Flávio Bolsonaro vai poder voltar a entrar na casa do pai. Na manhã desta segunda-feira, 12 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, autorizou a volta das visitas a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A proibição durou 90 dias e venceu no domingo, 11. Horas depois, na saída da missa de Nossa Senhora Aparecida, o Flávio disse que vai ver o pai na terça-feira, 13, de manhã. A última visita foi em 11 de julho. São 94 dias.
Fontes: decisão de 12/10/2026 (Execução Penal 169), CNN Brasil, SBT News e Jornal de Brasília.
O que o Moraes decidiu
A decisão tem duas páginas e foi assinada em Brasília. Eu li o texto inteiro. O ministro lembra que, em 13 de julho, suspendeu as visitas do Flávio por 90 dias por "descumprimento de medida cautelar", e que em 5 de outubro a defesa pediu a volta. A fundamentação é uma frase: "Não houve qualquer fato superveniente que indicasse a necessidade de eventual prorrogação, como bem ressaltado em parecer da Procuradoria-Geral da República."
O dispositivo, em letras maiúsculas no original: "AUTORIZO A RETOMADA DO REGIME DE VISITAS DE FLÁVIO NANTES BOLSONARO, nos mesmos horários, condições e medidas de segurança anteriormente fixados, estando vedada a finalidade político-eleitoral e a divulgação de quaisquer manifestos ou declarações, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado". Moraes mandou avisar "imediatamente" a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Militar, que vigia a casa.
Baixe a decisão
Os dois documentos que contam essa história, em PDF, do jeito que saíram do Supremo. São os documentos públicos do processo, publicados pelo Migalhas:
- Decisão de 12 de outubro de 2026: Moraes libera as visitas (2 páginas, PDF)
- Decisão de 13 de julho de 2026: a suspensão por 90 dias, com a carta do Bolsonaro transcrita pelo próprio ministro (7 páginas, PDF)
Quando é a visita
Terça-feira, 13 de outubro, de manhã. Quem confirmou foi o próprio Flávio, em entrevista depois da missa na Catedral de Brasília, ao lado da mulher, Fernanda. "Então na terça-feira, amanhã, eu volto a visitá-lo", disse, segundo a CNN Brasil. A hora não foi divulgada. Segundo a SBT News, o encontro deve durar 30 minutos: é o tempo da visita de advogado, e o Flávio está cadastrado no processo como advogado do pai.
O que mais ele disse, segundo CNN Brasil, Metrópoles e Jornal de Brasília:
- "Fiquei muito feliz que no dia de Nossa Senhora Aparecida é o dia em que eu estou novamente autorizado a visitar meu pai."
- "Estou ansioso para dar um abraço forte nele, primeiro de tudo."
- "Espero olhar no olho dele, dar um abraço e espero que ele esteja feliz."
- Sobre a proibição: "são mais de três meses sem poder vê-lo por uma decisão, obviamente, sem critério nenhum".
Esta matéria será atualizada quando a visita acontecer. Pelas regras, ninguém pode gravar nem divulgar nada de dentro da casa.
As regras da visita
As regras são as mesmas fixadas em março, quando Moraes concedeu a prisão domiciliar. Segundo a Gazeta do Povo, a Jovem Pan e o blog do Teo Cury, na CNN Brasil:
| Quem | Quando | Quanto tempo |
|---|---|---|
| Filhos (Flávio, Carlos e Jair Renan) | Quartas e sábados, das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h | Duas horas |
| Advogados (o Flávio está cadastrado) | Todos os dias, inclusive feriado, das 8h20 às 18h, com agendamento na PM com 24 horas de antecedência | 30 minutos |
| Michelle e as filhas | Moram na casa; não precisam de autorização | |
| Médicos | Entram sem aviso prévio |
Continua proibido: celular ou qualquer aparelho de comunicação dentro da casa (o visitante entrega ao policial na entrada), gravar áudio ou vídeo, usar a visita com "finalidade político-eleitoral" e divulgar "quaisquer manifestos ou declarações" do Jair Bolsonaro, "inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado". O próprio Flávio resumiu, segundo O Tempo: "Pela decisão dele, voltam as visitas regulares, não apenas como advogado, mas também como filho."
A história: a carta, o castigo e o Dia dos Pais
11 de julho. O Flávio visita o pai e sai de lá com uma carta. Publica um vídeo: "Ele está bem, está firme, está forte e ele escreveu uma carta aos brasileiros que eu vou fazer a leitura dela hoje". Lê a carta ao meio-dia e meia, no YouTube.
A carta do Bolsonaro, na íntegra
O texto abaixo é o que o Flávio leu, transcrito palavra por palavra na decisão de 13 de julho pelo próprio Moraes:
Brasília, 11 de julho de 2026, carta aos brasileiros: saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós. O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência, e do empobrecimento. Meu pré-candidato, creio, o seu também, meu porta-voz, o qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade. Um afetuoso abraço a todos na certeza de que, juntos, tudo faremos pela nossa pátria. Deus, pátria, família e liberdade. Assina: Jair Bolsonaro.
