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A Polícia Federal avalia pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) o bloqueio dos bens e do dinheiro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O objetivo, segundo o jornal O Globo, é pressionar o Flávio a voltar ao Brasil. Os próprios investigadores dão um nome a esse tipo de medida: asfixia financeira.
Asfixia é ficar sem ar. Aqui, é ficar sem dinheiro.
E amanhã, quinta-feira (29), à tarde, o Flávio fala pela primeira vez desde que saiu do Brasil, numa entrevista em Miami. Mais abaixo, eu deixei a rota da saída hora por hora e o artigo 53 da Constituição na íntegra.
O que a PF quer fazer?

Segundo o O Globo, a PF avalia três passos:
- pedir ao STF o bloqueio dos bens e do dinheiro do Flávio;
- pedir a prisão dele;
- rastrear a rota que ele usou para sair do país. Essa parte começou na terça.
Bloquear é congelar. A casa, o carro e a conta continuam existindo, mas o dono não pode vender, sacar nem transferir.
Até a publicação desta matéria, a revista não encontrou notícia de pedido feito nem de decisão do STF. A PF ainda estava avaliando.
Por que "asfixia"?
A frase está no O Globo: "Essa medida cautelar é uma estratégia conhecida entre os investigadores como 'asfixia financeira'". Medida cautelar é uma ordem dada antes do fim do processo.
A ideia é simples. Sem o próprio dinheiro, fica mais difícil viver fora do país. É apertar o bolso até a pessoa voltar.
Já tentaram isso antes?

Já. Em julho de 2025, segundo o O Globo, o ministro Alexandre de Moraes mandou bloquear os bens do Eduardo Bolsonaro, irmão do Flávio. O Eduardo já morava nos Estados Unidos.
E o Eduardo voltou? Não. Ele mora no Texas até hoje. Nesta quarta, foi até a Flórida com a esposa e os filhos para receber o irmão.
A escada da pressão
A pressão contra o Flávio, degrau por degrau
Domingo (25), 21h09Fato
O TSE confirma a reeleição do Lula.
Domingo (25), 21h16Fato
A PF pede ao STF o passaporte do Flávio: 7 minutos depois do resultado, segundo a colunista Malu Gaspar, do O Globo.
Segunda (26), de manhãFato
Agentes da PF entregam a ordem do Moraes: entregar os passaportes e não sair do país.
Terça (27)Fato
Acaba o prazo das 11h. Depois, a PF cancela o passaporte.
Quarta (28)Fato
A PF avalia pedir o bloqueio dos bens e a prisão, segundo o O Globo.
Primeiro, o passaporte. Depois, o documento cancelado. Agora, o bolso.
Pode prender um senador?
A PF também avalia pedir a prisão do Flávio. Mas, até a publicação desta matéria, não existia ordem de prisão contra ele. A CNN Brasil também registrou isso.

A Constituição tem uma regra para deputado e senador. Está no artigo 53. Desde a diplomação, eles só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável. Diplomação é o dia em que a Justiça Eleitoral entrega o documento que confirma a eleição.
- Flagrante é ser pego na hora.
- Inafiançável é crime sem direito a fiança. Racismo, tortura e tráfico de drogas são exemplos.
E tem mais: quando isso acontece, o Senado vota em até 24 horas se a prisão continua. Por isso, especialistas ouvidos pelo iG não concordam entre si sobre o que a lei permite no caso do Flávio.
O artigo 53, na íntegra
Este é o texto atual, como está no site oficial do Congresso (normas.leg.br):
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão. § 3º Recebida a denúncia contra Senador ou Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação. § 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela Mesa Diretora. § 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o mandato. § 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações. § 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados e Senadores, embora militares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Casa respectiva. § 8º As imunidades de Deputados ou Senadores subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas mediante o voto de dois terços dos membros da Casa respectiva, nos casos de atos praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que sejam incompatíveis com a execução da medida.
O parágrafo que importa hoje é o segundo. Em palavras de casa: senador só vai preso se for pego na hora, num crime grave. E quem decide se ele fica preso é o Senado.
A virada: a própria PF acha que não adianta
Agora vem a parte que muda tudo. Segundo o O Globo, os investigadores "consideram que a medida não terá efeito prático, uma vez que o governo do presidente Donald Trump já anunciou que autorizou a permanência dele nos EUA".
Ou seja: a própria PF acha que um pedido de prisão não traria o Flávio de volta.
O que disse o governo Trump?

