e proibiu a campanha de repetir, com multa de R$ 100 mil por dia. Nas palavras dele: "fato sabidamente inverídico, com grave descontextualização e aparente finalidade de vincular a figura do candidato ao cometimento de crime sexual".
10. A agência de checagem falsa. A campanha do Lula criou o site "Verdade na Rede", que se apresentava como uma agência independente contra fake news. Misturava "notícias" com propaganda e levava o leitor para grupos de WhatsApp e Telegram. A ministra Maria Claudia Bucchianeri entrou num dos grupos com dados fictícios para conferir. Na liminar, escreveu: "O usuário é induzido a acreditar que se trata de site independente para checagem de notícias." Em 27 de setembro de 2022, o plenário confirmou a remoção por unanimidade e chamou o uso do site de "dissimulado".

As três mais famosas
11. "Acabamos com a fome em 2014. Quando voltei, tinha 33 milhões passando fome." O Aos Fatos contou: o Lula repetiu isso ao menos 24 vezes em 2024 e classificou como falso. Os dois números vêm de contas diferentes. O "fim da fome" de 2014 é a saída do Mapa da Fome da ONU, que mede uma coisa. Os 33 milhões são de uma pesquisa da Rede Penssan, que mede outra. Pelo IBGE, que usa a mesma régua nos dois anos, eram 7,2 milhões em 2013 e 33 milhões em 2022. Nunca foi zero.
12. "90% dos evangélicos ganham benefícios do governo." O Lula disse isso em 7 de fevereiro de 2026, na festa de 46 anos do PT, em Salvador, pedindo à militância que fosse "conversar" com os evangélicos: "Nós não podemos esperar que eles falem bem de nós." O Boatos.org checou em 18 de fevereiro e carimbou: fake news. Nenhum cadastro de benefício do governo registra religião, então o número não existe em fonte oficial. Pelo Censo de 2022, o Brasil tem 47,4 milhões de evangélicos; 90% seriam 42,6 milhões de pessoas. Pelo Datafolha, metade dos evangélicos tem renda acima do que a maioria dos programas exige. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) levou a fala à Procuradoria-Geral da República: "Fé não se compra. Consciência não se aluga."
13. "O Bolsonaro disse: tenho que mentir." No Flow Podcast, em outubro de 2022, o Lula afirmou que o Bolsonaro tinha dito "tenho que mentir, preciso mentir". O Aos Fatos foi ao vídeo original: o Bolsonaro contou que o aconselharam a mentir ("você tem que mentir, cara") e que ele não seguiu o conselho. O Lula inverteu o sentido da fala do adversário.

Mais seis que ficaram de fora do carrossel
Não cabiam 20 páginas. Ficam aqui, com a prova:
- "Nós criamos o Pé-de-Meia." Repetido 22 vezes em 2024. O projeto é da deputada Tabata Amaral, de 2021; o governo sancionou. (Aos Fatos)
- "Herdei o país com 14 mil obras paralisadas." Repetido 21 vezes em 2023. O TCU contou 8.674 obras paradas no fim de 2022. Os 14 mil são um dado de 2018. (Aos Fatos)
- "Nós criamos o Fies." Dito no Flow, em 2022. O Fies foi criado em 1999, no governo Fernando Henrique. (Aos Fatos)
- "O menor desmatamento da Amazônia foi no meu governo." Dito no debate da Band, em 2022. O menor foi em 2012, no governo Dilma. (Lupa)
- "Sou o único presidente sem diploma universitário." Repetido 17 vezes em 2024. Café Filho, presidente de 1954 a 1955, também não concluiu o curso superior. (Aos Fatos)
- "Peguei inflação de 80% ao mês quando trabalhava na Villares." Dito em março de 2025. Entre 1966 e 1972, a inflação mensal ficou entre 0,71% e 7,67%. Os 80% ao mês só aconteceram em março de 1990. (Aos Fatos)
Como eu conferi
Nenhum item desta lista é checagem minha. Todos têm um terceiro por trás: uma decisão do TSE, com nome do ministro e data, ou uma checagem publicada por Aos Fatos, Agência Lupa ou Estadão Verifica. As decisões do TSE de 2026 são liminares: valem já, mas ainda vão ao plenário. Onde a frase do adversário existia e foi cortada, como no canibalismo e no "pintou um clima", eu escrevi "descontextualização", que foi a palavra do tribunal.
Como conversar com quem acredita nelas
A campanha do Lula tem uma cartilha que ensina a militância a perguntar em vez de acusar, para a pessoa "chegar sozinha à conclusão". Eu li a cartilha. A técnica funciona. Então use a técnica deles, com a verdade:
- Não briga. Quem grita perde a conversa.
- Pergunta primeiro. "Você viu que o TSE mandou apagar esse vídeo?" Deixa a pessoa responder.
- Mostra a prova, não a opinião. Nome do ministro, data, agência. Manda a página do kit, não print de blogueiro.
- Um fato por vez. Quem manda 13 de uma vez não convence ninguém.
- Aponta o que a pessoa quer. Aposentadoria, Bolsa Família, remédio: está tudo mantido no plano do Flávio, e o ministro do TSE escreveu isso na decisão.
- Não precisa converter hoje. Planta a dúvida e deixa o link: se a campanha mentiu nisso, no que mais mentiu?
Baixe o kit de resposta em PDF
Eu transformei as 13 em um kit para mandar no grupo da família, da igreja e do trabalho: o kit de resposta em PDF tem 16 páginas, uma para cada fake news, com o que eles dizem, a verdade, a prova e a resposta pronta em duas linhas. É grátis. Baixa, manda e planta a dúvida.

Minha opinião
Quem montou uma agência de checagem falsa não pode falar em fake news. Quem tem proposta não precisa de mentira. E a gente, que é de direita, precisa parar de apanhar calado: eles atacam em bando, e a resposta é se unir. Se você é de direita, comenta no post, curte, compartilha e marca um amigo.
Perguntas que chegam nos comentários
O TSE condenou o Lula por fake news?
Não. As decisões de 2026 são liminares, que valem na hora e ainda vão ao plenário. O que elas fazem é mandar tirar do ar e proibir a repetição, com multa em caso de descumprimento.
Quantas das 13 o TSE tirou do ar?
Oito. Cinco em 2026 (o vídeo do Lula, o da Janja, o de Janones e Lindbergh, a "dupla dos escândalos" e o "currículo do Flávio") e três em 2022 (canibalismo, "pintou um clima" e a agência de checagem falsa).
A frase do canibalismo existe?
Existe, numa entrevista de 2016 sobre uma experiência numa comunidade indígena. O que o TSE puniu foi o corte do trecho para dizer outra coisa. A palavra do tribunal foi "grave descontextualização".
O Lula tirou mesmo o Brasil do Mapa da Fome?
Em 2014, sim, e de novo em 2025, pela FAO. O que o Aos Fatos classificou como falso foi a frase "acabamos com a fome" e a comparação entre o 2014 e os 33 milhões, que vêm de duas contas diferentes.
Onde baixo o kit de resposta?
Na seção "Baixe o kit de resposta em PDF", nesta página. São 16 páginas, uma por fake news, com a resposta pronta para o grupo.
Onde estão as decisões e as checagens?
Nas fontes no fim desta página, com data e link.







