ÚLTIMA HORAURGENTE: aliado de Trump diz que operação dos EUA tirou o Flávio do Brasil
Revista De Castro

Notícias / 28 de outubro de 2026

Urgente

A condenação do Bolsonaro pode cair?

O ministro Kassio Nunes Marques, relator do pedido de revisão criminal do Bolsonaro no STF, deu 10 dias para a PGR dar parecer. Depois, o caso vai ao plenário. No Senado, segundo a Folha, Davi Alcolumbre articula um indulto ou uma anistia. Aqui estão os dois caminhos e o que a lei diz de cada um.

Publicado
28 de outubro de 2026
Atualizado
28 de outubro de 2026
Editoria
Notícias
Leitura
7 min
Fontes
9 citadas

Ouvir a matéria

Jair Bolsonaro com a bandeira ao fundo, no Palácio do Planalto, 06/03/2020. Carolina Antunes/PR, CC BY 2.0
Jair Bolsonaro com a bandeira ao fundo, no Palácio do Planalto, 06/03/2020. Carolina Antunes/PR, CC BY 2.0

Entrar na comunidade De Castro →A notícia urgente chega lá primeiro, antes de todo mundo.

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 10 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) dar parecer sobre o pedido do Jair Bolsonaro para rever a condenação. Depois disso, o caso vai ao plenário do STF. E a lei permite até anular o processo.

Ao mesmo tempo, segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, articula um perdão ao Bolsonaro: um indulto ou uma anistia.

São dois caminhos, e os dois andaram esta semana. Mais abaixo, eu deixei os dois lado a lado, com o que a lei diz de cada um.

O que aconteceu?

Fachada do STF em Brasília, 29/05/2012. Daderot, CC0

O despacho do Nunes Marques foi assinado na segunda-feira (26), segundo o jornal O Globo, e veio a público nesta quarta (28). Ele mandou o processo ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um parecer. Parecer é a opinião técnica da PGR antes da decisão.

O prazo de 10 dias está na lei. O Código de Processo Penal diz, no artigo 625: "Se o requerimento não for indeferido in limine, abrir-se-á vista dos autos ao procurador-geral, que dará parecer no prazo de dez dias."

O que é revisão criminal?

É pedir para a Justiça olhar de novo uma condenação que já não tem mais recurso. Segundo o O Globo, ela "permite questionar condenações definitivas em hipóteses específicas previstas na legislação, como a existência de provas novas ou a demonstração de erro judiciário".

Em palavras de casa: é a porta que sobra no fim do processo.

O que o STF pode fazer?

A resposta está no artigo 626 do Código de Processo Penal:

"Julgando procedente a revisão, o tribunal poderá alterar a classificação da infração, absolver o réu, modificar a pena ou anular o processo. Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser agravada a pena imposta pela decisão revista."

Traduzindo, se o STF aceitar o pedido, pode:

  • absolver, ou seja, declarar inocente;
  • diminuir a pena;
  • mudar o crime pelo qual ele foi condenado;
  • anular o processo.

E tem uma garantia: a pena nunca pode aumentar.

Quem decide e quando?

Quem decide é o plenário do STF, com todos os ministros. No início de outubro, a assessoria do Nunes Marques disse ao O Globo: "O caso ainda está pendente de parecer da PGR, mas, quando estiver pronto para julgamento, o ministro pretende levar ao plenário, que é o órgão competente."

Quem marca a data é o presidente do STF, Edson Fachin. Até a publicação desta matéria, não havia data.

Quem é o relator?

Kassio Nunes Marques discursa na posse como presidente do TSE, 12/05/2026. Luiz Roberto/TSE, domínio público

O relator é o ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a Agência Brasil, ele virou relator por ser da Segunda Turma do STF. O Bolsonaro foi julgado pela Primeira. Ou seja: o Nunes Marques não votou na condenação.

Por que só agora?

O O Globo já tinha mostrado que o ministro "havia decidido deixar a análise do pedido de Bolsonaro para depois do segundo turno, realizado no último domingo, para evitar que uma eventual decisão interferisse na disputa eleitoral".

O segundo turno foi no domingo (25). O despacho saiu na segunda (26).

O que a defesa diz?

Segundo a Agência Brasil, a defesa aponta falhas no processo, como o cerceamento de defesa pela falta de acesso a todo o material da investigação e a falta de parecer da PGR em alguns procedimentos. Cerceamento de defesa é quando a defesa não consegue trabalhar direito: é defesa de mãos amarradas.

A condenação

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou o Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado. O placar foi de 4 votos a 1, segundo a Agência Brasil. Hoje ele está em prisão domiciliar, ou seja, preso em casa.

O caminho no STF, passo a passo

  1. 11/09/2025Fato

    A Primeira Turma condena o Bolsonaro a 27 anos e 3 meses.

  2. Setembro de 2026Fato

    A defesa pede a revisão criminal, segundo a Agência Brasil.

  3. Início de outubroFato

    A assessoria do relator diz que o caso irá ao plenário.

  4. Domingo (25/10)Fato

    Segundo turno da eleição.

  5. Segunda (26/10)Documento

    O relator assina o despacho: 10 dias para a PGR.

  6. Próximo passoFato

    Parecer da PGR. Depois, o relator libera o caso e o presidente do STF marca a data.

