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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 10 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) dar parecer sobre o pedido do Jair Bolsonaro para rever a condenação. Depois disso, o caso vai ao plenário do STF. E a lei permite até anular o processo.
Ao mesmo tempo, segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articula um perdão ao Bolsonaro: um indulto ou uma anistia.
São dois caminhos, e os dois andaram esta semana. Mais abaixo, eu deixei os dois lado a lado, com o que a lei diz de cada um.
O que aconteceu?

O despacho do Nunes Marques foi assinado na segunda-feira (26), segundo o jornal O Globo, e veio a público nesta quarta (28). Ele mandou o processo ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um parecer. Parecer é a opinião técnica da PGR antes da decisão.
O prazo de 10 dias está na lei. O Código de Processo Penal diz, no artigo 625: "Se o requerimento não for indeferido in limine, abrir-se-á vista dos autos ao procurador-geral, que dará parecer no prazo de dez dias."
O que é revisão criminal?
É pedir para a Justiça olhar de novo uma condenação que já não tem mais recurso. Segundo o O Globo, ela "permite questionar condenações definitivas em hipóteses específicas previstas na legislação, como a existência de provas novas ou a demonstração de erro judiciário".
Em palavras de casa: é a porta que sobra no fim do processo.
O que o STF pode fazer?
A resposta está no artigo 626 do Código de Processo Penal:
"Julgando procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o processo. Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão revista."
Traduzindo, se o STF aceitar o pedido, pode:
- absolver, ou seja, declarar inocente;
- diminuir a pena;
- mudar o crime pelo qual ele foi condenado;
- anular o processo.
E tem uma garantia: a pena nunca pode aumentar.
Quem decide e quando?
Quem decide é o plenário do STF, com todos os ministros. No início de outubro, a assessoria do Nunes Marques disse ao O Globo: "O caso ainda está pendente de parecer da PGR, mas, quando estiver pronto para julgamento, o ministro pretende levar ao plenário, que é o órgão competente."
Quem marca a data é o presidente do STF, Edson Fachin. Até a publicação desta matéria, não havia data.
Quem é o relator?

O relator é o ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a Agência Brasil, ele virou relator por ser da Segunda Turma do STF. O Bolsonaro foi julgado pela Primeira. Ou seja: o Nunes Marques não votou na condenação.
Por que só agora?
O O Globo já tinha mostrado que o ministro "havia decidido deixar a análise do pedido de Bolsonaro para depois do segundo turno, realizado no último domingo, para evitar que uma eventual decisão interferisse na disputa eleitoral".
O segundo turno foi no domingo (25). O despacho saiu na segunda (26).
O que a defesa diz?
Segundo a Agência Brasil, a defesa aponta falhas no processo, como o cerceamento de defesa pela falta de acesso a todo o material da investigação e a falta de parecer da PGR em alguns procedimentos. Cerceamento de defesa é quando a defesa não consegue trabalhar direito: é defesa de mãos amarradas.
A condenação
Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado. O placar foi de 4 votos a 1, segundo a Agência Brasil. Hoje ele está em prisão domiciliar, ou seja, preso em casa.
O caminho no STF, passo a passo
11/09/2025Fato
A Primeira Turma condena o Bolsonaro a 27 anos e 3 meses.
Setembro de 2026Fato
A defesa pede a revisão criminal, segundo a Agência Brasil.
Início de outubroFato
A assessoria do relator diz que o caso irá ao plenário.
Domingo (25/10)Fato
Segundo turno da eleição.
Segunda (26/10)Documento
O relator assina o despacho: 10 dias para a PGR.
Próximo passoFato
Parecer da PGR. Depois, o relator libera o caso e o presidente do STF marca a data.
O segundo caminho passa pelo Senado

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, "vai propor um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando do Senado". A Folha cita dois aliados dele. O SBT News também noticiou a articulação. Até a publicação desta matéria, a revista não encontrou negação do Alcolumbre.
Segundo a Folha, o plano tem duas etapas. Primeiro, ele vai conversar com o Lula para defender um indulto humanitário, depois que a eleição "decantar", ou seja, depois que a poeira baixar. Se o Lula não concordar, ele vai trabalhar por uma anistia no Congresso.
O que ele quer em troca?
Segundo a Folha, duas coisas:
- os votos da direita para continuar presidente do Senado, numa eleição que acontece em fevereiro de 2027;
- o compromisso de que a direita "não pressionaria mais pelo impeachment dos ministros do STF", com foco numa reforma do Judiciário.
Impeachment é tirar do cargo. Segundo a mesma reportagem, ao menos 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendem o impeachment. São necessários 54 votos.
Impeachment de ministro do STF no Senado, em votos
Fonte: Folha de S.Paulo, 28/10/2026
Indulto ou anistia: qual a diferença?

- Indulto é o perdão da pena dado pelo presidente da República.
- Anistia é uma lei aprovada pelo Congresso que apaga a punição. Como toda lei, precisa da sanção do presidente, ou seja, da assinatura dele.
Por isso, os dois caminhos do Senado passam pelo Lula.
E se o Lula vetar?

Se o Lula vetar uma anistia, o veto volta ao Congresso. A Constituição diz, no artigo 66: "O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores."
Maioria absoluta é mais da metade de todos os membros: 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.
Os dois caminhos, lado a lado
| Caminho | Onde | Quem decide | O que falta |
|---|---|---|---|
| Revisão criminal | STF | O plenário do STF | Parecer da PGR em 10 dias e a data do julgamento |
| Indulto | Palácio do Planalto | O presidente Lula | A conversa que o Alcolumbre quer ter com ele |
| Anistia | Congresso | Deputados e senadores, com a sanção do Lula | Um projeto aprovado; se houver veto, 257 deputados e 41 senadores para derrubar |
A resposta
Opinião da Revista De Castro. 27 anos de pena merecem um novo olhar. A lei prevê esse novo olhar, e a pena não pode aumentar. A porta está aberta. Agora, são 10 dias de espera pela PGR e, depois, o plenário.
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Perguntas que chegam nos comentários
A condenação do Bolsonaro pode ser anulada?
A lei permite. Se o STF aceitar a revisão criminal, pode absolver, diminuir a pena, mudar o crime ou anular o processo (Código de Processo Penal, artigo 626).
Quando o STF vai julgar?
Ainda não há data. Primeiro, a PGR tem 10 dias para dar parecer. Depois, o presidente do STF, Edson Fachin, marca o julgamento no plenário.
A pena do Bolsonaro pode aumentar na revisão?
Não. A lei diz que a pena não pode ser agravada.
O Alcolumbre vai dar anistia ao Bolsonaro?
Segundo a Folha, ele vai propor um indulto ao Lula e, se não der, trabalhar por uma anistia no Congresso. As duas dependem do Lula.
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