A revolta dos alunos do ensino médio na França teve, em 30 de setembro de 2026, este saldo: 625 pessoas detidas, 83 policiais feridos e 356 escolas atingidas, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, em números divulgados pela agência australiana AAP. A mesma agência relatou escolas depredadas, incêndios criminosos e carros de professores queimados.
Por que os alunos protestam?
Falta professor, a sala tem de 32 a 35 alunos e os prédios estão velhos, alguns com sala a 40 graus no calor. O movimento começou em setembro, na região de Paris.
O presidente Emmanuel Macron disse que as queixas são legítimas, mas que nada justifica a violência. Segundo a AAP, ele afirmou que a violência "vem antes de tudo de quem empurrou e chutou professores".
Até onde chegou?
Os números cresceram a cada dia:
| Data | O que aconteceu | Fonte |
|---|---|---|
| 30/9 | 625 detidos, 356 escolas atingidas | ministro Nuñez, via AAP |
| 1º/10 | 1.949 detidos, 1.027 escolas atingidas, 305 policiais feridos | Ministério do Interior, via Wikipedia |
| 5/10 | 24 escolas "queimadas ou saqueadas" desde o início | ministro da Educação, Édouard Geffray |
| 6/10 | mais de 250 mil na rua e cerca de 6.100 presos desde o começo | TIME |
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu contou ao Parlamento pelo menos 215 adolescentes, 85 funcionários de escola e mais de 700 policiais feridos. Em 5 de outubro, um garoto de 15 anos perdeu a mão ao pegar uma granada da polícia no norte do país, segundo a TIME.
Quem está por trás?
O gabinete de Lecornu disse em 1º de outubro que a inteligência francesa via ali "uma operação organizada pela LFI e seus aliados da extrema esquerda". A LFI, partido de Jean-Luc Mélenchon, negou. O ministro Geffray disse que o movimento foi "sequestrado por grupos ultraviolentos".
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, mandou os promotores cobrarem dos pais os danos causados pelos filhos.
Chegou à Bélgica e à Itália?
Chegou, em escala menor. Na Bélgica, o protesto começou em Liège em 1º de outubro. A polícia local contou 107 detidos até 6 de outubro, segundo a agência Belga, e houve atos em Bruxelas, Mons e Verviers. As queixas belgas são outras: cortes do governo regional na educação.
Na Itália, dois colégios de Turim foram ocupados em 5 de outubro e houve assembleias em Roma no dia 6, segundo o site Open, a única fonte que li sobre a Itália. O coletivo Osa chamou os alunos a "fazer como na França". O Open não registrou violência.

O que isso tem a ver com o Brasil?
O Brasil já viu escolas tomadas por alunos. Em outubro de 2016, secundaristas ocuparam escolas contra a PEC do teto de gastos e a reforma do ensino médio do governo Michel Temer.
A Ubes, a entidade que liderava o movimento, falava em 1.177 locais ocupados em 31 de outubro. Só no Paraná, a Ubes contava 843 escolas, e o governo estadual, 491. O MEC chegou a ameaçar cancelar o Enem nos locais ocupados, segundo o Congresso em Foco.