O segundo caminho passa pelo Senado

Davi Alcolumbre preside sessão do Senado, 28/10/2026. Ton Molina/Agência Senado, CC BY-SA 4.0

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, "vai propor um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando do Senado". A Folha cita dois aliados dele. O SBT News também noticiou a articulação. Até a publicação desta matéria, a revista não encontrou negação do Alcolumbre.

Segundo a Folha, o plano tem duas etapas. Primeiro, ele vai conversar com o Lula para defender um indulto humanitário, depois que a eleição "decantar", ou seja, depois que a poeira baixar. Se o Lula não concordar, ele vai trabalhar por uma anistia no Congresso.

O que ele quer em troca?

Segundo a Folha, duas coisas:

  • os votos da direita para continuar presidente do Senado, numa eleição que acontece em fevereiro de 2027;
  • o compromisso de que a direita "não pressionaria mais pelo impeachment dos ministros do STF", com foco numa reforma do Judiciário.

Impeachment é tirar do cargo. Segundo a mesma reportagem, ao menos 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendem o impeachment. São necessários 54 votos.

Impeachment de ministro do STF no Senado, em votos

Senadores da nova legislatura que defendem49
Votos necessários (dois terços)54

Fonte: Folha de S.Paulo, 28/10/2026

Indulto ou anistia: qual a diferença?

Plenário do Senado visto de cima, 19/08/2025. Jonas Pereira/Agência Senado, CC BY-SA 4.0

  • Indulto é o perdão da pena dado pelo presidente da República.
  • Anistia é uma lei aprovada pelo Congresso que apaga a punição. Como toda lei, precisa da sanção do presidente, ou seja, da assinatura dele.

Por isso, os dois caminhos do Senado passam pelo Lula.

E se o Lula vetar?

Fachada do Palácio do Planalto, 02/04/2020. Pedro França/Agência Senado, CC BY 2.0

Se o Lula vetar uma anistia, o veto volta ao Congresso. A Constituição diz, no artigo 66: "O veto será apreciado em sessão conjunta, dentro de trinta dias a contar de seu recebimento, só podendo ser rejeitado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados e Senadores."

Maioria absoluta é mais da metade de todos os membros: 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores.

Os dois caminhos, lado a lado

CaminhoOndeQuem decideO que falta
Revisão criminalSTFO plenário do STFParecer da PGR em 10 dias e a data do julgamento
IndultoPalácio do PlanaltoO presidente LulaA conversa que o Alcolumbre quer ter com ele
AnistiaCongressoDeputados e senadores, com a sanção do LulaUm projeto aprovado; se houver veto, 257 deputados e 41 senadores para derrubar

A resposta

Opinião da Revista De Castro. 27 anos de pena merecem um novo olhar. A lei prevê esse novo olhar, e a pena não pode aumentar. A porta está aberta. Agora, são 10 dias de espera pela PGR e, depois, o plenário.

Eu acho notícia quente assim todo dia. No meu workshop ao vivo, eu te ensino a transformar notícia quente em carrossel para o seu nicho. O workshop custa R$ 49. No primeiro lote, até domingo, fica por R$ 27.

Quero aprender no workshop →Ao vivo, sábado, 7 de novembro, das 10h às 15h.

Perguntas que chegam nos comentários

A condenação do Bolsonaro pode ser anulada?

A lei permite. Se o STF aceitar a revisão criminal, pode absolver, diminuir a pena, mudar o crime ou anular o processo (Código de Processo Penal, artigo 626).

Quando o STF vai julgar?

Ainda não há data. Primeiro, a PGR tem 10 dias para dar parecer. Depois, o presidente do STF, Edson Fachin, marca o julgamento no plenário.

A pena do Bolsonaro pode aumentar na revisão?

Não. A lei diz que a pena não pode ser agravada.

O Alcolumbre vai dar anistia ao Bolsonaro?

Segundo a Folha, ele vai propor um indulto ao Lula e, se não der, trabalhar por uma anistia no Congresso. As duas dependem do Lula.

O que é o código REVISAO22?

É o código do post da @revistadecastro. Quem comenta recebe no direct o link desta matéria.

Fontes desta materia

  1. O Globo (Mariana Muniz), 28/10/2026: Nunes Marques dá dez dias para PGR se manifestar sobre pedido de revisão da condenação de Bolsonaro
  2. Agência Brasil, 28/10/2026: Kassio pede à PGR parecer sobre revisão da pena de Bolsonaro
  3. R7, 28/10/2026: Nunes Marques dá 10 dias para PGR se manifestar sobre revisão criminal de Bolsonaro
  4. Folha de S.Paulo (Raphael Di Cunto), 28/10/2026: Alcolumbre planeja articular indulto ou anistia a Bolsonaro em busca de votos da direita
  5. SBT News (coluna do Túlio), 28/10/2026: Alcolumbre articula indulto a Bolsonaro
  6. Agência Brasil, 11/09/2025: STF condena Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão
  7. CNN Brasil, 28/10/2026: Jair Bolsonaro pede visita de presidente do PL
  8. Código de Processo Penal, artigos 625 e 626
  9. Congresso Nacional (normas.leg.br): Constituição Federal, artigo 66