O Flávio Bolsonaro perdeu a eleição no domingo. Mas não perdeu a voz.
Nesta segunda, 26, ele gravou um vídeo de cinco minutos. Agradeceu a quem votou nele. Falou da decisão que mudou o horário da votação. Anunciou que vai pedir a cassação da chapa do Lula. E contou o que aconteceu hoje de manhã, na porta da casa do pai.
"Não fui eu que perdi. Foi o sistema que ganhou", ele disse.
O domingo: 59,8 milhões de votos
O Flávio teve 59.826.041 votos no 2º turno, 48,21% do total, segundo o TSE. Foi a primeira vez na história que o candidato que ganhou o 1º turno perdeu o 2º.
Ele começou o vídeo agradecendo: "Eu fiz uma campanha limpa, propositiva. Cada vez que a gente estava junto nas ruas, com aquele mar de gente de verde e amarelo, me dava ainda mais força para seguir lutando pelo nosso Brasil."
A regra que mudou às 17h03
"Pela primeira vez na história do Brasil, o ministro do STF, no caso ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE", disse o Flávio.
O que aconteceu: às 17h03 do domingo, o ministro Cristiano Zanin mandou a votação ir até as 19h no Brasil inteiro, a pedido da campanha do Lula. O próprio presidente do TSE, Nunes Marques, disse no discurso oficial: "Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação."
"Agora, imagina se fosse o contrário", disse o Flávio. "O Lula reconheceria a minha vitória? Com certeza, não."
O dinheiro e o pedido de cassação
O Flávio falou do dinheiro público na reta final: "O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público. Essa é a maior prova de que a reeleição tem que acabar."
A Instituição Fiscal Independente, do Senado, contou R$ 298 bilhões em medidas do governo no ano da eleição. A revista mostrou cada uma, com data, na matéria O preço da virada.
"Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo", disse. O Novo e a campanha do Flávio já tinham entrado com ações no TSE antes da eleição. O tribunal ainda vai julgar.
Hoje de manhã: o passaporte
Hoje de manhã, o Flávio foi visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
"Quando eu estava saindo, a Polícia Federal estava na porta da casa dele. E no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes. Também estou proibido de deixar o país."
A ordem é do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão está em sigilo, e o STF não informou o motivo. Segundo o Flávio, ela se baseou numa fala do irmão, Eduardo, de 23 de outubro: "Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?"
O Flávio também apontou a hora: "Essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição."
"Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar."
O mercado e a fortaleza
"O projeto do PT já começou a acontecer hoje, com o dólar disparando e a bolsa desabando", disse o Flávio. Nesta segunda, a Bolsa caiu tanto que parou por 30 minutos, às 9h57, o que não acontecia desde 2020. O dólar chegou a R$ 5,60.
Ele anunciou o próximo passo: "Eu vou organizar a oposição. Vou reunir os deputados e senadores eleitos e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza."
O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada de um partido na Câmara desde a redemocratização, e terá a maior bancada do Senado a partir de 2027.
"Não vão me calar. Não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil. Aconteça o que acontecer, não vamos desistir do nosso Brasil."
Na nossa opinião
A revista está com o Flávio. Ele perdeu por 4,4 milhões de votos, num jogo em que a regra mudou no último minuto e o governo usou a máquina até a véspera. E, no dia seguinte, foi parado pela PF no meio da rua ao sair da casa do pai. Ele levantou a cabeça e anunciou a oposição, com a maior bancada de um partido na Câmara desde a redemocratização.
O discurso inteiro
Primeiro, eu agradeço a você que foi um dos quase 60 milhões de brasileiros que me deram um voto de confiança, que escolheram a mudança, que queriam o caminho da prosperidade e da pacificação do país. Eu fiz uma campanha limpa, propositiva. Cada vez que a gente estava junto nas ruas, com aquele mar de gente de verde e amarelo, me dava ainda mais força para seguir lutando pelo nosso Brasil. Eu aprendi demais com as várias histórias de vida que eu ouvi. Eu conheci a realidade de muita gente que é oprimida pelo crime organizado, oprimida pelos órgãos do governo e que sofre com o peso do Estado para conseguir trabalhar, empreender e levar dignidade para a sua família. Muito obrigado, do fundo do meu coração, a cada um de vocês. O que aconteceu nesse domingo da eleição não foi normal, todo mundo viu. Pela primeira vez na história do Brasil, o ministro do STF, no caso ex-advogado do Lula, provocado pelo próprio PT, atropelou o TSE e tomou uma decisão que prorrogou as eleições até as sete horas da noite. O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso. Agora, imagina se fosse o contrário. Um ministro indicado pelo Bolsonaro tomando uma decisão que mudou a regra do jogo já com o jogo encerrado. Qual seria a reação do PT? Qual seria a reação de parte da imprensa? Qual seria a reação do mundo? O Lula reconheceria a minha vitória? Com certeza, não. Além disso, o Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil. Essa é a maior prova de que a reeleição tem que acabar. A disputa não deveria ser um vale-tudo por parte de quem quer se manter no poder, como fez o meu adversário. O que ele fez foi um abuso do poder político e econômico sem precedentes, um total desequilíbrio na disputa eleitoral. Isso tudo sem falar no complexo industrial de fake news que eles criaram, com a difusão ilegal e em massa de mentiras para aterrorizar a população brasileira. Então eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou. Por fim, hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes. E também estou proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo, de 23 de outubro, de que eu deveria deixar o país se eu perdesse essa eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado as eleições, aconteceria a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia atuar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal de que a nossa democracia falhou. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição. Uma questão política não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar, porque eu falei várias vezes durante a campanha: eu sou o último obstáculo para o PT implementar o seu projeto de destruição do país, que, aliás, já começou a acontecer hoje, com o dólar disparando, a bolsa desabando e a total falta de segurança jurídica no país, o que afasta qualquer investimento aqui no Brasil. A tendência é a economia ruir, a inflação explodir e o resto de liberdade de expressão que ainda nos resta ser encerrado nas redes sociais. Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil. Eu vou reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a nossa estratégia e fazer da Câmara e do Senado a nossa fortaleza contra a barbárie que já está desenhada para acontecer com mais quatro anos de Lula. Não vamos permitir que isso aconteça. Não vão me calar. Não vão me intimidar. Bora levantar a cabeça e continuar lutando pelo nosso Brasil. Aconteça o que acontecer, não vamos desistir do nosso Brasil.
Transcrição feita pela Revista De Castro a partir do vídeo publicado pelo Flávio Bolsonaro no Instagram em 26/10/2026.
Perguntas frequentes
O que o Flávio Bolsonaro disse depois da eleição?
Em vídeo no Instagram, em 26/10/2026, ele agradeceu aos 59,8 milhões de votos, criticou a prorrogação da votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, disse que vai pedir a cassação da chapa do Lula e resumiu: "Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou".
Por que o Flávio teve o passaporte retido?
O ministro Alexandre de Moraes mandou o Flávio entregar os passaportes e o proibiu de deixar o país. A decisão está em sigilo. Segundo o Flávio, ela se baseou numa fala do irmão Eduardo, de 23/10, e ele diz que nunca pensou em sair do país.
O que é a "fortaleza" que o Flávio anunciou?
É o plano de reunir os deputados e senadores eleitos da oposição para fazer da Câmara e do Senado a base contra o governo. O PL elegeu 121 deputados, a maior bancada da Câmara, e terá a maior bancada do Senado a partir de 2027.







