João Paulo, José Henrique dos Reis, morreu na madrugada de 12 de setembro de 1997, aos 37 anos, quando o BMW que ele dirigia capotou e pegou fogo na Rodovia dos Bandeirantes, em Franco da Rocha (SP). A dupla com o Daniel acabou ali, no ano em que fazia mais sucesso. Daniel fez o primeiro show sozinho 15 dias depois, para cumprir a agenda.
O nome artístico tem uma origem que pouca gente conhece. A dupla se chamava José Neri e Daniel. O cantor Paraíso, da dupla Mococa e Paraíso, achou o nome fraco e sugeriu outro, inspirado no papa da época: "Se falava muito na época do João Paulo, o Papa. E aí ele sugeriu: 'por exemplo, João Paulo'", contou Daniel no Viver Sertanejo, da Globo, em dezembro de 2025, segundo o gshow.
Eu fui ler a cobertura de 1997, os dois laudos sobre o acidente e o que o Daniel fez depois.
Quem foi João Paulo?
Filho de lavradores nordestinos que migraram para o interior de São Paulo, José Henrique dos Reis nasceu em Brotas (SP), em 28 de julho de 1960. Trabalhou cedo em fazendas e como pedreiro, e gostava de dizer que as mãos dele ajudaram a levantar várias casas da cidade, segundo a Folha. Cantou primeiro com o irmão mais velho, Francisco, numa dupla de circo e festival.
Em 1980, num churrasco na fazenda do pai do Daniel, onde João Paulo cuidava do gado, os dois cantaram juntos pela primeira vez. O patrão gostou e incentivou o filho e o empregado a formar a dupla, registrou a Folha. O Daniel tinha 11 anos.
A Folha lembra que era uma das poucas duplas sertanejas com um integrante negro. A Wikipédia registra que, no começo, shows contratados por políticos eram cancelados quando o contratante via os dois pessoalmente.

Qual foi a virada?
Foi lenta. O primeiro disco, "Amor Sempre Amor", saiu em 1985, bancado pelo pai do Daniel, segundo a Wikipédia. O primeiro sucesso, "Desejo de Amar", veio do terceiro disco. Em 1993, "Só Dá Você na Minha Vida", do compositor Rick, estourou no Vol. 5, como a revista contou nas 14 músicas que eram do Rick.
A consagração chegou em 1996, com o Vol. 7 e "Estou Apaixonado", versão de "Estoy Enamorado", de Donato e Estefano, que virou tema de "Explode Coração", da Globo. No mesmo disco, "Pirilume" entrou em "O Rei do Gado". O Vol. 8, de abril de 1997, trouxe "Te Amo Cada Vez Mais", versão de uma canção de David Foster gravada por Céline Dion.
Com o Rick, o João Paulo escreveu "Poeira da Estrada", uma das duas últimas músicas que os dois fizeram juntos.
Os números
| O que | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Vendas do Vol. 7 (1996) | 700 mil cópias | Folha |
| Vendas do Vol. 8 (1997) | mais de 750 mil, platina tripla | Wikipédia |
| Shows no último ano | 172 | O Globo, 1997 |
| Cidades na agenda de setembro de 1997 | 22 | O Globo, 1997 |
| Total de discos da dupla | 2,6 milhões (O Globo, 1997) ou mais de 5 milhões (Wikipédia) | O Globo, Wikipédia |
| Pessoas no velório em Brotas | cerca de 10 mil | Folha, com dados da PM |
O que aconteceu na noite de 11 de setembro de 1997?
A dupla cantou na Festa do Peão de São Caetano do Sul, no ABC paulista. O Daniel tinha feito 29 anos três dias antes, e o fã-clube preparou uma comemoração. João Paulo não foi. Queria voltar a Brotas para fechar a compra de uma casa para a mulher, Roseni, e a filha, Jéssica, então com 5 anos, segundo a Folha. O Daniel aconselhou o parceiro a dormir num hotel em São Paulo, registrou O Globo. João Paulo insistiu.
"Ele quase nunca dirigia. Também não costumava voltar para Brotas depois dos shows. Mas, desta vez, queria ver a mulher e a filha", disse Lu Barbosa, assessora da dupla, ao Notícias Populares.
Ele seguiu com o amigo e segurança Paulo César Pavarini, num BMW comprado um mês antes. Pavarini dirigiu até um posto. Ali, João Paulo assumiu o volante. Pouco depois do primeiro pedágio da Bandeirantes, numa curva, o carro derrapou, capotou e caiu no canteiro central, de madrugada. Pavarini saiu por uma porta de trás e tentou apagar o fogo com um extintor emprestado de um caminhoneiro. João Paulo ficou preso às ferragens e morreu no incêndio.

