Flávio Nantes Bolsonaro, 45 anos, senador pelo Rio de Janeiro desde 2019, é o candidato do PL à Presidência da República na eleição deste domingo, 4 de outubro de 2026. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, foi deputado estadual por quatro mandatos, teve 4.380.418 votos para o Senado em 2018 e chega à véspera do primeiro turno com 40% dos votos válidos no Datafolha de 1º de outubro, contra 45% de Lula.
Eu fui atrás da história inteira. E ela tem uma tarde que explica o resto.
Qual foi o dia em que o filho virou a voz da família?
6 de setembro de 2018, 15h25. Juiz de Fora, Minas Gerais. Jair Bolsonaro, candidato a presidente, é carregado nos ombros de apoiadores na esquina da Rua Batista de Oliveira com a Rua Halfeld. Uma faca entra pelo abdômen. Quinze minutos depois de chegar à Santa Casa, ele está na mesa de cirurgia. A operação dura três horas, segundo a Wikipédia.
Flávio tinha 37 anos e era candidato ao Senado. Na manhã seguinte, 7 de setembro, foi ele quem apareceu na porta do hospital para falar com os repórteres. Anunciou a transferência do pai para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e resumiu: "O pior já passou". Saiu a pé, sob gritos dos apoiadores, segundo o Correio do Estado.

Não tinha passado. Vieram mais cirurgias. No dia 11, foi Flávio quem contou no Twitter que o pai tinha saído da UTI e feito a primeira refeição sem sonda. A alta só veio em 29 de setembro, 23 dias depois da facada.
Naquele mês, o pai ficou fora das ruas e dos debates. O filho virou a voz da campanha. Um mês depois, Flávio foi o candidato ao Senado mais votado do Rio de Janeiro: 4.380.418 votos, 31,36% dos válidos, quase o dobro do segundo colocado, Arolde de Oliveira, com 2.382.265.
Onde essa história começa?
Num quartel. Flávio nasceu em 30 de abril de 1981, em Resende, no sul do estado do Rio, dentro da Academia Militar das Agulhas Negras, segundo a Wikipedia em inglês. É o primeiro dos cinco filhos de Jair Bolsonaro e o primeiro dos três do casamento com Rogéria Nantes.
O pai, militar, passou a chamar os filhos por número. "Meu pai adotou esse linguajar militar porque ele trocava os nomes dos filhos. Então, para não confundir, eu fui o primeiro a nascer, por isso ele me chama de 01", contou Flávio em 2023, segundo o Terra. É daí que vem o apelido: o Zero Um.
A política entrou em casa cedo. Em 1988, quando Flávio tinha 7 anos, o pai foi eleito vereador do Rio pelo PDC. Em 1990, deputado federal, com 67.041 votos.
Flávio se formou em direito na Universidade Candido Mendes. Em 2002, aos 21 anos, disputou a primeira eleição e entrou na Assembleia Legislativa do Rio com 31.293 votos. Ficou 16 anos na Alerj, em quatro mandatos, com votação maior a cada eleição.
Quais são os números da carreira?
| Ano | Cargo disputado | Votos | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2002 | Deputado estadual (RJ) | 31.293 | eleito |
| 2006 | Deputado estadual (RJ) | 43.099 | reeleito |
| 2010 | Deputado estadual (RJ) | 58.322 | reeleito |
| 2014 | Deputado estadual (RJ) | 160.359 | reeleito |
| 2016 | Prefeito do Rio de Janeiro | 424.307 (14,00%) | 4º lugar |
| 2018 | Senador (RJ) | 4.380.418 (31,36%) | eleito, o mais votado do estado |
Fonte: Wikipedia em inglês (2002 a 2014) e Wikipédia em português (2016 e 2018).
De 2002 a 2018, a votação dele foi multiplicada por 140.
O que foi a derrota de 2016?
Em 2 de outubro de 2016, Flávio tentou a prefeitura do Rio pelo PSC. Teve 424.307 votos, 14% dos válidos, e ficou em quarto lugar, atrás de Marcelo Crivella, Marcelo Freixo e Pedro Paulo. É a única eleição que ele perdeu.
Dois anos depois, saltou de 424 mil para 4,38 milhões de votos. O mesmo eleitor que o deixou em quarto na cidade o colocou em primeiro no estado.

O que ele fez no Senado?
Tomou posse em fevereiro de 2019. No dia 6, foi eleito terceiro-secretário da Mesa Diretora, o grupo que comanda a Casa. Hoje é titular nas comissões de Segurança Pública, de Desenvolvimento Regional e Turismo, e de Transparência, segundo o perfil oficial no site do Senado. O mandato vai até 2027. Nos quatro anos do governo do pai, apareceu ao lado dele em cerimônias no Planalto e até na final da Copa América de 2019.

