O Flávio Bolsonaro não reconheceu a vitória do Lula. Na noite de domingo, em Brasília, ele anunciou:
"Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições."
E explicou por quê:
"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram."
Até a publicação desta matéria, o pedido tinha sido anunciado, mas ainda não protocolado.
Motivo 1: a regra mudou depois das 17h
A votação fechava às 17h. A decisão do ministro Cristiano Zanin, que esticou a votação até as 19h, tem horário de 17h01 e foi divulgada às 17h03. Nunca tinha acontecido. O próprio presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse:
"Nunca, na história do TSE, houve qualquer prorrogação."
Motivo 2: quem decidiu e onde

O Zanin foi advogado do Lula e foi indicado por ele ao STF. A decisão saiu no STF, e não no TSE, que é o tribunal da eleição. O pedido foi da coligação do Lula. Às 17h01, a Procuradoria-Geral Eleitoral tinha dado parecer contra: "o horário de votação fixado por lei deve se manter inalterado".
Motivo 3: uns votaram, outros não

Quando a ordem chegou, a maioria das urnas já estava fechada. No Paraná, 87,4% dos locais tinham encerrado, e o TRE soube da decisão pela imprensa. Em São Paulo, cerca de 80%. No Rio Grande do Sul, nenhuma urna reabriu. O Flávio resumiu:
"Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter."
E teve gente que ouviu "até as 19h", saiu de casa e achou o portão fechado, no Rio, em Salvador, em São Paulo, em Belo Horizonte e em Pelotas.
Motivo 4: o que disse o presidente do TSE

Ao proclamar o resultado, Nunes Marques disse que a decisão do Zanin "gerou dificuldades ao processo eleitoral". E foi além:
"Somente por este fato poderia ter havido comprometimento de toda a eleição brasileira."
Na mesma fala, ele disse ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral".
Motivo 5: um ministro defendeu nova eleição
A CNN ouviu ministros do STF em reserva no domingo. Um deles "criticou a condução das eleições pela cúpula do TSE e defendeu a realização de uma nova eleição". Os outros ouvidos descartaram um terceiro turno.
O que disse o Nikolas

"Imagina a seguinte situação: o ex-advogado pessoal do Bolsonaro intervém na eleição e dá a vitória para o Bolsonaro. O que você acha que o Lula faria? Ele reconheceria a eleição? Claro que não."
"É impossível reconhecer as eleições até que tudo seja esclarecido."
A última Datafolha, de 24 de outubro, dava Flávio 51% a 49%, empate técnico. E, de 1989 a 2022, quem liderou o 1º turno sempre ganhou. Em 2026, pela primeira vez, não ganhou.
O que disse o Gayer

"Uma eleição dessa, com uma decisão do Zanin da forma como foi feita, no mínimo merece anulação e uma nova eleição ser refeita."
"Eu não tô falando em fraude de urna, nem nada disso, mas é inexplicável."
E os fiscais do PL?
O Flávio disse que os fiscais do PL foram tirados da sala-cofre do TSE depois da decisão. Até agora, o PL não mostrou nomes nem horário, e o TSE não respondeu.
O que joga contra
- A diferença foi de 4,3 milhões de votos. A maioria dos juristas diz que anular é difícil.
- A campanha do Flávio também pediu mais tempo de votação em cidades de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, por causa da chuva. O pedido foi ao TSE.
- O TSE ainda não respondeu ao anúncio do Flávio.
O que precisa ser explicado
- Por que uma decisão do STF, e não do TSE, mudou o horário da eleição?
- Por que uns estados reabriram as urnas e outros não?
- Quantas pessoas votaram depois das 17h, em cada estado?
- O que houve com os fiscais do PL na sala-cofre?
A resposta
Opinião da Revista De Castro. Isso não é normal, e a gente não pode aceitar isso como normal. A regra da eleição mudou depois do horário, por um ministro que foi advogado de um dos candidatos, a pedido desse candidato. No mínimo, tudo tem de ser explicado. E o Flávio tem todo o direito de pedir a anulação na Justiça.
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Perguntas que chegam nos comentários
O Flávio já entrou com o pedido de anulação?
Ele anunciou na noite de 25/10. Até esta matéria, o pedido ainda não tinha sido protocolado.
Já houve prorrogação assim antes?
Não. O presidente do TSE disse que nunca houve prorrogação na história do tribunal.
A eleição pode ser anulada?
Quem decide é a Justiça. Juristas ouvidos pela imprensa criticam a decisão do Zanin, mas dizem que anular é difícil.