O que dizem os laudos?
São dois, e eles não dizem a mesma coisa. O laudo pericial de 1997 apontou o carro a 127 km/h, com quatro capotagens, segundo a Folha. Em 2013, a pedido do advogado da viúva, foi feita uma nova perícia. Esse segundo laudo concluiu que um pneu estourou e levou à perda de controle, segundo o Jornal Opção. Em outubro de 2014, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a BMW a indenizar a viúva; a montadora disse que a decisão não era final. Não achei registro do desfecho do recurso.
O corpo foi levado de helicóptero para Brotas. Em 13 de setembro, Chitãozinho, Xororó, Leandro e Leonardo acompanharam o enterro no cemitério municipal, registrou O Globo.
Como o Daniel recomeçou sozinho?
Pelo palco. Em 27 de setembro de 1997, 15 dias depois do acidente, ele fez o primeiro show sem o parceiro, no Olympia, em São Paulo, para cumprir a agenda da dupla, com uma homenagem a João Paulo, segundo a Folha. Pensou em parar de cantar várias vezes, registra a Wikipédia. Em novembro saiu um disco ao vivo da dupla, gravado em Brotas em 1995.
Em 3 de agosto de 1998, lançou o primeiro disco solo, "Daniel", que virou diamante. Em 2000, gravou "Meu Reino Encantado", só de música caipira de raiz. Era um projeto dos dois: em setembro de 1997, o empresário da dupla tinha contado a O Globo que eles preparavam um disco caipira clássico, com toadas e modinhas.

Em dezembro de 2022, no DVD dos 40 anos de carreira, ele abriu o show com "Estou Apaixonado" e 21 convidados, e fechou cantando com a filha de João Paulo, Jéssica Reis, segundo o Metrópoles. Em 2024, rodou o país com um show só de músicas da dupla. "Eu posso dizer que esse é o projeto da minha vida", disse ao Bem Paraná. Jéssica, veterinária, seguiu em turnê com ele por dois anos e lançou o primeiro single em 2025, segundo o Extra.
A outra dupla que perdeu metade nove meses depois foi a de Leandro & Leonardo. A comparação entre os dois recomeços está em Renner disse que o show não pode parar.
O que joga contra, e entra
"Ele estava correndo." É o que diz o laudo de 1997, 127 km/h. O segundo laudo, de 2013, aponta pneu estourado. Os dois existem, e a Justiça paulista condenou a montadora em 2014, em decisão ainda sujeita a recurso na época.
"Ele dormiu ao volante." Essa foi a versão de Pavarini a O Globo, no dia seguinte: o cantor teria dormido. É o relato de uma testemunha, não a conclusão de nenhum dos dois laudos.
"Ele morreu com 34 anos." O Globo publicou essa idade em 1997. Pela data de nascimento registrada pela Folha, 28 de julho de 1960, ele tinha 37.
"A dupla vendeu 5 milhões de discos." É o número da Wikipédia. Em 1997, o empresário falava em perto de 2,6 milhões. A tabela mostra os dois.
E a resposta?
João Paulo era o pedreiro de Brotas que cuidava do gado do pai do parceiro e ganhou nome de papa porque o dele parecia fraco para um disco. Morreu aos 37 anos, numa curva da Bandeirantes, quando a dupla vivia o melhor ano. O Daniel cumpriu a agenda 15 dias depois, gravou o disco caipira que os dois planejavam e, 25 anos mais tarde, chamou a filha do parceiro para fechar o show.
Perguntas que chegam nos comentários
Como João Paulo, da dupla com Daniel, morreu?
Num acidente de carro na Rodovia dos Bandeirantes, em Franco da Rocha (SP), na madrugada de 12 de setembro de 1997. O BMW que ele dirigia capotou e pegou fogo.
Qual era o nome verdadeiro de João Paulo?
José Henrique dos Reis. O nome João Paulo foi sugerido pelo cantor Paraíso, inspirado no papa João Paulo II.
O que dizem os laudos do acidente?
O laudo de 1997 apontou o carro a 127 km/h. Uma nova perícia, de 2013, pedida pela viúva, concluiu que um pneu estourou.
Quando Daniel começou a carreira solo?
Fez o primeiro show sozinho em 27 de setembro de 1997 e lançou o primeiro disco solo, "Daniel", em 3 de agosto de 1998.
João Paulo deixou filhos?
Uma filha, Jéssica Reis, que cantou com Daniel no DVD de 40 anos de carreira e lançou o primeiro single em 2025.







