Em 1956, a NBA entregou pela primeira vez o prêmio de melhor jogador da temporada. O vencedor foi um ala de 2,06 metros chamado Bob Pettit.
Menos de dez anos antes, esse mesmo Pettit não servia para o time do colégio.
Ele morreu aos 93 anos. A Universidade Estadual da Louisiana, a LSU, anunciou a morte na quinta-feira, 24 de setembro. A causa não foi divulgada.
O menino que ficou de fora
Bob Pettit nasceu em 12 de dezembro de 1932, em Baton Rouge, na Louisiana.
No Baton Rouge High School, foi cortado do time de basquete no primeiro ano. Tentou de novo no segundo e foi cortado outra vez. A informação está no perfil histórico publicado pela própria NBA e na biografia dele na Wikipedia.
Só entrou no time principal no terceiro ano, segundo a ESPN. No quarto, levou a escola ao título estadual, o primeiro em mais de 20 anos.
Décadas depois, perguntado sobre o que tinha pesado mais, aquele título escolar ou a final da NBA de 1958, respondeu, segundo o perfil da NBA: "Não dá para comparar os jogos. Mas, naquela época, ganhar o título estadual significou muito."
A LSU e o recorde de calouro
Na LSU, entre 1951 e 1954, teve média de 27,8 pontos por jogo. Quando saiu, a universidade aposentou a camisa 50. Foi o primeiro atleta da LSU, em qualquer esporte, a receber essa honra (Wikipedia).
No draft de 1954, o Milwaukee Hawks o escolheu na segunda posição. O contrato foi de US$ 11 mil, o maior já pago a um calouro da NBA até então.
Em 1955, foi eleito o calouro do ano, com 20,4 pontos e 13,8 rebotes por jogo.
O primeiro MVP
Na temporada 1955/56, com o time já em St. Louis, Pettit liderou a liga em pontos (25,7 por jogo) e em rebotes (16,2), segundo a NBA. Levou o primeiro troféu de MVP da história.
Ganharia de novo em 1959, na melhor temporada da carreira: 29,2 pontos e 16,4 rebotes por jogo (Basketball Reference).
A ESPN e a NBC destacam o estilo. Pettit foi um dos primeiros homens grandes a jogar de frente para a cesta, e não só de costas. Ajudou a inventar a posição que hoje se chama ala de força.
O Hall da Fama do basquete resumiu o traço que o separava dos outros com uma frase, citada pela ESPN e pela NBC: ele "simplesmente não aceitava ser superado em esforço".
A virada: 50 pontos contra o Celtics
Abril de 1958. Final da NBA, jogo 6, St. Louis Hawks contra o Boston Celtics de Bill Russell.
Pettit fez 50 pontos. O Hawks venceu por 110 a 109 e ficou com o título. Na época, foi o recorde de pontos num jogo de playoff que decidiu uma final (Wikipedia).
É, até hoje, o único título da história da franquia, que depois se mudou para Atlanta (NBC Sports).
Há um contexto que a NBA registra no perfil dele: Russell jogou aquela série com o tornozelo machucado. Mesmo assim, a NBC Sports trata aquele título como a zebra que interrompeu a dinastia do Celtics.
Os números
| Marca | Número |
|---|---|
| Temporadas na NBA | 11 (1954 a 1965), todas pelo Hawks |
| Convocações para o Jogo das Estrelas | 11, uma por temporada |
| Prêmios de MVP da temporada | 2 (1956 e 1959) |
| Prêmios de MVP do Jogo das Estrelas | 4, marca igualada só por Kobe Bryant |
| Pontos na carreira | 20.880, o primeiro a passar de 20 mil |
| Rebotes na carreira | 12.849 |
| Médias na carreira | 26,4 pontos e 16,2 rebotes |
| Pontos no jogo 6 da final de 1958 | 50 |
Fontes: ESPN, NBC Sports, Basketball Reference e Gazeta Esportiva.
Ele esteve nos quatro times comemorativos da NBA: o de 25 anos, o de 35, o de 50 e o de 75 (Wikipedia).
A saída cedo
Pettit parou em 1965, aos 32 anos. Na última temporada, uma lesão no joelho o limitou a 50 jogos, segundo a NBA.
Voltou para Baton Rouge e foi trabalhar em banco. Ficou 23 anos no setor e depois passou a dar consultoria financeira (Wikipedia). Continuou torcedor da LSU e do basquete de Nova Orleans (NBC Sports).
A mulher dele, Carole, morreu em 2010. Ele deixa três filhos e dez netos.
Em nota reproduzida pelo O Povo e pela Gazeta Esportiva, a LSU disse que ele "estabeleceu padrões difíceis de igualar no basquete profissional".
O que joga contra, e entra
"Era outra NBA, menor e mais lenta." A liga era menor, é verdade. Mas Pettit liderou essa liga em pontos e em rebotes na mesma temporada, e fez 50 pontos na final contra o Celtics de Bill Russell. Contra o melhor adversário da época, entregou o maior número.
"Ser o primeiro MVP é só um detalhe de calendário." Ele ganhou o prêmio de novo três anos depois, e ficou entre os dez mais votados em seis temporadas seguidas, segundo a Basketball Reference. O primeiro troféu abriu a lista. O segundo confirmou que não foi acaso.
"A história do corte no colégio é lenda." Está no perfil publicado pela própria NBA e na biografia da Wikipedia. A ESPN registra de forma mais branda: ele não entrou no time principal até o terceiro ano. As três fontes concordam que ele ficou de fora nos dois primeiros.
Onde e quando ele morreu. Aqui as fontes divergem. ESPN, NBC e Wikipedia falam em 23 de setembro, e o local aparece como Nova Orleans ou Metairie, na região metropolitana. O anúncio da LSU saiu no dia 24. Até a família se pronunciar, fico com o que é certo: a LSU anunciou a morte em 24 de setembro.
O ano do Hall da Fama. A Wikipedia e a NBC dizem 1970. A Basketball Reference, a Gazeta Esportiva e o O Povo dizem 1971. Por isso deixei o ano fora do texto principal.
A resposta
Bob Pettit foi cortado duas vezes do time do colégio. Na terceira tentativa, entrou. Na quarta temporada, foi campeão estadual. Seis anos depois, era o primeiro MVP da história da NBA.
Parou aos 32 anos, foi trabalhar em banco e passou as seis décadas seguintes longe dos holofotes. O primeiro nome da lista de MVPs da NBA é o de um menino que a escola mandou embora duas vezes.