13 de julho. Moraes decide que o pai, proibido de usar redes sociais "diretamente ou por intermédio de terceiros", falou com o país por meio do filho. Escreve que o Flávio usou a visita "com a exclusiva finalidade" de divulgar a carta e suspende as visitas dele por 90 dias. O pedido de punição veio do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), segundo a Gazeta do Povo.
17 de julho. Nova decisão: 30 dias sem visita para todo mundo, menos advogados, médicos e fisioterapeuta, e proibição de qualquer visita "com finalidade político-eleitoral" até o fim da eleição.
8 de agosto. A defesa pede uma visita dos três filhos no Dia dos Pais. Moraes nega: considera o pedido "prejudicado" pela suspensão de julho, segundo IstoÉ e Congresso em Foco. No domingo, 9, o Flávio publica um vídeo chorando enquanto escreve ao pai: "não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria" e "proibir um filho de visitar um pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais, é desumano" (CNN Brasil).
4 de outubro. O Flávio vence o primeiro turno sem ter podido sentar com o pai uma vez sequer durante a campanha.
5 de outubro. A defesa do Jair Bolsonaro pede a Moraes que "restabeleça imediatamente o regime normal de visitas" ou, ao menos, um encontro com o Flávio antes de 11 de outubro, "exclusivamente familiar" (O Tempo e O Antagonista).
6 de outubro. Moraes manda a Procuradoria-Geral da República opinar. No mesmo dia, o procurador-geral Paulo Gonet responde que não é contra: "Considerando a ausência de fatos supervenientes indicativos de descumprimento das condições fixadas ou da necessidade de prorrogação da medida restritiva anteriormente determinada, a Procuradoria-Geral da República não opõe óbice ao deferimento do pleito formulado" (Correio Braziliense).
11 de outubro. Os 90 dias vencem sozinhos. O encontro antes do prazo, que a defesa pediu, nunca foi concedido.
12 de outubro. Moraes assina a volta das visitas.
Como o Jair Bolsonaro está
Ele tem 71 anos e cumpre em casa, no condomínio Solar de Brasília, a pena de 27 anos e 3 meses, com tornozeleira eletrônica e Polícia Militar na porta. Está em casa desde 27 de março, quando saiu do hospital depois de uma pneumonia, segundo CNN Brasil e Revista Oeste.
O último boletim médico foi enviado ao Supremo em 9 de outubro, assinado pelo cardiologista Brasil Caiado, segundo Metrópoles e Correio Braziliense. Diz que em 2 de outubro, véspera do primeiro turno, ele "apresentou um episódio de taquicardia e dispneia", de curta duração, que melhorou sozinho e não voltou. "No momento encontra-se bem, mantendo estabilidade hemodinâmica e cardiorrespiratória." Os remédios "de ação central" seguem causando sonolência durante o dia e "instabilidade no equilíbrio corporal". Não houve internação desde maio, quando ele operou o ombro.
Minha opinião
Um filho ficou 94 dias sem poder entrar na casa do pai por causa de uma carta. Negaram até o Dia dos Pais. Liberar agora é o mínimo, e só liberaram porque o prazo venceu sozinho e a própria acusação disse que não havia motivo para esticar. O Flávio cumpriu a regra calado, fez campanha e venceu o primeiro turno. Na terça, pode abraçar o pai. Faltam 13 dias para o segundo turno.
Perguntas que chegam nos comentários
O Flávio já pode visitar o pai?
Sim. Em 12 de outubro de 2026, Alexandre de Moraes restabeleceu o regime de visitas que valia antes de julho.
Quando é a visita?
Terça-feira, 13 de outubro, de manhã, segundo o próprio Flávio. A hora não foi divulgada. O encontro deve durar 30 minutos, o tempo da visita de advogado.
Quais são as regras?
Como filho, quartas e sábados, duas horas, em um de três horários (8h às 10h, 11h às 13h ou 14h às 16h). Como advogado do pai, todos os dias, 30 minutos. É proibido usar a visita para campanha, divulgar declarações do Jair Bolsonaro e entrar com celular.
Por que o Flávio estava proibido?
Porque em 11 de julho leu nas redes uma carta do pai apoiando a candidatura dele. Moraes entendeu que o Bolsonaro, proibido de usar redes sociais, falou por meio de um terceiro, e suspendeu as visitas por 90 dias a partir de 13 de julho.
Onde o Jair Bolsonaro está?
Em prisão domiciliar, na casa da família em Brasília, cumprindo a pena de 27 anos e 3 meses.
Como ele está de saúde?
O último boletim, de 9 de outubro, diz que está estável. Teve um episódio de taquicardia em 2 de outubro, que passou sozinho. Os remédios causam sonolência e instabilidade no equilíbrio.







