A pesquisa saiu neste domingo, 6 de setembro, e a manchete que vai rodar é esta: Flávio Bolsonaro tem 38,9% e Lula tem 38,4%. Pela conta do Veritá, o filho do ex-presidente passou o presidente.
Eu torço pelo Augusto Cury e não escondo de ninguém. Por isso mesmo, aqui não tem número inventado. Eu peguei a pesquisa nova, peguei a anterior do mesmo instituto, de 16 dias atrás, e coloquei uma ao lado da outra. O que aparece é mais forte do que a manchete.
O resultado inteiro, sem cortar ninguém
| Cenário estimulado, primeiro turno | % |
|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 38,9 |
| Lula | 38,4 |
| Augusto Cury | 12,2 |
| Renan Santos | 3,7 |
| Ronaldo Caiado | 1,9 |
| Pablo Marçal | 1,4 |
| Outros, branco, nulo e não sabe | 3,5 |
Estimulado quer dizer que o entrevistador mostra a lista de nomes e a pessoa escolhe. É a pergunta que todo instituto usa para a manchete.
Soma: 100%. Eu sempre somo, porque é assim que se pega número errado. Este fecha.
A ficha da pesquisa, para você conferir
| Item | Dado |
|---|---|
| Instituto | Veritá |
| Entrevistas | 3.804 |
| Campo | 1º a 4 de setembro de 2026 |
| Margem de erro | 2 pontos percentuais |
| Confiança | 95% |
| Registro no tribunal eleitoral | BR-09426/2026 |
Flávio passou o Lula. O que isso quer dizer de verdade
Na pesquisa anterior do Veritá, de 21 de agosto, era o contrário: Lula 39,3%, Flávio 39,1%. Agora é Flávio 38,9%, Lula 38,4%.
Repare que os dois caíram. Flávio perdeu 0,2 ponto. Lula perdeu 0,9. Flávio passou na frente porque o Lula caiu mais, e não porque o Flávio cresceu.
Isso não tira a importância do dado. Numa disputa em que os dois lados vivem dizendo que já ganharam, ver o nome do Flávio em primeiro num instituto grande muda a conversa da semana. Mas quem escrever "Flávio lidera" sem a palavra empate na mesma frase está vendendo mais do que a pesquisa entrega.
O único que subiu
Agora o dado que a manchete esconde. Entre uma pesquisa e outra do Veritá, Augusto Cury saiu de 2,2% para 12,2%. Dez pontos em 16 dias.
| Candidato | 21 de agosto | 6 de setembro | Variação |
|---|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 39,1 | 38,9 | caiu 0,2 |
| Lula | 39,3 | 38,4 | caiu 0,9 |
| Augusto Cury | 2,2 | 12,2 | subiu 10,0 |
| Pablo Marçal | 5,2 | 1,4 | caiu 3,8 |
| Renan Santos | 3,8 | 3,7 | caiu 0,1 |
| Ronaldo Caiado | 3,3 | 1,9 | caiu 1,4 |
| Romeu Zema | 1,3 | 0,3 | caiu 1,0 |
Sete nomes medidos duas vezes. Seis caíram. Um subiu. E o que subiu, subiu mais do que todos os outros perderam juntos.
De onde veio o voto dele
Esta é a conta que decide se a onda é de verdade. Dez pontos não aparecem do nada: saem de alguém.
De quem Augusto Cury tirou os 10 pontos, em pontos percentuais
Comparação entre as duas pesquisas do Veritá, 21 de agosto e 6 de setembro de 2026
Traduzindo: quase nada saiu do Lula e do Flávio. Os dois juntos perderam 1,1 ponto. O grosso veio do Pablo Marçal, que está fora dos debates, do Caiado e do Zema, e de quem ainda não tinha candidato.
Isso é bom e ruim para ele ao mesmo tempo. Bom, porque ele cresceu sem precisar arrancar voto dos dois líderes, que são os mais difíceis de convencer. Ruim, porque o estoque de voto do Marçal, do Caiado e do Zema já acabou. Somados, os três têm 3,6%. Para continuar subindo, a partir de agora ele precisa tirar de quem está com 38.
Doze é o maior número que ele já teve
Até esta pesquisa, o Cury nunca tinha passado de 11% em pesquisa nenhuma. O Veritá deu 12,2%. É o maior número dele até hoje, e o primeiro acima de 12.
Dentro do próprio Veritá, a distância entre ele e o segundo colocado caiu de 37 pontos para 26. Ainda é muito. Mas em 21 de agosto ele era o sexto nome da lista, atrás do Marçal, do Renan e do Caiado. Em 6 de setembro é o terceiro, com mais voto que os três somados.
Por que o Marçal despencou
O eleitor do Marçal foi quem mais mudou de lado. Ele tinha 5,2% e ficou com 1,4%.
Não é coincidência. O Marçal está na urna, mas ficou fora dos debates, e a campanha dele passou o fim de agosto brigando no tribunal em vez de brigar por voto. O eleitor dele é justamente o que não gosta nem do Lula nem do Bolsonaro, e esse eleitor achou outro nome para chamar de seu. A conta bate: o Marçal perdeu 3,8, e essa foi a maior fatia do que o Cury ganhou.
O que acontece agora
A urna é em 4 de outubro, daqui a 28 dias. Antes disso tem três debates: 14 de setembro, 27 de setembro e 1º de outubro. Foi um debate, o da Band em 23 de agosto, que tirou o Cury de 2% e o levou a 11% em uma semana. O próximo é o teste: se o número dele continuar subindo depois de 14 de setembro, a onda virou candidatura. Se parar, foi o pico.
E tem um segundo teste, mais silencioso. O Veritá vai medir de novo. Se na próxima o Cury tirar voto do 38 e não mais do 3, aí sim a eleição mudou de tamanho.
Perguntas frequentes
Flávio Bolsonaro está na frente do Lula?
No Veritá de 6 de setembro, sim, por 0,5 ponto: 38,9% a 38,4%. Como a margem de erro é de 2 pontos, é empate técnico.
Quanto o Augusto Cury tem na pesquisa Veritá?
12,2%, em terceiro lugar. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, de 21 de agosto, ele tinha 2,2%. É o maior número dele em qualquer pesquisa até agora.
De quem o Cury tirou voto?
Comparando as duas pesquisas do Veritá, a maior parte veio do Pablo Marçal (3,8 pontos), do Ronaldo Caiado (1,4) e do Romeu Zema (1,0), além de indecisos e candidatos pequenos. Lula e Flávio, juntos, perderam só 1,1 ponto.
A pesquisa Veritá é confiável?
Ela está registrada no TSE com o número BR-09426/2026, ouviu 3.804 pessoas de 1º a 4 de setembro e tem margem de erro de 2 pontos. Como toda pesquisa, mede o momento em que perguntou, e não o dia da urna.
Quando é a eleição?
O primeiro turno é em 4 de outubro de 2026. Se ninguém tiver mais da metade dos votos válidos, o segundo turno é em 25 de outubro.






