No primeiro dia de A Fazenda 18, os colegas escolheram Sérgio Hondjakoff como o "pangaré" da temporada e o mandaram dormir na Baia, a casa dos castigados.
Onze dias depois, a rival Darlin Ferrattry disse dentro da sede, em 25 de setembro: "quem leva o prêmio, na minha concepção, é o Serginho".
Entre uma frase e outra, o eterno Cabeção de Malhação ganhou 120 mil seguidores, passou pela primeira roça e virou o assunto mais repetido da edição. Eu fui atrás de como isso aconteceu e de quem ele era antes de entrar.
O dia em que a casa escolheu o alvo
A Fazenda 18 estreou na Record em 14 de setembro, com apresentação de Adriane Galisteu e prêmio de R$ 2 milhões. Serginho foi apontado pelos colegas como pangaré logo na entrada e seguiu para a Baia, segundo o Correio Braziliense e o Terra.
No mesmo começo ele torceu o tornozelo numa disputa com pesos pelo acesso à academia e precisou de gelo e repouso (TMC).
A leitura do público foi a oposta da casa. O Correio Braziliense resumiu assim, em 20 de setembro: a virada veio nas primeiras 24 horas, porque o espectador entendeu a rejeição como perseguição. Ruth Amorim, citada no mesmo texto, ironizou: "O homem está sendo perseguido antes mesmo de entender onde fica o banheiro".
Os momentos que ninguém roteiriza
O que empurrou o Cabeção foi uma sequência de cenas pequenas.
Ele limpou o curral e pegou o esterco com a mão, sem luva. Maíra Charken comentou: "A gente nunca esquece quem divide a bosta com a gente" (Pipoca Moderna, 17 de setembro).
No galinheiro, pegou um ovo, perguntou se podia comer cru, quebrou e engoliu. Resumiu a experiência em uma palavra: "Maneiro".
Cochilou em pé no meio da área comum da sede (TMC). E a égua Serena pareceu morder a cabeça dele. A torcida ligou a cena ao campeão da temporada anterior, Dudu Camargo, que venceu com 75,88% dos votos, e decidiu que a égua tinha escolhido o vencedor (Terra, Alfinetei).
Até o vidente Robério de Ogum entrou na conversa, em 18 de setembro: "Se ele conseguir se manter equilibrado, ganha. É o grande favorito da Fazenda" (SRzd).
Os números
| Indicador | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Seguidores no Instagram antes da estreia | cerca de 880 mil | Terra, Alfinetei |
| Seguidores no quarto dia de confinamento | 1 milhão | Terra, Alfinetei |
| Parcial da enquete do UOL às 3h44 de 24/09 | 49,71% para ficar, com 684 votos | O Tempo |
| Parcial da enquete do UOL às 19h29 de 24/09 | 46,32% para ficar | O Povo |
| Resultado oficial da roça | a Record divulgou só a eliminada, Stephanie Gomes, com 19,71% | O Povo |
Enquete de site não é a votação oficial, que acontece no R7. Serve como termômetro. O de Serginho marcou quase metade dos votos nas duas medições do UOL.
De onde veio o Cabeção
Sérgio Francisco Hondjakoff Mendonça nasceu em 15 de agosto de 1984, em Nova York. Tem 42 anos (Wikipédia, Exame).
Começou aos 4 anos, em comerciais. Aos 7 fez a Escolinha do Professor Raimundo, na Globo, e depois o Clube da Criança, na Manchete. Estreou em novela em 1998, em Meu Bem Querer (Exame).
Em 2000 entrou em Malhação como Artur Malta, o Cabeção, papel que manteve por seis temporadas. Depois veio Bela, a Feia, na Record, em 2009, e um período como repórter do Vídeo Show (Wikipédia, Exame).
Na década seguinte, ele tentou uma dupla de funk com Dino Boyer e, em 2017, mudou para Nova York, onde foi trabalhar num restaurante (Wikipédia, Exame). Em 2020, participou do Made in Japão, da Record.
A queda que ele mesmo contou
Em 2022, Serginho se internou para tratar dependência química numa clínica em Itu, no interior de São Paulo. Em 2024, contou que estava havia dois anos sem usar drogas e que seguia em acompanhamento psicológico e psiquiátrico (Exame).
Essa parte da história apareceu dentro da casa. Em 25 de setembro, alguns peões questionaram se o jeito dele era verdadeiro. Daniel Erthal saiu em defesa do colega: "Ele tá muito bem pelo que ele já passou. Eu fico feliz de ver ele aqui" (O Fuxico).
O que joga contra, e entra
"Ele é café com leite e só atrapalha." Os números de punição dão razão a quem reclama. Na madrugada de 23 de setembro, ele entrou no banheiro da sede fora do horário permitido para a Baia e a casa inteira ficou 12 horas sem café, a primeira punição da temporada (GCMais). No dia seguinte, fez a barba na pia da sede e todos perderam a academia por 24 horas. Primeiro negou ter usado a água. Depois admitiu: "Eu liguei para bater". E completou: "Estou errado, foi um equívoco" (Correio Braziliense, 24 de setembro). Murilo Dias o chamou de "vacilão". Rikardo Negro disse que ele "sabe, não é burro".
"É personagem." A acusação existe e circula entre os colegas, mas nenhum veículo que eu li apontou uma cena em que ele tenha contradito o próprio comportamento. Fica como opinião dos adversários.
"Enquete não elege ninguém." Verdade. A parcial das 3h44 do UOL tinha 684 votos. O que a enquete mostra é tendência, não resultado.
"A casa vai derrubá-lo." Os rivais já perceberam o risco. Lucas Bissoli avisou Murilo e Rikardo na festa de 25 de setembro: "Não pode ficar dando muito palco porque ele é forte" (Portal Alta Definição). O problema para eles: até agora, nenhum ataque tirou dele a liderança nas enquetes.
A resposta
Serginho virou o homem a ser batido pelo caminho mais improvável: sem estratégia declarada, com duas punições coletivas nas costas e um passado que ele mesmo expôs. Eu acho que o público vota numa história de volta por cima tanto quanto num jogador. A temporada termina em dezembro. Até lá, a casa que o chamou de pangaré vai precisar decidir se continua atacando o favorito ou se para de fabricar votos para ele.








