Revista De Castro

Notícias / 27 de setembro de 2026

Eu fui checar

Flávio pede a prisão de um coordenador da Secom por repost sobre a padroeira. O governo chama de arbitrário

A defesa de Flávio Bolsonaro pediu prisão preventiva e busca e apreensão contra George Marques da Silva e Silva, coordenador da Secretaria de Comunicação da Presidência, por repostagens sobre o boato de Nossa Senhora Aparecida. A Secom diz que ele agiu em perfil pessoal. Eu fui checar quem é, o que foi pedido e o que ainda falta decidir.

Publicado
27 de setembro de 2026
Atualizado
27 de setembro de 2026
Editoria
Notícias
Leitura
3 min
Fontes
7 citadas
Flávio Bolsonaro em entrevista no Senado. Ton Molina / Agência Senado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Flávio Bolsonaro em entrevista no Senado. Ton Molina / Agência Senado / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, pediu a prisão preventiva de George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). O motivo: repostagens dele no X sobre o boato de que Flávio queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A Secom respondeu no sábado, 26 de setembro de 2026, que o servidor agiu em perfil pessoal e chamou o pedido de "injusto e arbitrário".

O que foi repostado?

Segundo a Gazeta Brasil e o Diário do País, George Marques compartilhou uma mensagem que pedia às pessoas que parassem de divulgar a retratação e continuassem espalhando a versão de que a santa tinha sido atacada. O boato já tinha sido corrigido e levado ao TSE, que mandou apagar as publicações. A cronologia está em O boato da padroeira passou na GloboNews.

Eu não reproduzo o texto da mensagem, porque ele repete o conteúdo que a Justiça Eleitoral mandou remover.

O que a defesa de Flávio pede?

PedidoFonte
Prisão preventiva do servidortodas as consultadas
Busca e apreensãoGazeta Brasil, Diário do País, ContraFatos
Preservação do conteúdo da conta no X, inclusive posts apagadosGazeta Brasil, Diário do País

Os crimes apontados na peça, segundo a Gazeta Brasil e o Diário do País: divulgação de fatos sabidamente inverídicos em campanha, incitação ao crime e associação criminosa. O Diário do País informa que assinam o pedido os advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro.

George Marques não é réu nem investigado formalmente. Há um pedido, e ninguém decidiu sobre ele até a publicação desta nota, segundo o Diário Carioca.

Onde o pedido foi feito?

Aqui as fontes divergem. Jornal de Brasília, Diário da Região e ContraFatos dizem que a representação foi ao Ministério Público Eleitoral. Gazeta Brasil e Diário do País falam em plantão da Justiça Eleitoral. A data também varia: o Jornal de Brasília diz sexta-feira, 25 de setembro; os demais, sábado, 26.

O que diz o governo?

A Secom mandou nota à imprensa no sábado. Os trechos, reproduzidos pelo Brasil 247:

  • "As alegações formuladas pelo candidato Flávio Bolsonaro não procedem."
  • "Causa especial estranheza e indignação o pedido injusto e arbitrário de prisão de um cidadão brasileiro"
  • A manifestação "ocorreu em caráter estritamente pessoal, por meio de perfil particular, fora do horário de expediente", e com equipamento próprio, segundo a Gazeta Brasil.
  • "O Governo Federal reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e de religião de todos os brasileiros" e "manifesta repúdio e profunda preocupação com o patrulhamento e a censura impostos à população nesse episódio".

A nota não diz se o servidor continua no cargo, e eu não encontrei essa informação em nenhuma das reportagens.

Perguntas sobre o caso

Quem é o servidor da Secom?

George Marques da Silva e Silva, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

O servidor foi preso?

Não. Há um pedido de prisão preventiva feito pela defesa de Flávio Bolsonaro, sem decisão até a publicação desta nota.

O que a Secom alega?

Que ele repostou em perfil pessoal, fora do expediente e com equipamento próprio, e que o pedido de prisão é injusto e arbitrário.

Quais crimes a defesa de Flávio aponta?

Divulgação de fatos sabidamente inverídicos em campanha, incitação ao crime e associação criminosa.

Fontes desta materia

  1. Jornal de Brasília, Flávio pede prisão de coordenador da Secom por incentivar fake news sobre Nossa Senhora Aparecida
  2. Gazeta Brasil, Campanha de Flávio Bolsonaro pede prisão de servidor da Secom
  3. Diário do País, Flávio Bolsonaro pede prisão de servidor da Secom
  4. Diário da Região, Flávio pede prisão de coordenador da Secom
  5. ContraFatos, Flávio Bolsonaro pede prisão de servidor da Secom
  6. Brasil 247, Secom repudia pedido de prisão de servidor feito por Flávio Bolsonaro
  7. Diário Carioca, Secom reage a pedido de prisão de servidor por Flávio