Revista De Castro

Tecnologia / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

Seu pacote de dados acaba antes da eleição. O WhatsApp continua, o resto não

Um partido e a confederação nacional dos trabalhadores em educação pediram ao STF internet móvel liberada nas 72 horas antes de cada turno. Zanin deu 48 horas para a Anatel responder. Eu explico o que está em jogo e o que você faz se o pedido não passar.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Tecnologia
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2 min
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5 citadas
Imagem ilustrativa: Acabashi / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Imagem ilustrativa: Acabashi / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

Fim do mês, pacote de dados no zero. O celular ainda abre o WhatsApp e o Instagram. O site de notícias não abre. O site do TSE, fora do pacote grátis, também não.

É esse cenário, na véspera da eleição, que chegou ao Supremo Tribunal Federal.

O pedido

O Partido Verde (PV) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) entraram com uma ação no STF, a ADPF 1355. Pedem que a internet móvel não seja bloqueada nas 72 horas antes e nas 24 horas depois de cada turno das eleições de 2026, mesmo para quem já gastou a franquia.

O primeiro turno é em 4 de outubro. O segundo, se houver, em 25 de outubro.

Em 24 de setembro, o ministro Cristiano Zanin deu 48 horas para a Anatel, a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República se manifestarem. TSE e o Comitê Gestor da Internet (CGI.br) foram notificados e podem responder. Da Anatel, Zanin pediu dados técnicos e de custo.

Para justificar a pressa, Zanin citou a relevância do tema, a proximidade do primeiro turno e o fato de as medidas atingirem operadoras que não são parte do processo, segundo a Agência Brasil.

O nó: o "zero rating"

O nome técnico do problema é zero rating. É o acordo comercial em que a operadora deixa alguns aplicativos funcionando de graça, mesmo sem franquia. Os mais comuns são WhatsApp e Instagram.

A ação diz que, quando o pacote acaba, a navegação geral é bloqueada e só os aplicativos patrocinados continuam. Para o eleitor, isso significa receber corrente política no WhatsApp e não conseguir abrir uma página para conferir.

A Mobile Time dá o tamanho do público exposto: 66% da população usa plano pré-pago, o tipo de plano que corta a navegação quando os dados acabam e não há recarga.

O que ainda não se sabe

A decisão ainda não obriga ninguém a nada. A TeleSíntese registra que, por enquanto, Zanin só está colhendo informações antes de decidir o pedido de liminar.

A Anatel não quis comentar à Mobile Time. A Conexis, que representa Claro, Vivo, TIM, Algar e Sercomtel, não respondeu até a publicação daquela reportagem. Até a manhã de 26 de setembro, eu não encontrei a resposta da Anatel ao STF publicada em nenhum veículo.

O que você faz se o pedido não passar

Três providências simples para a semana da eleição.

  1. Guarde crédito para os dias 1º a 5 de outubro. Se o pacote estiver no fim, recarregue antes.
  2. Consulte seu local de votação com antecedência, enquanto ainda tem dados ou Wi-Fi.
  3. Recebeu algo sobre a eleição pelo WhatsApp e não consegue abrir outra fonte? Não repasse. Espere até conseguir conferir.

A resposta

O WhatsApp continua funcionando quando o pacote acaba porque a operadora fez acordo com a dona do aplicativo. O resto da internet para. A ação no STF quer que, nos dias da eleição, nada pare. A palavra final depende da resposta da Anatel e da decisão de Zanin, que podem sair antes do dia 4.

Fontes desta materia

  1. Agência Brasil, Zanin pede manifestação da Anatel sobre acesso à internet nas eleições
  2. Mobile Time, STF pede que Anatel, AGU e PGR se manifestem sobre Internet móvel gratuita nas eleições
  3. TeleTime, Zanin questiona Anatel sobre garantia de franquias de Internet nas eleições
  4. Correio Braziliense, Zanin dá 48 horas para Anatel e órgãos se manifestarem sobre internet nas eleições
  5. TeleSíntese, Zanin dá 48 horas para Anatel explicar internet móvel nas eleições