Hoje, 12 de outubro, feriado de Nossa Senhora Aparecida, o programa eleitoral de Flávio Bolsonaro foi ao ar na TV sem som. Só imagem e legenda, por volta das 13h. O programa do Lula, exibido na sequência, teve som. A campanha do Flávio diz que o arquivo entregue às emissoras tinha áudio e que ainda tenta descobrir onde o som se perdeu. Abaixo está o programa inteiro com áudio, para você assistir e baixar, e tudo o que se sabe até agora.
Fontes: Metrópoles, Poder360 e vídeo oficial da campanha.
Assista ao programa com áudio
A campanha publicou o programa inteiro, com som, no canal oficial do Flávio no YouTube, com o título "Assista, agora com áudio, o meu programa eleitoral de 12 de outubro". É este:
Baixe o vídeo
Para mandar no grupo da família sem depender de link: baixe o programa em vídeo (MP4, 37 MB, 5 minutos e 47 segundos). É a cópia do vídeo oficial publicado pela campanha. Os primeiros 45 segundos são o Flávio explicando o que aconteceu; o programa de TV começa depois.
O que aconteceu
O horário eleitoral do segundo turno vai ao ar em dois blocos, às 13h e às 20h30. No bloco das 13h de hoje, o programa do Flávio foi exibido sem áudio. Segundo o Poder360, houve som em poucos momentos, sem dar para entender o contexto, e o material tinha legendas. Um telespectador relatou ao Metrópoles que faltou áudio "em todas as emissoras que transmitiam". O programa do Lula, logo depois, foi ao ar normalmente.
A campanha do Flávio informou ao Metrópoles que "o arquivo enviado para divulgação estava com áudio" e que tenta identificar se a falha foi da emissora responsável pela geração do sinal. Lamentou que o problema tenha acontecido num feriado, quando mais gente está em casa.

O que o Flávio disse
Pouco depois, o Flávio publicou um vídeo. As frases, na ordem em que ele falou:
"Opa, tudo bem? Está me ouvindo? Consegue me ouvir?" "Hoje, pela primeira vez na história de uma campanha presidencial, o meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo." "O do Lula estava com som, tudo ok, mas o meu, transmitido sem som. Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito. Não existe coincidência." "Eles acham que vão calar a minha voz. Não vão calar, não vão conseguir, não adianta." "Compartilhe com o máximo de pessoas que você puder, nos seus grupos de WhatsApp. Ninguém vai calar a voz do povo brasileiro. Viva a democracia, e o Brasil vai vencer."
Foi mesmo a primeira vez?
A frase é do Flávio, e nenhum veículo checou. Eu procurei, de 1989 até 2024, um caso igual: programa de candidato a presidente, em bloco, indo ao ar sem som em rede nacional. Não achei registro. O que existe são casos parecidos, em escala menor. Em agosto de 2022, em Mato Grosso do Sul, o programa do candidato a governador Marquinhos Trad não foi ao ar: ficou uma tela azul. A TVE, que gerava o sinal, alegou "problemas técnicos", e a Justiça Eleitoral mandou reexibir o programa, com multa. Em outubro de 2022, a campanha do Bolsonaro acusou rádios do Norte e do Nordeste de não veicular 154 mil inserções, o caso que ficou conhecido como "Radiolão"; o TSE arquivou. Um programa presidencial mudo em rede nacional, até onde a revista conseguiu apurar, não tem precedente conhecido.
De onde sai o sinal
Nenhum veículo apontou uma emissora, e por um motivo: o sinal do horário eleitoral é um só. Ele é gerado no pool de mídia, que funciona dentro do prédio do TSE, em Brasília, e distribuído por satélite para todas as emissoras do país. O pool é formado por Globo, SBT, Band, EBC, TV Câmara e TV Senado.
