Na quarta-feira, 14 de outubro, o Senado aprovou o fim da escala 6x1 por 75 votos a 1. Os dois turnos foram votados no mesmo dia, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pode promulgar a PEC antes do segundo turno. A direita votou a favor: ninguém é contra o trabalhador ter dois dias de folga. O problema é a pressa, e o preço que está sendo cobrado nos bastidores.
O presente de quem chegou pelo código: o pacote de véspera, data por data.
O pacote de véspera, data por data
Abril de 2026Fato
O Senado rejeita Jorge Messias, o indicado de Lula ao STF, com Alcolumbre à frente da votação. Lula e Alcolumbre ficam estremecidos.
13/10/2026Fato
Lula anuncia o Prospera MEI: perdão de dívidas e Pix de até R$ 5 mil, que dependem do Congresso e só valem em 2027.
13/10/2026Fato
Flávio anuncia voto a favor do fim da 6x1. Antes, tinha chamado a medida de oportunismo de Lula e defendido a proposta do PL.
14/10/2026Fato
O Senado aprova o fim da escala 6x1 por 75 a 1, em dois turnos no mesmo dia, com calendário especial.
14/10/2026Fato
A CCJ do Senado volta a votar a PEC da Segurança, que ficou parada por cinco meses. O plenário pode votar ainda esta semana.
15/10/2026Relato de Vorcaro
A imprensa relata que Rodrigo Pacheco voltou a ganhar força para o STF no novo acordo entre Lula e Alcolumbre.
Até o dia 25Fato
Alcolumbre pode promulgar a PEC do fim da 6x1 antes do segundo turno.
O que muda com o fim da 6x1
A PEC 221/2019 reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, em etapas, e garante dois dias de descanso remunerado, um deles de preferência aos domingos, sem redução de salário. O único voto contra foi de Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

A direita votou a favor
Flávio Bolsonaro anunciou o voto a favor no dia 13. Antes, ele tinha chamado o fim da 6x1 de oportunismo de Lula para ganhar votos e defendido a proposta do PL, que dava ao trabalhador liberdade para escolher a carga horária. Lula ironizou a mudança. Segundo o Senado, todos os senadores que falaram na sessão, da base e da oposição, se disseram a favor, com ressalvas.
A pressa
A PEC chegou ao Senado em agosto. Os dois turnos foram votados no mesmo dia por um calendário especial pedido pelos líderes. Segundo a Gazeta do Povo, Alcolumbre sinalizou que pode promulgar o texto na semana que vem, antes do segundo turno, e a medida pode beneficiar a campanha de Lula.

A PEC da Segurança segue o mesmo caminho. Ficou cinco meses parada no Senado e só andou depois de um acordo entre Lula, Alcolumbre e Hugo Motta, em agosto. O presidente da CCJ, Otto Alencar, disse que o plenário deve votá-la ainda esta semana.

E a cadeira no STF
Em abril, o Senado derrubou Jorge Messias, o indicado de Lula ao Supremo, e Lula e Alcolumbre se afastaram. Agora, segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha, a indicação de Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e aliado de Alcolumbre, entrou no novo entendimento entre os dois. Pelo desenho relatado, Pacheco ficaria com a vaga atual e Messias viria depois.
Uma das versões publicadas vai além: Lula fica no cargo até 31 de dezembro e, mesmo se perder a eleição, poderia indicar Pacheco antes de sair, para não deixar a vaga para o Flávio. Para virar ministro, o indicado precisa de 41 votos no Senado. A indicação ainda não é oficial, e não há confirmação de que a votação da 6x1 tenha sido negociada em troca da vaga.

Perguntas rápidas
O Senado aprovou o fim da escala 6x1?
Sim. Em 14 de outubro de 2026, por 75 votos a 1, em dois turnos no mesmo dia. A PEC 221/2019 segue para promulgação.
Flávio Bolsonaro votou a favor do fim da 6x1?
Sim. Ele anunciou o voto favorável em 13 de outubro, depois de chamar a medida de oportunismo eleitoral de Lula e defender a proposta do PL.
Rodrigo Pacheco vai para o STF?
Ainda não há indicação oficial. Segundo a imprensa, o nome dele voltou a ganhar força no novo acordo entre Lula e Alcolumbre.
Minha opinião
Esta parte é opinião minha, Thiago de Castro.
Folga para o trabalhador é bom, e a direita votou a favor. Mas fazer tudo correndo, a dez dias da urna, enquanto os bastidores já falam numa cadeira no Supremo para tirar a escolha do próximo presidente: isso tem cara de campanha. O Brasil já disse chega para o PT, e pacote de véspera nenhum muda isso.