Como virou o candidato?
O pai perdeu a eleição de 2022 para Lula e depois não pôde mais concorrer. O PL passou um ano testando nomes. Michelle Bolsonaro foi cogitada. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, também, segundo a Al Jazeera. Tarcísio ficou em São Paulo, onde disputa a reeleição.
Em 5 de dezembro de 2025, Flávio publicou uma foto beijando o alto da cabeça do pai e anunciou a pré-candidatura. Escreveu que confirmava a decisão de Jair Bolsonaro de lhe confiar a missão de continuar o projeto. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, disse que o senador era o nome escolhido pelo pai, segundo a Al Jazeera.
As pesquisas foram se acomodando. Na Quaest de janeiro de 2026, Flávio tinha 23% contra 36% de Lula. Em março, 32% contra 39%. A candidatura foi oficializada em 25 de julho e, em 5 de agosto, veio o vice, o deputado Alfredo Gaspar.
Em 9 de setembro de 2026, voltou ao cruzamento de Juiz de Fora. Foi carregado nos ombros, com a mesma camisa que o pai usava em 2018, segundo O Tempo. E disse: "Estar aqui nesse momento, isso que vocês fizeram agora junto comigo, completaram um caminho que o presidente Bolsonaro não conseguiu concluir."

O que ele promete?
O plano de governo se chama "Para o Brasil Vencer o Atraso". Tem 76 páginas e nove eixos, segundo a Agência Brasil. Os pontos mais fortes:
- corte de dez ministérios, de cargos comissionados e de despesas;
- redução da idade penal de 18 para 14 anos em crimes como estupro, tráfico, tortura e assassinato;
- declarar facções e milícias como organizações narcoterroristas e pôr as Forças Armadas na fronteira;
- retomar o Casa Verde e Amarela com a meta de 2,5 milhões de moradias;
- voucher para creche privada, escolas cívico-militares e telemedicina onde falta médico.
Eu li os três planos de governo lado a lado nesta matéria: o que cada candidato promete.
Por que ele não foi ao debate da Globo?
O último debate do primeiro turno foi quinta-feira, 1º de outubro, às 21h30. Lula não iria. A ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a Globo de mostrar a cadeira vazia e vetou perguntas a candidatos ausentes.
Às 19h26, a CNN Brasil publicou a decisão de Flávio: "Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas." A história dos debates que não aconteceram está em cadeira vazia.
O que dizem as pesquisas?
| Pesquisa | Lula | Flávio Bolsonaro |
|---|---|---|
| Quaest, 8 a 11 de janeiro de 2026 | 36% | 23% |
| Quaest, 6 a 9 de março de 2026 | 39% | 32% |
| Datafolha, 1º a 3 de setembro de 2026 | 38% | 32% |
| Datafolha, 28/9 a 1º/10, votos totais | 42% | 38% |
| Datafolha, 28/9 a 1º/10, votos válidos | 45% | 40% |
| Datafolha, 28/9 a 1º/10, 2º turno | 48% | 45% |
Datafolha de 1º de outubro: 2.506 entrevistas de 28 de setembro a 1º de outubro, margem de dois pontos, contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo, registro BR-08039/2026 no TSE. O de setembro: 2.002 entrevistas de 1º a 3 de setembro, margem de dois pontos, registro BR-03669/2026. As rodadas da Quaest tiveram 2.004 entrevistas e margem de dois pontos, segundo a tabela da Wikipedia em inglês.
Em um mês, a distância no primeiro turno caiu de seis para quatro pontos. No segundo turno, três pontos: empate dentro da margem. A análise está em Datafolha: Lula 45, Flávio 40 e em Futura: Flávio 49, Lula 43.

Como foi a última semana?
Sexta-feira, 2 de outubro, às 18h, ele estava em Montes Claros, no norte de Minas, no "Bloquinho do Nikolas Ferreira", segundo a CartaCapital. Neste sábado, fecha a campanha numa carreata de Santa Bárbara d'Oeste a Americana, no interior paulista, ao lado de Tarcísio, segundo a Forbes. Lula caminha na Avenida Paulista a partir das 10h. O roteiro dos dois está em Lula e Flávio encerram campanha em São Paulo.
Quem é o Flávio fora da política?
Casado desde 2010 com Fernanda Antunes Figueira, pai de duas filhas. Fez 45 anos em 30 de abril de 2026, dia de sessão no Congresso, e ganhou um bolo no corredor do Senado com a frase "Coragem para liderar, força para vencer", registrada pela Agência Senado.

Então, quem é Flávio Bolsonaro?
É o menino que nasceu num quartel e viu o pai virar vereador aos 7 anos. O deputado de 21 anos que levou 16 para sair da Alerj. O candidato que perdeu a prefeitura em 2016 e, dois anos depois, foi o mais votado do estado. O filho que, numa manhã de setembro, falou pela família na porta de um hospital.
Oito anos depois daquela manhã, ele é quem está na cédula. Amanhã, 4 de outubro, o eleitor diz o que acha disso.
Perguntas que chegam nos comentários
Quem é Flávio Bolsonaro?
Flávio Nantes Bolsonaro, nascido em 30 de abril de 1981 em Resende (RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro, senador pelo Rio desde 2019 e candidato do PL à Presidência em 2026. Foi deputado estadual de 2003 a 2019.
Quantos votos Flávio Bolsonaro teve para o Senado?
4.380.418 votos em 2018, 31,36% dos válidos, o mais votado do Rio de Janeiro naquela eleição.
Flávio Bolsonaro já perdeu alguma eleição?
Uma. Em 2016 disputou a prefeitura do Rio, teve 424.307 votos (14%) e ficou em quarto lugar.
Quanto Flávio Bolsonaro tem nas pesquisas?
No Datafolha de 1º de outubro de 2026, 40% dos votos válidos contra 45% de Lula; no segundo turno, 45% contra 48%, empate dentro da margem de dois pontos (registro BR-08039/2026).







