Em junho de 2026, Dolly Parton estava doente. Levantou da cama, foi ao microfone e cantou uma música que ela mesma tinha oferecido ao U2.
Dois meses depois, em 25 de agosto, morreu aos 80 anos.
Na quinta-feira, 24 de setembro, Bono contou a história à Rolling Stone. A gravação se chama "Torn" e fecha "Carnaval de Luz", o disco que o U2 lança em 13 de novembro.
O que Bono contou
As frases saíram na entrevista à Rolling Stone e foram reproduzidas por ABC News, Taste of Country e Just Jared no mesmo dia.
Sobre a doença, Bono disse que, quando ela adoeceu, "saiu da cama para cantar essa música". Sobre a voz: "Ela cantou com o coração, e eu não consigo acreditar que aquilo é uma mulher de 80 anos". Sobre hoje: "Eu nem consigo ouvir agora".
As traduções são minhas. O original em inglês está nas três reportagens listadas nas fontes.
O produtor do disco, Garret "Jacknife" Lee, acrescentou o dado que muda o peso da história. Dolly ouviu e aprovou a mixagem final. Segundo ele, ela ficou "muito orgulhosa" da própria voz e da gravação (Taste of Country, ABC News).
Como a música chegou ao U2
A ideia inicial era outra. Bono propôs a Dolly um projeto paralelo inspirado no folk irlandês. Ela recusou com uma frase que o Taste of Country registrou: aquilo era "um pouco irlandês demais" para ela.
Em troca, ofereceu uma canção própria, "Torn".
Bono e Johnny McDaid, do Snow Patrol, reescreveram a letra em torno de uma mãe que assiste à família se partir. Dolly aceitou cantar essa versão. A composição é creditada ao U2, a Dolly e a McDaid. Daniel Lanois toca pedal steel na faixa (Just Jared).
Não reproduzo trecho da letra: ela ainda nem foi lançada, e letra de música tem dono.
Os últimos meses de Dolly
A saúde dela virou notícia um ano antes. Dolly adiou e depois cancelou a residência de seis shows no Caesars Palace, em Las Vegas, marcada para dezembro de 2025 (Wikipédia).
O marido, Carl Dean, tinha morrido em 2025. Em 7 de março daquele ano, ela lançou "If You Hadn't Been There" como homenagem a ele.
A última aparição pública registrada foi em junho de 2026, na inauguração de um posto de estrada em Cornersville, no Tennessee. É o mesmo mês da gravação de "Torn".
Ela morreu em 25 de agosto no Vanderbilt-Ingram Cancer Center, em Nashville. O anúncio veio num vídeo do sobrinho, Bryan Seaver, no perfil oficial dela (Observador). A equipe disse à revista People que Dolly enfrentou "uma breve batalha contra o câncer" (O Tempo). O tipo de câncer não foi divulgado.
Os números de uma carreira
| Dado | Número |
|---|---|
| Nascimento | 19 de janeiro de 1946, numa cabana de um cômodo em Pittman Center, Tennessee |
| Singles no topo da parada country | 25 |
| Grammys | 11 |
| Discos vendidos | mais de 160 milhões |
| Livros doados pela Imagination Library | mais de 150 milhões |
Fontes: Observador e Wikipédia.
O disco que ela fecha
"Carnaval de Luz" é o 16º disco de estúdio do U2 e o primeiro de inéditas em nove anos. Tem 12 faixas e produção de Jacknife Lee (CNN Brasil).
Brian Eno aparece como coautor e nos sintetizadores. Martin Garrix também assina composições. Ryan Tedder fez produção adicional. O TMDQA registra que a banda gravou na Cidade do México, em maio de 2026, e que o disco foi apresentado por singles como "Street of Dreams", "Fireflies", com Garrix, e "Silencio", lançado em 24 de setembro.
A CNN Brasil resume os temas: espiritualidade, amizade, liberdade e resistência.
O dia em que a banda fez 50 anos
O anúncio não caiu numa data qualquer.
Em 25 de setembro de 1976, os quatro se reuniram pela primeira vez na cozinha de Larry Mullen Jr., em Dublin. Ele tinha pregado no mural da escola Mount Temple um aviso: baterista procura músicos para formar banda (CNN Brasil). Antes de virar U2, o grupo se chamou Feedback e depois The Hype.
Na sexta-feira, 25 de setembro de 2026, exatamente 50 anos depois, o U2 voltou ao pátio da Mount Temple. Tocou para cerca de mil alunos e funcionários. Em "One", teve a companhia de 32 músicos de cordas do programa Music Generation, um para cada condado da Irlanda (CNN Brasil).
São 22 Grammys e mais de 170 milhões de discos vendidos em cinco décadas.
O que joga contra, e entra
"Última gravação é jogada de marketing." A expressão vem da produção e da imprensa americana, e eu escrevo "a última gravação conhecida". O que dá para cobrar é o que está documentado: a data da gravação (junho), a aprovação da mixagem por ela e a morte em agosto.
"Por que o nome em português, ou espanhol?" Nenhuma das reportagens que eu li explica. A gravação na Cidade do México é o único fio, e não passa de pista. Fica como NÃO CONFIRMADO até a banda falar.
"O U2 vem ao Brasil?" Não há turnê anunciada. Nenhuma das fontes menciona datas.
"Dolly já estava doente e mesmo assim fizeram ela cantar?" Segundo Bono, foi ela quem saiu da cama para gravar. Segundo o produtor, ela aprovou o resultado e ficou orgulhosa. Não há relato de pressão da banda.
A resposta
Qual foi a última coisa que Dolly Parton cantou? Pelo que está documentado até hoje, uma canção dela mesma, reescrita por um irlandês, sobre uma família que se desfaz.
Ela gravou doente, em junho. Ouviu o resultado. Gostou. E deixou para o U2 a tarefa de lançar em novembro, no ano em que a banda completa meio século.
Bono diz que ainda não consegue ouvir. O público vai poder em 13 de novembro.







