Revista De Castro

Cinema e TV / 26 de setembro de 2026

Eu fui checar

A série de tribunal da Netflix estreou no meio da crise do Supremo

Habeas Corpus, primeiro drama jurídico brasileiro da plataforma, chegou em 23 de setembro com Marjorie Estiano. É inspirada no Innocence Project Brasil, que já foi procurado por mais de 9 mil pessoas, segundo o diretor da série. Eu fui ler o que a atriz, o diretor e os números dizem, sem contar a trama.

Publicado
26 de setembro de 2026
Atualizado
26 de setembro de 2026
Editoria
Cinema e TV
Leitura
2 min
Fontes
5 citadas
Marjorie Estiano em 2012: Alex Carvalho / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0
Marjorie Estiano em 2012: Alex Carvalho / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0

Habeas Corpus estreou na Netflix na quarta-feira, 23 de setembro. São oito episódios. É o primeiro drama jurídico brasileiro da plataforma, segundo o Estado de Minas e a CartaCapital.

O Estado de Minas abriu o texto sobre a estreia com uma comparação: há duas novelas sobre o Judiciário no ar no Brasil. Uma é a série. A outra, segundo o jornal, é o escândalo real no Supremo Tribunal Federal, em curso desde o fim de 2025.

Marjorie Estiano, a protagonista, disse ao Estado de Minas: "Acho que o timing não poderia ser melhor."

A série

Marjorie vive Inez, professora de Direito que reúne um grupo de estudantes para investigar a condenação de um jovem que ela acredita ser inocente, segundo o Estadão. Any Gabrielly faz Marina, uma das alunas. Vladimir Brichta, Danton Mello, Natália Lage e Marisa Orth estão no elenco.

A criação é de Leonardo Moreira, Donna Oliveira e Luiz Villaça, que assina a direção geral. O caso atravessa a temporada inteira. "Ela não é episódica como as séries americanas", disse Villaça ao Brasil de Fato. "A série não entra dentro da prisão; ela está sempre da sala de visitas para fora."

O caso real por trás

A série se inspira no Innocence Project Brasil, organização sem fins lucrativos que desde 2016 investiga e tenta reverter condenações de inocentes, em parceria com a Escola de Direito da FGV em São Paulo, segundo o Estadão. A produção teve assessoria de integrantes do projeto, segundo o Omelete.

Villaça contou ao Brasil de Fato o número que mais o impressionou na pesquisa: "Nos poucos anos de vida desse projeto, mais de 9 mil pessoas já os procuraram." Pedido não é inocência comprovada. Cada caso passa por estudo antes de qualquer revisão criminal.

Sobre quem são essas pessoas, o diretor disse: "Se você pegar o maior número de casos dessas pessoas encarceradas e inocentes, te digo que 99% são pessoas de classe socioeconômica baixa e, quase sempre, negras."

A frase da atriz

Marjorie conheceu casos do projeto durante a preparação. Ao Estadão, em 23 de setembro, disse: "É ver o quanto uma instituição do Estado que se presta a ser extensiva a absolutamente todo mundo é claramente seletiva. Se dar conta disso é um horror. É um horror saber que a Justiça é para quem pode pagar por um bom advogado, não é para todo mundo."

O que joga contra, e entra

"A série é sobre o Supremo." Não é. Trata de uma instância muito menor, com delegacia, tribunal, presídio e faculdade, como descreve o Estado de Minas. A ligação com a crise do STF é a leitura do jornal e o momento da estreia.

"Os 99% são estatística oficial." São uma estimativa do diretor, em entrevista. Não encontrei o dado publicado pelo Innocence Project.

A resposta

A Netflix pôs no ar a primeira série de tribunal brasileira numa semana em que o Judiciário real ocupa o noticiário. A ficção trata de um jovem condenado e de um grupo de estudantes. O número real por trás dela são as mais de 9 mil pessoas que já procuraram o Innocence Project Brasil.

Fontes desta materia

  1. Estado de Minas, Série Habeas Corpus é o primeiro drama jurídico nacional da Netflix
  2. Estadão, É um horror saber que a Justiça é para quem pode pagar, diz Marjorie Estiano sobre Habeas Corpus
  3. CartaCapital, Habeas Corpus, primeira série jurídica da Netflix Brasil, estreia nesta quarta
  4. Brasil de Fato, Nova série Habeas Corpus mostra como a injustiça opera de acordo com raça e classe social, diz diretor Luiz Villaça
  5. Omelete, Habeas Corpus: Marjorie Estiano explica preparação para viver advogada na Netflix