À CNN Brasil, a campanha do Flávio disse que o material estava correto e tinha sido checado antes da transmissão, e que investiga se o problema aconteceu na emissora geradora, a que transmite o sinal recebido pelas demais. Ao SBT News, disse que o material foi entregue "em perfeitas condições", "averiguado e auditado pela plataforma homologada", e que o erro aconteceu no "Pool de Mídia das Eleições 2026, estrutura coordenada pelo TSE". Disse ter acionado o órgão.
O SBT News apurou, por conta própria, que "a origem da falha foi a EBC", a Empresa Brasil de Comunicação, a estatal de comunicação do governo federal, e que "a falha de transmissão ocorreu em todos os sinais". O SBT pediu posicionamento à EBC e, até a publicação, não recebeu. A Abert, associação das emissoras, disse à Gazeta do Povo que "está apurando o ocorrido". O TSE não divulgou nota. Nenhum laudo foi apresentado por ninguém. Por isso esta matéria não escreve que a EBC cortou o som: escreve o que cada um disse.
O que a regra manda: pela Resolução 23.610 do TSE, que rege a propaganda eleitoral, uma falha técnica atribuída à emissora dá direito à reexibição do programa, às custas dela. O deputado Gilson Machado Filho (Podemos-PE) disse que vai protocolar ofício pedindo a reposição do tempo do Flávio.
O que o Brasil não ouviu
Eu assisti ao programa inteiro com áudio. É isto que estava no ar sem som:
- Aparecida. Abre com a padroeira: "O dia da eleição vai passar e Nossa Senhora vai continuar sendo a padroeira. Agora, o que não pode continuar é o Brasil do jeito que está."
- O carrinho vazio. Uma mulher no mercado: "Chegou com R$ 100 e foi embora com nada. Ele diz que está caindo o preço, mas a gente não acha."
- Tesouraço nos impostos. "Menos dinheiro para o governo e mais dinheiro para você."
- Voucher creche. "Toda criança no Brasil vai ter vaga na creche, e as mães vão poder estudar, trabalhar e empreender."
- Rede TEA Brasil. Centros de referência para acolher as crianças e apoiar as famílias e mães atípicas.
- Mulheres. "Com o Flávio presidente, as mulheres serão protagonistas das decisões do nosso país."
- Michelle Bolsonaro. "Os benefícios sociais serão todos mantidos e melhorados. O Bolsa Família está garantido. Mas ele é o mínimo, o começo."
- Fake news. "A cada mentira que aparece, lembre que o Brasil está sem presidente." Farmácia Popular? Continua, com o SUS "padrão Einstein". Minha Casa, Minha Vida? Continua, com prestação menor. Bolsa Família? Continua, com reajuste, "e quem tem emprego não perde o benefício".
- Saidinha. O fecho: "Hoje, feriado, é dia de saidinha. Os bandidos estão na rua e as pessoas de bem, com medo, presas em casa." E uma frase do Lula sobre a saidinha, na tela.

Minha opinião
Se foi falha técnica, as emissoras devem ao eleitor o som que faltou, e o TSE tem como mandar reexibir. Se não foi, é muito pior. Calar um candidato na TV a 13 dias da eleição não é detalhe técnico. Por isso o vídeo está aqui: o que a TV calou, o WhatsApp entrega. Baixa e manda.
Perguntas que chegam nos comentários
O programa do Flávio foi mesmo ao ar sem som?
Sim. Em 12 de outubro de 2026, por volta das 13h, o programa foi exibido sem áudio na TV, com imagem e legenda. O do Lula, na sequência, teve som. Metrópoles, Poder360 e O Tempo registraram.
De quem foi a culpa?
Até a publicação desta matéria, não havia explicação oficial. A campanha do Flávio diz que o arquivo entregue às emissoras tinha áudio.
Onde assisto ao programa com som?
Nesta página, no vídeo oficial da campanha, e no canal do Flávio no YouTube.
Como baixo o vídeo?
Na seção "Baixe o vídeo", nesta página. É um arquivo MP4 de 37 MB.
Quando é o segundo turno?
Domingo, 25 de outubro de 2026.