Na terça, uma autoridade do Departamento de Estado disse ao Metrópoles: "O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos." O Departamento de Estado é o ministério que cuida das relações dos Estados Unidos com outros países. Visto é a licença para entrar e ficar no país.
Segundo o Estadão, quem cuida do caso é esse ministério, comandado pelo secretário de Estado Marco Rubio.

O próprio Trump falou com jornalistas nesta quarta. Segundo o SBT News, ele disse: "Bem, eu aprovaria. Acho que são pessoas boas. A eleição foi muito estranha, e eu achei terrível." Ainda segundo o SBT News, o Trump disse que não sabia onde o Flávio estava.
E quem ajudou na saída? Segundo pessoas próximas à família ouvidas pelo O Globo, foi o Eduardo quem conversou com autoridades americanas. Um aliado do Trump, o mexicano Simón Levy, diz que o mentor foi o Rubio, mas não mostrou prova, e o governo americano não confirmou. Eu contei essa parte em Operação dos EUA tirou o Flávio do Brasil?.
E a lista vermelha da Interpol?

Na terça, deputados do PT pediram ao Moraes que o nome do Flávio entre na difusão vermelha da Interpol. A Interpol é a organização que liga as polícias de 196 países. A difusão vermelha é um alerta pedindo que essas polícias localizem uma pessoa.
Mas, segundo o O Globo, isso só entra em jogo se o Moraes mandar prender. E "não significa detenção automática": quem decide se cumpre ou não é o país onde a pessoa está. No caso do Flávio, os Estados Unidos.
A rota, hora por hora
Este é o caminho que o Flávio fez, com a esposa e as duas filhas, da ponte de Foz do Iguaçu até Miami. Os horários são de Brasília.
Da ponte de Foz do Iguaçu ao pouso em Miami
Terça (27), 22h50Documento
Entra na Argentina pela Ponte Internacional Tancredo Neves, segundo a Direção de Migrações da Argentina.
Terça (27), 23h30Fato
Embarca num jatinho particular no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina.
Quarta (28), 0h22Fato
O jatinho decola rumo a Guayaquil, no Equador.
Quarta (28), 5h46Fato
Pousa em Guayaquil.
Quarta (28), 6h22Fato
Decola de novo, rumo a Miami. O voo não passa por cima do Brasil.
Quarta (28), 10h24Fato
Pousa no aeroporto de jatinhos de Opa-locka, em Miami.
Quanto tempo durou cada parte da viagem, em horas
Fontes: O Globo e G1, com dados da Direção de Migrações da Argentina
Da ponte até o pouso em Miami foram cerca de 11 horas e meia.
Amanhã, ele fala

Quem anunciou foi o Paulo Figueiredo, aliado do Eduardo, segundo a CNN Brasil. Ele disse que o Flávio "está bem, em segurança e descansando com a família". E que haverá "uma coletiva de imprensa na tarde de amanhã (quinta 29), em Miami, Florida, em horário e local a ser divulgado". Coletiva é uma entrevista para vários jornalistas ao mesmo tempo.
Segundo a Jovem Pan, o Eduardo também participa. Até a publicação desta matéria, o horário e o local não tinham sido divulgados. A revista vai acompanhar e atualizar esta página.
Antes de sair, na segunda, o Flávio gravou um vídeo. Chamou a decisão do Moraes de "aberração" e de "uma clara tentativa de me intimidar". Intimidar é meter medo.
A resposta
Opinião da Revista De Castro. Primeiro, o passaporte, sete minutos depois do resultado. Depois, o documento cancelado. Agora, o bolso. Isso tem nome: perseguição. A própria PF admite que prender não adiantaria. E o caso do Eduardo mostra que apertar o bolso também não trouxe ninguém de volta. Amanhã, quem fala é ele.
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Perguntas que chegam nos comentários
A PF já pediu o bloqueio dos bens do Flávio?
Até a publicação desta matéria, não havia notícia de pedido feito. Segundo o O Globo, a PF avalia o pedido.
O que é asfixia financeira?
É o nome que os investigadores dão ao bloqueio de bens e de dinheiro de uma pessoa, para pressionar essa pessoa.
O Flávio pode ser preso nos Estados Unidos?
Só se houver ordem de prisão e se os Estados Unidos aceitarem cumprir. Até agora não existe ordem, e o governo Trump disse que vai dar visto a ele e à família.
Quando o Flávio vai falar?
Na quinta-feira (29), à tarde, numa entrevista em Miami, segundo o aliado Paulo Figueiredo. Horário e local ainda não foram divulgados.
O que é o código ASFIXIA22?
É o código do post da @revistadecastro. Quem comenta recebe no direct o link desta matéria.







